Saturday, 28 November 2015

Music Clip | Featherstone, by The Paper Kites

Eu esbarrei no clip de Featherstone por puro acaso... Estava num mix do youtube junto com algumas músicas do Boy, eu acho...



A música não é muito recente (foi lançada em 2011, no EP Wodlands), mas era nova para mim... Acabei descobrindo que a banda lançou um álbum novo há algumas semanas, um concept album chamado Twelvefour (porque todas as músicas foram escritas entre meia noite e 4 da manhã). Talvez eu escreva sobre ele em breve...



No clip, uma batalha é travada no meio de uma floresta, no que parecem ser as primeiras horas da manhã. Os primeiros guerreiros, paramentados com cocares e peles e outros apetrechos indígenas acabam de se levantar.



 Levantam-se e vão para a guerra, segurando seus travesseiros, a arma com a qual essa batalha será travada enquanto penas coloridas voam entre eles e os soldados do lado inimigo... As penas são leves e pesadas ao mesmo tempo... E a própria batalha parece uma bagunça divertida e dolorosa... Kind of like outgrowing something, or someone.... Like a bittersweet goodbye. 



Gostei muito do clip de Featherstone. Gostei das cores, como o cogumelo vermelho logo no começo, os tons de marrom e bege das roupas e as penas coloridas voando pra toda parte... E quanto à letra?


"And we'll hate what we lost, but we'll love what we find."



What will we find?

Friday, 27 November 2015

Thoughts | The Plague Doctor

My favorite necklace, a plague doctor mask, hanging in front of a poster of London. You can even recognize some of the city... The Big Ben... The Buckingham palace... And of course, the Thames, the ancient and lovely Thames, inspiration for the poetry of Wordsworth:

"Glide gently, thus forever glide, Oh! Thames that other bards may see as lovely visions by the side..."

Thursday, 5 November 2015

Book | Escola de Equitação para Moças, by Anton Disclafani

Escola de Equitação para Moças /
Anton Disclafani / Intrínseca / 2014

A capa do livro é Ok... Acho que podia
ser outra foto, embora essa não seja de todo
má, e a faixa dourada com uma recomendação
definitivamente podia ter ficado de fora.
A lombada é discreta, e a parte de trás do livro
tem um tom bonito de azul turquesa

“Em 1930, a adolescente Thea é enviada a um exclusivo internato de elite na Carolina do Norte…” Essa é a primeira linha da sinopse de Escola de Equitação para moças, um livro que me chamou a atenção primeiro pelo titulo, na feira de livros que aconteceu por aqui no meio do ano.

Acontece que lendo a sinopse do livro eu achava que seria a historia de alguma aventura ou evento importante que acontecesse com essa garota, Thea, no internato. Algo com as cores charmosas da década de 1930. Na realidade o livro é bem mais do que isso.

A história é narrada em primeira pessoa por Thea (apelido de Theodora) e começa quando a garota tinha quinze anos de idade. Os eventos do livro são, de modo geral, contados sob a perspectiva de uma adolescente e só muito ocasionalmente percebemos que na verdade, a Thea que conta a história é uma mulher muito mais velha.

Thea vivia em uma cidadezinha da Florida, com a mãe, o pai, o irmão gêmeo e um pônei, que ea ama mais do que tudo no mundo, exceto talvez o irmão, Samuel. Seu pai é médico, e escolheu viver “no meio do nada” por puro altruísmo: Ali era um local onde não havia medico nenhum e a população se beneficiaria mais de sua presença - pelo menos foi essa
a razão que lhe contaram. Ele educa os filhos em casa, todos os dias pela manhã, antes de sair para ver os pacientes. O restante do dia, Thea ocupa cavalgando seu pônei e Sam, que tem pretensões de naturalista, observando a natureza e coletando espécimens para suas coleções particulares.

Aos quinze anos Thea é retirada desse pequeno paraíso e enviada a Yonahlossee, a escola de equitação para moças do título. Fica claro, desde o começo que ela está sendo obrigada a ir. Mandá-la ao internato era - segundo a garota - a forma que seus pais encontraram de puni-la, embora Thea não nos conte exatamente pelo que está sendo punida por pelo menos duzentas páginas.

Este é o primeiro grande trunfo desse livro. Cada capitulo desenvolve a história das primeiras semanas de Thea em Yonahlossee, alternando com fragmentos de sua vida na Florida antes de ser enviada à escola, começando com a forma como lhe contaram que transcorreu seu nascimento e passando por diversas experiências importantes, geralmente compartilhadas com o irmão gêmeo.

Nesses capítulos, aqui e ali, a autora deixa pistas sobre o que foi que Thea fez para que a mandassem embora, mas apesar de todas as pistas é impossível descobrir o que foi que aconteceu até que as coisas sejam explicadas com todas as letras. Pelo menos foi difícil para mim, embora as pistas certamente tenham me mantido curiosa e tentando adivinhar o que aconteceu o tempo todo. Quando o mistério finalmente é resolvido, é surpreendente, e faz todo sentido do mundo. Por vezes eu pensei “não é possível que seja algo tão…” E era.

Outro ponto de destaque é a construção de personagens. Elas são complexas, e assumem papéis inesperados ao longo da história. A todo momento se descobre que o que parecera preocupação era, na verdade abandono, o que parecia companhia era uma ilusão. E os melhores conselhos vêm da fonte mais inesperada.


Então temos a própria protagonista. Thea é complicada.

“Eu era muito boa em manter a mente focada. Era assim que papai chamava. Mamãe chamava de ignorar as consequências"

 É legal que ela certamente não é uma daquelas personagens idealizadas, com uma longa lista de qualidades e nenhum ou quase nenhum defeito do outro lado da balança. Não. Por vezes ela é egoísta, impulsiva e auto-destrutiva. Alguns erros difíceis de entender e perdoar ela comete bem mais que uma vez. Uma pessoa mais velha alegaria que ela é apenas uma garota, mas nem todos os seus erros podem ser justificados na sua pouca idade ou experiência, por mais tentador que isso seja. Por outro lado, Thea é forte e determinada. Corajosa, como ela mesma coloca, "uma característica que lhe servia bem no picadeiro e mal na vida”. Em outras palavras é uma personagem interessante, com a qual é fácil de se envolver.

Eu suponho que em alguns aspectos, Escola de Equitação para mocas possa ser considerada uma coming of age story. Certamente assistimos Thea crescer e amadurecer ao longo das paginas, às vezes mais rápido do que esperaríamos. Mas é diferente de outras histórias do gênero, no sentido de que não se trata de uma mera passagem por uma lista pré definida de eventos chaves da adolescência (primeiro beijo, primeira vez que usou drogas, primeira joy ride, etc). As coisas que acontecem com Thea são bem únicas… Ou não tão singulares, mas certamente não tão comuns assim.

Bonito esse tom de azul da parte de trás do livro... Seria legal se a lombada tivesse essa cor também. 
A forma como o livro foi escrito é elegante. Os detalhes que situam a história temporalmente foram bem escolhidos.

"Eu não usava capacete. Ninguém usava naquele tempo. (…) Não sabíamos que havia algo a se temer."

As descrições são envolventes, tanto as do comportamento das meninas quanto do ambiente e situação ao redor. Pelo menos as descrições referentes à equitação, aos cuidados com os cavalos, percursos e roupas usadas são bastante acuradas. É difícil parar de ler. Eu própria, terminei a leitura em algumas poucas horas (embora sejam quase 3 da manhã enquanto escrevo este post!). E se tenho uma crítica a fazer ao livro, não é tanto uma crítica quanto um aviso: esta não é, de modo algum, uma história leve. As páginas em que a história se resolve são… difíceis… Fazem vir um suspiro pesado, e deixaram - pelo menos a mim - num estado de espirito contemplativo. Não que eu quisesse que as coisas acontecessem de modo diferente. Tudo faz sentido na história. É só que… é difícil explicar.
Nada de especial na verdade.

Eu gostei muito da história, e sobretudo da experiência da leitura. Definitivamente recomendo esse livro, que acabou se encaixando bem nessa vibe “primeira metade do século XX” que tem definido minhas leituras desse ano. Certamente lerei esse livro de novo, quem sabe um pouco mais lentamente do que dessa primeira vez. Nada me mantinha acordada tão tarde há muito tempo… Nothing like a good book.

“It has always been a great comfort to me that I could bring a book anywhere, to any place. To any part of my life.” Mr. Holmes, Escola de Equitação para Moças

Escola de Equitação para Moças, ao lado de meu capacete e meu chicote. Eu costumava ser do grêmio de cavalaria na escola... Faz já muitos anos que não monto. A autora do livro tem experiência montando também, e dá pra perceber isso pela atenção aos detalhes do livro... 
Escola de Equitação para Moças /  Anton Disclafani / Intrínseca / 2014