Monday, 11 May 2015

Book | Melancia, by Marian Keyes

Melancia | Marian Keyes | 1996 |
Editora BestBolso | Chick-Lit |
489 páginas


  A capa desse livro é legal, e a
edição
de bolso ficou perfeita,
apesar de um pouco frágil
(como era de se esperar, e que,
aliás, é parte do charme).
O verso do livro tem

comentários do The New York Times,
(que era uma boa dica) e de Nora
Roberts
(que não era uma indicação

tão boa assim)...

Eu li Melancia, de Marian Keyes pela primeira vez em 2008. Peguei emprestado. Na verdade, seria mais certo dizer que o livro me foi emprestado, porque não foi idéia minha ler esse livro, pra começar. Nunca ouvira falar dele antes. Mas um menino com quem eu costumava conversar tinha o livro, acabara de lê-lo e queria minha opinião...


Be that as it may, encontrei o livro esses dias nas prateleiras de uma loja, dessas que colocam livros, CDs e DVDs todos juntos, numa área separada de todas as outras coisas... Era uma edição legal, de bolso, pequenino, e como eu não me lembrava de absolutamente nada da história, resolvi comprar, ler e resenhar... 



Melancia, conta a história de Claire, uma mulher de 29 anos, que foi abandonada pelo marido, James, dois dias após o nascimento de sua primeira filha. Como se não bastasse, James confessa um caso de seis meses com uma vizinha, com a qual pretende ficar. Tudo isso antes que Claire recebesse alta da maternidade. Alguns dias depois, a protagonista da história retornou ao apartamento vazio apenas por tempo o suficiente para fazer as malas com as quais viajaria de volta para a casa dos pais, na Irlanda, para "colocar a cabeça em ordem".


Se alguém precisa colocar a cabeça em ordem, é Claire. O livro é escrito em primeira pessoa, composto muito mais pelos pensamentos de Claire do que pelos diálogos com outros personagens. Acontece que os pensamentos dela são muito erráticos. Não só se voltam frequentemente para aleatoriedades como são recheados de gracejos e piadinhas. Quase como se ela ironizasse cada detalhe de seu dia dia em seus pensamentos. De fato, o livro é bem humorado (um humor que se constrói com sequências de frases curtas, repletas de hipérboles e sarcasmos) mas nem de perto é tão engraçado quanto O diário de Bridget Jones, por exemplo, (não que
a autora não tenha tentado).


As personagens, de modo geral, são desinteressantes. A família de Claire é composta de figuras estereotipadas, e a própria protagonista não é uma exceção. Claro que, a situação de que trata o livro é muito dramática, e toda a confusão de Claire, a depressão, a fase de bebidas e isolamento do resto do mundo, tudo isso é mais ou menos plausível. Entretanto, nada do que a história nos oferece a respeito da personagem antes, durante ou depois da crise, sugere que ela seja particularmente inteligente, forte, ousada, sagaz ou qualquer outra coisa. Na verdade ela possui todas as características em maior ou menor grau, mas nada que a torne diferente de todas as outras pessoas, ou que justifique que se escreva um livro sobre o que se passou com ela. Claire é uma mulher comum, passando por uma situação que, conquanto terrível, não tem também nada de extraordinário.



Ainda assim, esse livro tem um tremendo chute no gol. Ele atende pelo nome de Adam.


Adam é um personagem escrito para conquistar os leitores (ou talvez somente as leitoras). Ele é um estudante do primeiro ano de faculdade em Dublin. Aos 25 anos, é um homem. Alto, com mais de 1,80 metros de altura, tem pernas compridas, braços musculosos, olhos azuis e um belo sorriso. O tipo de cara que arranca suspiros de todas as mulheres que encontra. Adam é educado e atencioso. Sabe cozinhar, frequenta a academia, preocupa-se com o próprio corpo e com o futuro. Quer uma carreira que não seja imprecisa ou comum demais.  Mostra-se cansado da companhia de garotas bobas que se atiram pra cima dele e são incapazes de manter uma conversa inteligente. 

Seu interesse por Claire é bem óbvio desde que se conhecem, e embora não fique claro se esse interesse é romântico ou não, ele deixa claro que gosta dela. Interessa-se pela bebê, pedindo para vê-la e para segurá-la em seus braços. Quando Claire oberva sua filha nos braços de Adam e se tortura com pensamentos proibidos a respeito de como formariam uma bela família, ele, distraído, solta comentários despreocupados do tipo: "sabe, se nós dois tivéssemos filhos seus olhos certamente seriam azuis", ou "você já se deu conta de que se as pessoas não soubessem pensariam que sou o pai de Kate?" 


Adam é o tipo de cara que liga de noite só pra dizer que vai passar um filme legal na TV. O tipo de cara que entende quando Claire age de forma irracional, que pode até ficar chateado, ou ficar sem entender alguma coisa, mas não mantém o foco nisso...  Ele diz sempre a coisa certa e age do modo certo.  Tem defeitos, mas defeitos cuidadosamente acrescentados pela autora para que ela não fosse acusada de escrever sobre um personagem pouco "humano", ou "perfeito demais".
 

Adam é a melhor coisa do livro. Eu chegava a me irritar com as partes em que ele não aparecia, querendo que passasse mais rápido para chegar logo nele mais uma vez.  Inclusive foi o único personagem cujas linhas foram interessantes o suficiente pra fazer pensar.


Irlandês criado nos Estados Unidos até os 12 anos, Adam escolheu não fazer faculdade logo após o colegial, e agora, aos 25 anos é um primeiranista "maduro", embora não se sinta nem um pouco maduro, a não ser quando se compara com seus colegas de classe, todos jovens, de 17 ou 18 anos, que entraram para a Universidade para adiar a decisão sobre o que fazer com o resto de suas vidas. 



Segundo Adam, sua espera foi recompensada e ele se considera "pronto" para a faculdade, capaz de realmente aproveitá-la. Eu nunca tinha pensado nisso nesses termos, mas talvez ele tenha razão. Talvez exista algo como "estar pronto para a faculdade", e talvez não aconteça logo que se termina o Ensino Médio... É um pensamento que explica muita coisa.




Infelizmente um dos piores momentos do livro também envolve Adam. A autora o envolveu numa espécie de "segredo" que se estende por todo o livro e só é resolvido às pressas, nas páginas finais. Não havia a menor necessidade de nada daquilo. 


 Melancia foi uma leitura rápida. Faz parte de um gênero que "descobri" recentemente, o "chick-lit". Embora eu não tenha gostado muito do livro, pretendo dar uma nova chance à autora, e ler pelo menos mais um de seus livros. Tenho certeza de que vi mais alguns pockets dela naquela prateleira...

Melancia | Marian Keyes | 1996 | Editora BestBolso | Chick-Lit | 489 páginas

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