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| Pôster original de lançamento do curta em 1943 |
Apesar do sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões em 1937, Walt Disney quase foi à falência com a produção de Fantasia, três anos mais tarde. Isso levou a companhia a fechar acordos com o governo americano para a produção de uma série de curtas durante a segunda guerra mundial. Essa fase não é tão conhecida, mas muitos desses filmes estão em “public domain”, e talvez um dos mais interessantes seja “Education for Death: The making of a Nazi”.
Geralmente esses curtas tinham personagens já conhecidos da Disney (como o pato Donald). Entretanto, esse não foi o caso dessa vez. Baseado no livro de mesmo nome de 1943,escrito por Gregory Zimmer, Education for Death usa seus próprios personagens para contar a história de como o nazismo corrompia as mentes jovens desde o nascimento dos futuros soldados.
Durante 10 minutos de filme acompanhamos a história do menino Hans, nascido na Alemanha e levado a se tornar um soldado pelas circunstâncias que o cercavam. Hans é, no começo, um menino doce, desde jovem punido e humilhado na escola até que aprenda a pensar e se comportar como os demais.
Talvez o determinismo da história pudesse ser entendido como uma mensagem perigosa de que
os nazistas não tinham de fato culpa alguma pelo que estavam fazendo, e eram vítimas de um sistema que os manipulava desde o nascimento. Entretanto, essa seria uma interpretação equivocada. Muito cuidado foi tomado no sentido de não humanizar os nazistas, por exemplo, os diálogos entre os personagens estão todos em alemão, sem legendas e sem uma tradução exata pelo narrador. Uma gravação original da voz de Adolf Hitler foi encaixada no meio da história, e não existe uma única qualidade redentora nos personagens vestidos com as cores do nazismo. Num determinado momento a versão de “A bela adormecida” ensinada às crianças alemãs foi mostrada, como exemplo de um dos contos de fadas nazista. Foi interessante ter conhecimento de como a história era contada, com o próprio Hitler e a Alemanha nos papéis principais. Talvez o único erro do curta tenha sido estender demais essa cena, algo claramente desnecessário.
O filme é um exemplo clássico da propaganda de guerra na II Guerra Mundial, e tem vários elementos, referências e símbolos escondidos. Logo no começo, por exemplo, os pais de Hans precisam escolher o nome do menino e ter certeza de que Hans não está na lista de nomes proibidos. Quando vemos essa lista, logo no alto estão Franklin, Winston e Joseph, numa alusão a Franklin Delano Roosevelt, Winston Churchill e Joseph Stalin.

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