Sunday, 31 January 2016

Book | O Inimigo de deus, by Bernard Cornwell

O Inimigo de deus | Bernard Cornwell
Record
O Inimigo de deus é um livro que mostra como Bernard Cornwell parece gostar de escrever sobre guerras...

É nesse livro que vemos um capítulo sobre Camelot. Camelot, o castelo e a coorte em que Arthur reinou nos tempos de paz e que na verdade, nunca existiu. Arthur governou, e houve paz, pouco duradoura como pudesse ser, mas o reino dele era a Dumnonia e ninguém que viveu naqueles tempos ouvira falar de Camelot, como Derfel, o narrador, explica em seus escritos. Ele próprio ouviu o nome apenas dois anos antes de escrever a história, muito tempo depois do tempo de Arthur. Na verdade, como Bernard Cornwell explica na nota do autor ao final do livro, nem mesmo Derfel poderia ter ouvido esse nome, que só apareceu séculos mais tarde, na literatura do século XII. Camelot era perfeita para os romancistas e poetas, porque, não estando situada em nenhum lugar em particular poderia estar situada em qualquer lugar. Bernard Cornwell explica que poderia ter decidido omitir o nome totalmente e considerar apenas o que estava nos textos originais, mas se tivesse feito isso teria se negado Merlin e Lancelot e essas concessões ele não estava disposto a fazer...

Seja como for, o tempo de paz de Camelot mereceu apenas um curto pedaço desse segundo livro, e logo nos vemos mergulhados em batalha novamente.


Não que eu esteja reclamando. As batalhas de Bernard Cornwell são um espetáculo a parte. As descrições são vívidas, do clima, do terreno, das táticas de guerra, dos golpes e movimentos da luta, e sobretudo dos sentimentos, medos e loucuras dos personagens... Ás vezes é como estar vendo os eventos se desenrolarem como um filme mental, com uma trilha sonora e efeitos tridimensionais... Mas na maior parte do tempo é como estar lá na parede de escudos, ombro a ombro com os outros lanceiros...

Outra coisa boa desse segundo livro é a presença de Merlin. Já tínhamos encontrado o mago no primeiro livro, é claro, mas ele passa a maior parte do tempo longe,... Dessa vez não. Merlin participa muito ativamente da história, e empreende a busca pelo Caldeirão sagrado – a última das relíquias dos deuses antigos (e ler os trechos com o mago me fez sorrir com o orgulho de saber que ele também é um sonserino). Merlin é sarcástico e impaciente, e (um pouco como Dumbledore – ou talvez Dumbledore um pouco como ele), sempre parece saber mais e não revelar tudo o que sabe... Teve muitos filhos, mas é feliz que todos ou quase todos tenham morrido. Prefere os filhos dos outros, muito mais agradecidos. Ele gosta demais de Arthur, e de Derfel, e se lamenta por isso, achando-se burro, porque, podendo gostar de homens espertos ou bravos, gosta dos honestos. É extremamente solitário, como todos os homens que não encontram seus iguais no ambiente em que estão, mas por mais que pareça cansado comm a perspectiva de explicar algo que para ele parece simples, dá insights preciosos a Derfel nos momentos em que ele mais precisa. Dá também pequenos presentes, como o osso que entrega a  Derfel e que vai se provar crucial na história.


A magia dos druidas continua envolvida numa aura de mistério. A todo momento fica a pergunta... 
As coisas aconteceram por causa do feitiço lançado (um osso, um crânio de animal) ou as coisas simplesmente aconteceram e foi uma coincidência ter havido um feitiço?

E Merlin é tremendamente respeitado... Derfel, que fala saxão, é frequentemente o tradutor quando se encontram com o rei saxão, Aelle, e numa dessas reuniões Aelle diz a Derfel que transmita uma multitude de insultos a todos os líderes britânicos presentes. E manda dizer a Merlin que nenhum dos insultos era dirigido a ele... Porque até os saxões temiam Merlim.


Aelle, diga-se de passagem é outro personagem que comecei a apreciar tremendamente nesse segundo livro. É um bom rei, e inimigo ou não, é impossível não respeitá-lo. E é difícil não gostar dele...


Nesse livro eu comecei a perceber o quanto seria difícil terminar de ler a triologia... Porque sabemos o final da história, não é? Sabemos o que aconteceu com os druidas, e os celtas, e os saxões, e o cristianismo na Grã Bretanha. E os personagens não sabem e nós não sabemos exatamente o papel que cada um teles teve no desenrolar dos acontecimentos, mas estamos nos envolvendo com eles... It’s an unusual sensation to experience with a book... 

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