Thursday, 22 January 2015

Book | Homem Máquina, by Max Barry

A capa do livro combina demais com
a história - e inclusive dá spoilers
das proporções que as coisas tomam.
As anotações rabiscadas ao lado
das pernas dão um toque
divertido, completado pelas cores
branco e azul-turquesa, inclusive no
símbolo da editora. Reparem
nas pequenas engrenagens sutilmente
colocadas aqui e ali... Nice cover


Homem-Máquina | Max Barry |
Intrínseca | 2011 | Austrália |
284 páginas
“Quando criança, eu queria ser um trem. Não percebia que isso era incomum – as outras crianças brincavam com trens, não de ser um. Gostavam de construir trilhos e impedir que os trens saíssem deles. De vê-los passar por túneis. De vê-los passar por túneis. Eu não entendia isso. O que eu gostava era de fingir que meu corpo era composto por 200 toneladas de aço, impossível de ser parado. De imaginar que eu era feito de pistões, válvulas e compressores hidráulicos. 


'Você quer dizer robôs', corrigiu meu melhor amigo, Jeremy. 'Você quer brincar de ser robôs.' Eu nunca havia enxergado por esse ângulo. Robôs tinham olhos quadrados, braços e pernas que se moviam abruptamente, e em geral queriam destruir a Terra. Em vez de fazer as coisas direito faziam tudo errado. Eram construídos com múltiplas finalidades. Eu não era fã de robôs. Eles eram máquinas ruins.”



Os dois primeiros parágrafos de Homem Máquina, de Max Barry, marcam o tom do livro todo, e na verdade, é uma experiência interessante voltar e reler essa primeira página, logo depois de ter terminado o romance. Ela tem tudo a ver com muita coisa que acontece muitas páginas depois.



O protagonista desse livro é um engenheiro chamado Charlie. Ele é um cara... interessante. Diferente. Quando perde seu celular, ele procura pelo aparelho por toda parte, quase desesperado. Tentando encontrar o telefone, passa os dedos sobre o criado mudo por entre livros que provavelmente nunca seriam lidos – afinal, depois que se acostuma com os e-books é impossível voltar para livros de papel. Na sala, outro exemplo disso,
uma pilha de obras de referência intocadas desde o surgimento do google. “Três milhões de folhas feitas de árvores mortas, empilhadas como um monumento à ineficiência do papel como plataforma de distribuição de informação. Já estava acordado há um bom tempo e estava sem roupas... Não podia se vestir sem saber a previsão do tempo. Seria insano! Precisava do celular para saber o tempo. Não podia usar o computador. Levava uma eternidade pra ligar. Quase um minuto.



Charlie trabalha em um sofisticado laboratório de pesquisas. E um dia, ele perde uma das pernas num acidente de trabalho. E como não poderia deixar de ser, ao invés de encarar o acontecido como uma tragédia, Charlie vê a coisa toda como uma oportunidade. Ele é um cyborg, e pernas artificiais podem ser aperfeiçoadas. Na verdade Charlie sempre pensou que o frágil corpo humano pudesse ser melhorado, e essa é a chance de colocar algumas dessas ideias em prática. Ele começa a construir partes humanas. Partes melhores. E como não poderia deixar de ser, tudo isso sai fora do controle.



Homem máquina foi um romance experimental do autor. Ele publicava uma página por dia em seu site, e ia escrevendo conforme recebia feedback dos leitores, embora ele mesmo reforce que o romance que resultou desse trabalho é bem diferente daquele rascunho inicial. O livro tem um ritmo rápido e é surpreendente. As coisas continuam acontecendo superando todas as expectativas e surpreendendo quem está lendo. É engraçado, ousado e definitivamente original.



Em certa medida, o livro é uma sátira sobre o modo como a sociedade está se tornando dependente de tecnologia. Na verdade eu nunca conheci ninguém como Charlie... A meus olhos parece absurdo preferir e-books a livros de papel. Independente de quaisquer facilidades que o formato eletrônico possa trazer existe algo de especial sobre segurar um livro nas mãos, sentir a aspereza das páginas contra os dedos... E sentir as vezes que as páginas amareladas de um livro novo têm cheiro de biscoitos... Pelo menos eu prefiro essas coisas... Acho que a maioria das pessoas talvez prefira... E espero que continuemos assim por um bom tempo...

Homem-Máquina | Max Barry | Intrínseca | 2011 | Austrália | 284 páginas

Wednesday, 21 January 2015

Book | Magneto: Testament

X-Men Magneto: Testament |
Story: Greg Park | Art:
Di Giandomenico | 5-issue


As capas são lindas, todas em
tons de cinza e vermelho
(abaixo um banner com
todas as 5 )
Eu flertei com Magneto: Testament durante meses... Todas as vezes que íamos à loja de quadrinhos observava aquela edição em capa dura, no mesmo lugar da prateleira. Chamara minha atenção por que era sobre Magneto (lógico) e a capa era linda, em tons de cinza e vermelho. Mas era cara, pelo menos pra mim, e por isso eu procrastinei... Deixei pra depois... Havia dias em que segurava o volume em minhas mãos até quase o momento de ir ao caixa,...



Assistir X-Men: First Class no começo do ano foi o impulso de que eu precisava. Quando o filme terminou, as cenas de Michael Fassbender como Magneto ainda na cabeça, virei para o lado e disse: “Tenho de ir comprar aquela revista”. Era o momento perfeito. Eu tinha o dinheiro, a inspiração, era um dos primeiros dias do ano e nada dera errado ainda. Mas quando cheguei à loja, a revista tinha sido vendida!



Muito decepcionante.



Sério, muito decepcionante. Pensei nisso durante semanas, meses... Até que quase por acaso, numa dessas visitas à loja de quadrinhos vi a revista lá de novo, de relance. Era um pouco diferente. Era a edição em inglês, o desenho da capa era diferente, ela era até um pouco mais cara do que eu me lembrava... Mas eu não podia cometer o mesmo erro duas vezes...



Valeu muito a pena. É, talvez, o livro mais caro da minha estante, mas é um dos que eu mais gosto... Quando terminei de ler pela primeira vez estava “sem ar”. É a história oficial da origem de Magneto, seu verdadeiro nome ( que por sinal é Max!), seus anos no campo de concentração...



Um dos detalhes que não é revelado na história é o número de Magneto enquanto estava no campo de concentração... De acordo com os autores, quanto mais era pesquisado nos depoimentos das vítimas, menos confortáveis eles ficavam atribuindo a Magneto um número que pertencera a uma pessoa real. 

Mas deixando a história de lado por um instante... Uma das coisas incríveis sobre “Magneto: Testament” é a preocupação com a acurácia em relação à História. No final há páginas e páginas de notas sobre os livros, sites, fotos e documentos estudados para a criação da graphic novel. Alguns dos desenhos nos quadrinhos foram baseados em fotos reais, e a história abrange vários momentos do entreguerras, como as Leis de Nuremberg e as Olimpíadas de Berlim. Um episódio em particular reflete o compromisso da equipe: no planejamento original da história havia um desenho do trem parando diante do portão de Aushwitz-Bikernau, e somente depois que o desenho estava terminado eles descobriram que o portão não estava pronto na época em que aquele ponto da história se passava. Uma noite antes de o livro ser mandado para a impressão toda a equipe trabalhou para remover a torre de guarda do desenho. 


Ainda em relação a esse aspecto, talvez o desenho mais impressionante seja o que põe Max diante de uma pilha de óculos que pertenceram às vitimas das câmaras de gás. Existe uma exposição permanente nos blocos 4 e 5 de Aushwitz I, com salas cheias de, entre outras coisas, malas, roupas e cabelos das vítimas do campo de concentração. 








Eu gostaria de ler uma sequência que tratasse do modo como Max conheceu Charles, mas suponho que para isso vá ter de me contentar em ler Uncanny X-Men #161... O último dos cinco capítulos traz uma mensagem presente em depoimentos de sobreviventes do Holocausto, uma mensagem que fica na cabeça de quem estuda o que aconteceu naqueles anos (pelo menos na minha):


“Don't let this ever happen again.”



E bastante semelhante a algo que o próprio magneto diz em várias ocasiões:



“Never again.” 



Magneto: Testament | Greg Park & Di Giandomenico |


Thursday, 15 January 2015

Backstage | Bastidores da capa de Silêncio

Quando estava escrevendo sobre silêncio encontrei o site fallenarchangel, o fan site oficial da série Hush Hush. De acordo com eles vai haver um filme da série, e o primeiro volume da graphic novel já está à venda.
Outra coisa legal que eles tinham lá era photos dos bastidores da produção da capa de silêncio (que antes disso eu pensei que fosse um desenho só! Nunca imaginaria toda essa parafernália pra fazer a capa de um livro... But then again, existe uma razão pela qual o melhor dessa série são as capas):



Isso despertou minha curiosidade quanto a esses modelos de capa, principalmente Drew Doylon, o carinha que faz Patch.  

Drew não é nada como eu imaginava Patch pra falar a verdade. Apesar de que na foto ao lado ele chega perto...

Aparentemente ele mantém uma ótima relação com as fãs da série, e gostaria de tentar o papel de Patch num possível filme. Entre outras coisas, Drew grava vídeos falando sobre a série, como por exemplo um vídeo de natal vestido de preto diante de uma mesa de sinuca (exatamente do modo como Patch é visto no primeiro livro), dizendo que Hush Hush é a única coisa que não pode faltar sob a árvore de natal. Em entrevistas ele disse que gosta de ler mas que não descobriu que gostava antes de sair da escola, e que Hush Hush foi a única serie que já leu... Também se confessou surpreso com o impacto da série no Brasil e agradeceu os tweets das fãs... ai ai


 

Drew também deu uma entrevista EM PORTUGUÊS no youtube. É engraçado ver ele tentando falar (principalmente o trecho do livro), mas foi legal da parte dele. Valeu a tentativa.


Just for the record, esse não é um único vídeo de Drew falando em português na internet. Ele gravou um para as fãs brasileiras dizendo "amo todas". Ai, ai...

Tuesday, 13 January 2015

Books | Especiais by Scott Westerfeld

Especiais | Scott Westerfeld | 2012 |
Editora Galera | 352 páginas
Especiais poderia ter sido o primeiro livro de 2015, mas como eu saí para comprá-lo no dia 31 e não no dia primeiro (e acabei começando a ler no mesmo dia), ainda não conta como primeiro livro do ano. Na verdade eu só comprei Especiais porque havia acabado de ler Perfeitos e queria muito terminar a trilogia… Pura e simplesmente para terminar a trilogia.


Especiais é um livro chato. Mais uma vez, ao invés de mover a história adiante a protagonista é puxada para trás submetida a outra cirurgia, dessa vez para se tornar especial (um terceiro grupo de pessoas, cuja existência é revelada logo no primeiro livro da série. Os especiais são como guardiões da nova ordem, ocupados em manter a cidade a salvo de interferências externas. A cirurgia que os torna especiais é diferente da dos perfeitos. Eles ainda são belos, mas uma beleza assustadora, além de mais fortes e mais rápidos que uma pessoa comum. 


Uma raça de super humanos criados artificialmente que controla as vidas dos demais? Não exatamente original…


Conforme passam as páginas, e isso acontece desde perfeitos, por sinal, a caracterização de alguns personagens começa a se deteriorar… Não faz sentido, por exemplo, transformar pessoas de dezesseis anos em especiais, sabendo o poder que eles têm e o papel que ocupam naquela sociedade. A mãe de David é completamente diferente nos dois últimos livros do que parecia ser no primeiro, uma mudança que não só não faz muito sentido como é uma mudança para pior. O conflito amoroso de Tally que poderia ter algo de interessante tem uma resolução fácil (para não dizer óbvia). 


Um último livro ruim é uma constante em muitas trilogias contemporâneas. O final de especiais (e estou falando das duas ou três últimas páginas aqui, a resolução da trama) é totalmente anti-climático. E se o livro peca por não explorar todas as questões sobre beleza e feiura que poderiam ter sido levantadas, a mensagem final é altamente questionável. Nada dá a Tally o direito ou a superioridade de fazer o que ela faz. Seriously, who watches the watchers? 

Especiais | Scott Westerfeld | 2012 | Editora Galera | 352 páginas

Monday, 12 January 2015

Thoughts | Acrescentando um livro no skoob...

As it turns out, a minha edição de “The Vulcan Academy Murders” não estava no Skoob ainda, então tive uma chance de acrescentar um livro ao diretório deles… 


Foi o primeiro livro que eu acrescentei no skoob, o que não é de todo surpreendente considerando que não estou no skoob há tanto tempo assim. A versão em português do livro (Crime em Vulcano) já estava lá, mas a da Titan Books não. 

O processo foi bem simples. Há vários campos a ser completados: título, subtítulo, ISBN, sinopse… Achei que talvez depois de colocar o ISBN os outros campos fossem preenchidos imediatamente, mas não. Inclusive a foto da capa tive que procurar e salvar antes de fazer o upload (não há opção para adicionar a partir da URL). 

E pelo menos agora acrescentei mais um livro à minha estante do skoob (a essa altura já deve ter um widget na barra lateral do blog). The Vulcan Academy murders foi lido por 40 pessoas e favoritado por 4… Eu definitivamente recomendo. 



Sunday, 11 January 2015

Book (Reading Trek) | The Vulcan Academy Murders

The Vulcan Academy Murders | Jean
Lorrah | 1988 | Titan Books London |
280 páginas


Muito legal a capa desse livro, roxa
com o Spock e o que estou assumindo
que seja um Le-matya em cima de
uma roxa...  
A Enterprise está em batalha contra nave klingon. Mas não por muito tempo. Depois de disparar todos os phasers e torpedos fotônicos, a ave de rapina fica morta no espaço, com os motores mortos, completamente sem energia e com sistemas de suporte de vida não operacionais. Scotty transporta os últimos dez ou doze klingons que restaram vivos na nave inimiga. 

Enquanto isso, na ponte, Kirk escuta os relatórios de todos os departamentos da Enterprise, se perguntando por que aquilo teve de acontecer. A batalha foi por uma região minúscula de espaço vazio. Os klingons sabiam que não eram páreo para a Enterprise. Kirk precisava impedir que violassem aquele espaço pois uma presença klingon ali significaria  uma base klingon perigosamente próxima da federação. Mas os klingons não precisavam ter começado a briga…

Spock por outro lado entende a situação perfeitamente. Os klingons, ele diz, não são lógicos, mas são previsíveis. E a partir do momento em que encontraram a Enterprise naquela região do espaço, o confronto era inevitável. 

“We go to gain a little path of ground / That hath in it no profit but the name.”

O problema era que sempre havia vítimas. Dos dois lados. Na enterprise, quatro mortos e noventa e três feridos… Desses, noventa e dois se recuperariam perfeitamente, mas um deles… É nessas horas que McCoy odeia ser médico… 


O nome dele é Carl Remington, um garoto, alferes, recém saído da academia. Ele está completamente paralizado, seu sistema nervoso voluntário morto. Se McCoy não tivesse feito nada ele provavelmente teria morrido, mas agora seu sistema nervoso autônomo funciona, e é possível que ele passe anos nesse estado. Ele não consegue nem piscar, mas depois de um elo mental, Spock descobre que por dentro do corpo paralisado Remington está consciente. E não há nada que McCoy possa fazer. 

Pelo menos não na Enterprise. As it turns out, existe uma técnica sendo desenvolvida em vulcano que envolve colocar o paciente em stasis e regenerar o sistema nervoso. Um time de médicos vastamente considerado o melhor time de vulcano está estudando a técnica. Eles são Sorel e Daniel Corrigan. Um vulcano e um humano que trabalharam juntos pela primeira vez no nascimento de Spock, o primeiro híbrido de humano e vulcanos no planeta. A pesquisa ainda não foi publicada e por isso McCoy nunca ouviu sobre o assunto, mas Spock conhece a técnica por uma razão muito pessoal: a mãe dele, Amanda, está em stasis há vários dias. 

Spock tinha a intenção de pedir ao capitão que o liberasse para shore leave em vulcano nos próximos dias, e ele pediria a McCoy para acompanhá-lo. Agora, o oficial de ciências sugere que Kirk também os acompanhe e os três levem Remington para vulcano. O alferes será colocado em stasis e McCoy e Kirk serão convidados na casa dos pais de Spock. Depois que Amanda for liberada do hospital e o pior do verão tiver passado, eles podem inclusive acampar nas montanhas. Shore leave on vulcan. Sounds fun. 

Now here's something we don't see very often... Words are very unnecessary...

Assim que se transportaram para a superfície do planeta, Kirk, Spock e McCoy foram recebidos por Sarek, Sorel e Daniel Corrigan. Sorel e Daniel estavam prontos para receber seu novo paciente e depois que as medidas apropriadas foram tomadas os seis foram jantar no Angelo’s, o restaurante italiano do planeta. 

Daniel fora o primeiro a se submeter ao tratamento com stasis. Isso explica porque apesar de ter mais de 7 décadas de vida Daniel parece ter trinta e poucos anos. Rejuvenescimento é um dos efeitos colaterais do tratamento, apesar de a técnica ser perigosa demais para que o tratamento seja usado apenas pelos efeitos cosméticos algum dia. No momento a técnica só é usada em casos extremos, pacientes que não têm outra escolha. Isso porque a técnica é extremamente perigosa. Para regenerar o sistema nervoso voluntário eles precisam suprimir o sistema nervoso autônomo também, colocando o paciente sob controle completo do campo de stasis. Se o campo falhar, o paciente não sobrevive. Claro que existem dois sistemas independentes para impedir qualquer falha, mas ainda assim é uma técnica arriscada… Amanda foi a segunda pessoa a ser colocada em stasis, e há apenas uma noite, T’Zan, esposa de Sorel. 

E a um certo momento enquanto estavam no restaurante italiano algo aconteceu com Sorel. Seus olhos ficam vidrados e ele diz: “T’Zan!” Houve uma falha no campo de stasis, e T’Zan está morrendo.

A coisa é que a falha no campo de stasis não foi acidental. Alguém sabotou o equipamento. Assassinato! Na academia de ciência de vulcano. Em vulcano, onde as portas não têm trancas porque nenhum vulcano pensaria em perturbar a privacidade de outro e é seguro andar sozinho por qualquer parte da cidade a qualquer hora do dia e da noite. E no entanto, os próximos capítulos do livro revelam outras mortes. Há um serial killer solto em vulcano. 

A posição desse livro na estante do que era meu quarto até umas poucas semanas atrás...
The Vulcan academy murders é provavelmente o meu livro preferido de Star Trek. Em primeiro lugar porque mostra tanto mais sobre vulcano… Na série original só visitamos Vulcano uma única vez, em Amok Time, uma segunda vez na série animada (Yesteryear). Esse livro traz vulcano no meio do verão, e é nessa época que a vegetação morre (acho o máximo esse tipo de coisa, um clima totalmente diferente do da Terra, onde na maioria dos lugares é o frio que faz a vegetação morrer). Além disso, T’Kuht o planeta irmão de Vulcano cuja órbita excêntrica o traz para perto de Vulcano a cada sete anos está alto no céu noturno (like a moon in a moonless sky). 

Sarek está bem diferente no livro do que o vemos da série de TV, mas não de um jeito ruim (não de um jeito que se possa dizer que o personage está off-character. É mais como se, por termos capítulos todos com ele, temos acesso a seus pensamentos, e não ficamos restritos a vê-lo do ponto de vista de Spock. Nada disso cancela as coisas que conhecemos sobre Sarek já, o que é um esforço de caracterização brilhante. E temos muito mais informação sobre a razão pela qual ele se casou com Amanda, uma humana, e sobre o modo como o relacionamento entre os dois funciona, tudo isso sem fazê-lo emocional demais, ou menos vulcano. Francamente, os roteiristas de Star Trek Into Darness podiam tomar aulas com Jean Lorrah. 



A amizade entre Daniel e Sorel é outro dos pontos fortes do livro. Vulcano e humanos são muito diferentes, mas uma vez que os costumes de vulcano sejam respeitados, os estrangeiros são completamente aceitos por aquela sociedade. Sorel por exemplo, nunca teve irmãos de sangue. Ele encontrou em Daniel alguém para ocupar esse lugar, e a partir daquele momento, Daniel se tornou um membro da família de Sorel. Que o sangue dele era vermelho e não verde tinha muito pouco a ver com a coisa toda… É claro Daniel é testado de vez em quando mas ele passa em todos os testes… E o capítulo 6, com o elo mental entre Daniel e Sorel é um dos melhores capítulos do livro. 

Quando T'Pau desafia Sorel perguntando porque um forasteiro está ao lado dele, Daniel steps up: "I am vulcan. (...) Blood is blood. Mine sustain life as does yours." 
Quanto ao trio principal, Kirk, Spock e McCoy, estão todos in-character. Bones passa um tempo na enfermaria da academia de ciências de vulcano, ajuda a resolver uma crise, e não tem nenhum trabalho em convencer os outros de que apesar de estarem direcionando os pacientes vulcanos para vulcan healers ele é o cara mais qualificado para cuidar de Spock. Além disso conhece M’Benga, o médico humano treinado em Vulcano que aparece na terceira temporada de TOS. Kirk faz o papel de detetive e emenda a cerca com T’Pau enquanto Spock investiga a manipulação dos computadores da academia que causou o mau funcionamento da câmara de stasis. Revisitar a história do Kaswan de Spock também é legal, principalmente porque a história complementa a de yesteryear, ao invés de conflitar com ela. 


Como sempre, os melhore escritores de livros de Star Trek são trekkies. Jean Lorrah é da primeira geração de trekkies, a que assistia TOS na TV em 1966. A mini biografia no final do livro diz que ela ainda frequenta convençōes de Star Trek (why shouldn’t she? Those things are great!), apesar de que a minha edição do livro é meio antiga. Comprei usado, pela internet… Eu li esse livro pela primeira vez numa tela de MP4 de uns 16 centímetros quadrados (uma das coisas mais fáceis de ler/esconder embaixo da mesa durante uma aula inútil). Precisava tê-lo na minha coleção. E a capa não é nada má… 

Essa almofada com o símbolo da starfleet foi uma das melhores coisas que estava esperando por mim no meu quarto nesse fim de ano... Confortável, trek-themed, e eu carrego pra todas as partes da casa... Na verdade, estou com ela agora, enquanto escrevo essas linhas...
The Vulcan Academy Murders | Jean Lorrah | 1988 | Titan Books London | 280 páginas

Saturday, 10 January 2015

Tags | Arco-íris Literário

Para essa tag eu precisava escolher 7 livros da minha estante, cada um com uma das cores do arco-íris. O critério pode variar… Livros com a capa ou a lombada da cor determinada. No meu caso, precisava ser o livro todo da cor especificada. Capa e lombada. Algumas escolhas foram difíceis. Eu tinha mais do que um livro bom para quase todas as cores, mas privilegiei livros (lidos) que, sendo parte desse grupo de sete, dizem mais sobre as coisas que eu gosto de ler, e sobre o conteúdo geral da estante… 



Vermelho - American Gods, by Neil Gaiman

Eu já estava com a idéia de responder essa tag há algum tempo, e estava na dúvida sobre que livro colocar na cor vermelha (logo a primeira). Estava pensando em colocar Carter e o Diabo, mas a coisa é que eu não li esse ainda. Na verdade o livro que estou lendo no momento é Deuses Americanos, e de repente, numa pausa entre capítulos, fechei o livro, marcando a página com o dedo e me ocorreu: “Hey! Red!) 



Essa é a edição britânica de American Gods, tem a altura de um pocket book, mas é bem grossinho. Não foi o primeiro livro que eu li do Neil Gaiman. O primeiro foi O Oceano no fim do caminho. Mas um livro foi o bastante, I got hooked. Foi muito difícil escolher qual seria o segundo (o impulso era querer comprar todos!). Acontece que American Gods é o texto preferido do próprio Neil. 

Os deuses só existem porque as pessoas acreditam neles. As pessoas que imigraram para a America levaram consigo seus deuses (de que outra forma eles teriam chegado lá? Uma citação de Richard Dorson no começo do livro diz "When I once asked why such demons are not seen in America, my informants giggled confusedly and said, ‘They’re scared to pass the ocean, it’s too far’ (…)”… Esse livro é uma mistura de horror, ficção científica e Americana fantasy, escrito ao redor de um personagem chamado Shadow, passando por encarnações de deuses americanos, ancestrais e contemporâneos… Eu ainda estou na página 101, mas é assim que você sabe que o livro é bom não é? Quando é bom desde as primeiras páginas…

Naturalmente, American Gods ganhou vários prêmios (Hugo, Nebula, Bram Stoker, Locus,…). Mas a coisa é que essa não é a edição que ganhou todos aqueles prêmios. Essa tem 12000 palavras a mais. E a “versão do diretor”. Do escritor, I should say… Can barely wait for the next few pages. 

Laranja - Heretic, by Bernard Cornwell

O Herege é o terceiro livro da trilogia “A Busca do Graal” (que começa com O Arqueiro). Eu li O Arqueiro (que aliás quase foi o livro verde da tag de hoje) em 2004. Foi sugestão de um carinha que trabalhava na livraria. Demorei quase oito anos pra ler o Herege, por incrível que pareça. Valeu 100% a pena. Bernard Cornwell can do no wrong. Já tenho outra série escrita por ele pra ler, as histórias do rei Arthur (As crônicas saxônicas estão na lista também). 

Yellow - On the Road, by Jack Kerouac

Achei legal não terem traduzido o título nessa versão. “Pé na estrada” just doesn’t have the right ring to it. É um livro sobre road trips, baseado nas viagens do próprio autor pelos Estados Unidos. Esse livro definiu uma geração, e é um dos livros que definiu a cultura do pós guerra. É um livro… diferente. Está na reading list do Charlie. Eu li faz muito tempo, e quero reler desde que vi o episódio de Quantum Leap em que Kerouac aparece… Perhaps later this year…

Green - Harry Potter and the Half Blood Prince

Okay, eu tentei várias configuraçōes diferentes para os sete livros que fariam parte da resposta a essa tag. Em todas ela, sempre havia um Harry Potter… Tentei as Relíquias da Morte no laranja, e o Príncipe mestiço no anil/indigo (outra edição). E finalmente essa cópia do Principe Mestiço no verde.

Minha versão de Harry Potter e o Príncipe Mestiço... Meio gasta nos cantos de ser carregada pra todos os lados, e sacudida em mochilas pra cima e pra baixo... O Harry Potter escrito em dourado na capa sumiu quase inteiro...
É o livro seis da série, o mundo da magia está em guerra declarada, os números da ordem da fênix diminuem enquanto mais e mais comensais da morte são recrutados para as fileiras do Lord das Trevas. É provavelmente o meu livro preferido da série, em parte porque mostra muito mais do Dumbledore, inclusive algumas de suas memórias e ele em ação, procurando uma das horcruxes…

Azul - O cão dos Baskervilles

Reler todos os livros de Sherlock Holmes é uma das coisas que gostaria de fazer esse ano, dessa vez no idioma original. He’s the best, had to be on this list…

Anil - Federation  


Federation é um livro sobre a história da federação de planetas, escrito por escritores da federação. A melhor parte disso é que não é um livro sobre os bastidores de Star Trek. Nada para te lembrar que é uma série de TV. Além disso o livro tem cópias de todo tipo de documentos da federação ilustrando suas páginas. Quadros pendurados na academia, notícias de jornal e cartas (incluindo uma do embaixador Sarek para Spock…) 

Violeta - Oscar Wilde

No ano passado, eu costumava estar um pouco adiantada para as peças de teatro que queria ver, então passava um tempo na livraria que ficava por perto. E sempre passava um tempo folheando esses livrinhos em miniatura da small running press (me lembravam uma versão em miniatura que eu tenho de A Bela Adormecida). No final, o único livro que eu comprei  foi esse do Oscar Wilde, um volume cheio de citações do escritor irlandês.


The Quotable Oscar Wilde

Thursday, 8 January 2015

Books | Perfeitos, by Scott Westerfeld

Perfeitos (Pretties) | Scott Westerfeld | 2005 |
BestBolso | 382 páginas


Esta é, na minha opinião, a melhor capa da
série (apesar de eu não ter gostado muito
dessas capas. Além disso, acho que o título
em português ficou melhor que o original.
Pretties is just... wrong. 
Perfeitos é a sequência de “Feios”, escrito por Scott Westerfeld. Nele vemos mais sobre como é a vida dos perfeitos jovens em Nova Perfeição. É a capa mais legal da trilogia (que, a dire il vero não tem capas tão legais assim, pelo menos na minha opinião). 

Nesse livro, Tally finalmente se tornou perfeita. Esse é um dos problemas da trilogia na minha opinião, ela não move adiante… Tudo aponta em direção aos rebeldes de Fumaça mas nunca estamos com eles, estamos sempre com Tally e sempre acontece alguma coisa para puxá-la para trás. 

Um novo personagem é introduzido em perfeitos. Seu nome é Zane. Ele foi um feio que se metia em confusões, como Tally, e quase fugiu para fumaça antes dos dezesseis anos. Juntos os dois formam uma célula de resistência no coração de Nova Perfeição que atua em paralelo ao que fazem os rebeldes do lado de fora. 

Zane é um personagem interessante. Ele teve a escolha de fugir mas teve medo, e agora, como perfeito, se arrependeu dessa escolha, e de ter medo, e não sabe o que pensar de si mesmo por isso. Ele se torna o líder dos Crims (perfeitos que agem como feios), mas apesar de ser respeitado pelos outros, tem muitas dúvidas sobre si próprio. Se é ou não um covarde… Sobre o que a sua decisão (ou falta de decisão) faz dele… 



Perfeitos é um livro muito parecido com o primeiro da série. É uma leitura rápida, divertida, com alguns elementos interessantes e nada muito original. A minha edição é da BestBolso, Vira Vira, o que significa que tenho os dois livros em um só, um volume com 600 páginas bem finas, pesadinho para o tamanho… Apesar de não ter achado feios um livro brilhante, eu terminei ele rápido e quis começar o livro dois imediatamente. Desse jeito tudo que tive de fazer foi virar o livro e começar o dois. 

Very convenient. 

Perfeitos (Pretties) | Scott Westerfeld | 2005 | BestBolso | 382 páginas

Wednesday, 7 January 2015

Tags | Tag das Cores: Verde

Eu vi essa tag em alguns blogs há MUITO tempo atrás,... Não consegui encontrar os blogs em que a encontrei depois de tanto tempo, mas me lembrava do conceito suficientemente bem para fazer os posts. A coisa se resume ao seguinte: reunir todas as coisas de determinada cor que estão no quarto e tirar uma foto, e dizer um pouco sobre cada item depois... Eu decidi começar pelo verde (porque olhei ao redor e achei que nem tinha tanta coisa verde assim)... 




Lixeira - Não é o objeto mais glamuroso da foto, talvez, mas a lixeira da minha escrivaninha é verde e só tem alguns dias de idade. Sim, até alguns dias atrás eu tinha que sair do meu quarto toda vez que descartava uma folha de caderno ou apontava um lápis… Agora não preciso mais, e por ter me poupado dessa chateação a lixeira está na foto ;)


Dinossauros - Há alguns dinossauros da minha coleção nessa foto… Comecei a coleção quando tinha uns 8 anos, e o iguanodon aí na frente (o único bípede da foto) foi o meu primeiro dinossauro, algo que meu irmão achou no fundo da piscina do colégio e me deu porque eu curtia ler sobre dinossauros na internet. No começo eu os guardava numa casa de bonecas :) (Nem preciso dizer que bonecas não são a minha). Os dois dinossauros grandes são um Diplodocus que eu levo pra piscina de vez em quando (o sauropode, o mesmo que está na entrada do National History museum em Londres) e um Styracosaurus. Também coloquei um triceratops e um stegosaurus pequenos… 

Jogos - Logo na frente está o saquinho verde com as peças de scrabble. É um dos meus jogos preferidos, mas quase nunca encontro quem jogue comigo (o que é uma das razões pela qual acabei de baixar o app Words with Friends - mas jogar com o tabuleiro é mais legal…) O outro jogo é o jogo de cartas de Clue (Pobre consolo por não ter conseguido comprar o Cluedo Newcastle mês passado). Acho que a bola de futebol americano ali no fundo também conta entre os jogos… É a bola infantil (tenho faz MUITO tempo) do Miami Dolphins, meio desbotada porque também vai pra piscina de tempos em tempos…



Deanna Troi - Os uniformes da divisão médica/científica da Frota Estelar são verdes/azuis a partir da nova geração, mas o único action figure com o uniforme verde que eu tenho é esse da Deanna Troi. Comprei na Newcastle Film and Comic Con por mais ou menos 12 reais XD Evidência de uma das únicas coisas boas que o Jelicho fez com a Enterprise: Get Deanna in uniforme!

Slytherin - A conselheira Troi está em cima do meu cachecol da Sonserina (que é bem quente e confortável por sinal… Além de muito mais elegante que o da Grifinória, que tem praticamente as cores do McDonald’s). Além dele, tenho um bottom da Sonserina ali em cima, do lado do meu bottom geek, presos na caixa verde do óculos… Tenho vários óculos escuros (shades) mas esse aí é meu preferido… Talvez por ser o único escolhido por mim, e também pelo estilo… Parece o de um aviador dos anos 50… O fone de ouvido ali em cima (perto da camiseta das tartarugas ninjas) já parou de funcionar, e só não me livrei dele porque quero comprar um outro do mesmo estilo (leia-se: grande). 

CDs - Nenhum dos dois CDs que está na foto tem a capa totalmente verde, mas a lombada ė verde então tudo bem.. O primeiro é Legal Men, um EP do Belle and Sebastian, uma das minhas bandas preferidas (ainda quero ir a um gig deles… Assisti um ao vivo no cinema, mas não é a mesma coisa). O segundo é “In the aeroplane over the sea” by Neutral Milk Hotel. Eu ouvi esse CD do começo ao fim da primeira vez que ouvi o CD. E curti todas as músicas. Isso é raro o bastante pra que eu quisesse ter o album na minha estante. Também coloquei um box de DVDs ali, o box com os três Jurassic Park.

As lombadas dos dois CDs em destaque aqui na esquerda dessa foto
Livros - Isso pode levar um tempo. Começando pela pilha da direita, de baixo pra cima, As maiores aventuras do lanterna verde (um dos poucos quadrinhos que tenho que não são X-men, Star Trek ou algo indie…) Então uma edição de Alice no país das maravilhas, A Rainha do castelo de ar (terceiro livro da trilogia Milenium do Stieg Larson), O Arqueiro (primeiro livro que eu li do Bernard Cornwell), um curso de Sindarin que foi presente no último natal, Harry Potter e o enigma do príncipe, Italiano em 15 minutos, Fortaleza Digital do Dan Brown, Ventrue (um livro do meu cal em Vampiro, a Máscara), e O Senhor dos Anéis - O retorno do rei. 

A pilha da esquerda tem 4 livros de Star Trek: Masks (que eu comprei na Barter Books, só por causa da capa…), A Stitch in Time, um livro de DS9 focado no Garak que está em várias listas de livros de Star Trek que até non-Trekkies deviam ler (e que eu só consegui comprar usado, de tão difícil de achar), The romulan Way (adoro essas lombadas pretas dos livros de Trek mais antigos), e Zero Sum Game, parte do arco Typhon Pact. 

Além do livro de Edward Wilson, ali atrás dá pra ver um livro que anão está na foto do início do post... É a borda verde-acinzentada de "Era Urso"... Depois tenho que fazer um post só dele...
Qual cor devo fazer semana que vem? 

Tuesday, 6 January 2015

Books | Feios, by Scott Westerfeld

Feios (Uglies) | Scott Westerfeld | 2005 |
BestBolso | 348

A capa do livro não é muito estimulante
pra dizer a verdade... As capas da série toda
seguem esse mesmo padrão
Tally Youngblood tem quase dezesseis anos. Ela passa os dias enganando os inspetores de Vila Feia, pregando peças e saindo às escondidas, cruzando a ponte velha para espiar os moradores de Nova Perfeição. Ou pelo menos era isso que ela fazia com Peris, seu melhor amigo, desde que os dois se conheceram aos doze anos, pouco depois de serem transferidos para vila feia. Eles aprenderam a enganar o inspetor juntos, numa época em que a diferença de três meses entre suas idades não parecia importante. 

Acontece que no mundo em que Tally vive, todos os jovens são submetidos a um cirurgia plástica aos dezesseis anos. A pele é raspada e substituída por uma nova mais durável, sedosa e atraente. Os lábios se tornam grossos, os olhos ficam maiores. Os traços adquirem uma simetria perfeita demais para ser natural. Tudo a seu respeito se torna belo, uma beleza exuberante e vulnerável. Eles se tornam perfeitos. 

Após a cirurgia os novos perfeitos se mudam para os prédios altos e luxuosos da ilha de nova perfeição, onde nada lhes falta. Passam os dias indo a festas e se divertindo até que eventualmente ficam velhos o bastante para se submeter à segunda cirurgia, dos perfeitos de meia idade. As crianças moram com os pais na vila dos coroas, até os doze anos, quando passam de crianças bonitinhas a feios desastrados e grandalhões.



Isso acontece no futuro, os humanos do século XXI (que Tally conhece como enferrujados) se destruíram em várias guerras, (uma das quais envolveu a criação de uma bactéria que se alimentava de petróleo!!!) e a forma encontrada por aquela nova geração para manter a paz era essa: uniformidade. Agora uns não eram mais bonitos que outros. Todos eram belos e sobretudo iguais, vivendo sem que lhes faltasse nada em cidades rigorosamente controladas. A população se mantém estável, e ninguém parece ter problema nenhum com isso. 






Apenas uns poucos meses antes de sua própria cirurgia Tally descobre a existência de fumaça, uma cidade rebelde, no meio da floresta, construída por pessoas que se recusam a se submeter à operação. É aí que as coisas começam a se complicar… 

Eu tive vontade de ler esse livro desde que começou o hype nos blogs e redes sociais.. Achei o título legal e eu tenho uma quedinha por essas histórias que se passam em universos distópicos. 

A construção do universo tem algo de interessante, e mais adiante no livro, quando se revela um pouco mais sobre tudo o que mantém a nova cidade em ordem as coisas ficam legais, mas o livro não tem nada de muito original. Além disso, a história perde várias oportunidades de aprofundar em questões sobre o limite entre a beleza e a feiura, e a importância que esses conceitos têm para nós. Um episódio de Star Trek: TOS consegue fazer melhor em 50 minutos. Talvez seja injusto comparar qualquer coisa com Star Trek, mas para um livro de mais de 300 páginas, eu esperava mais.

Você pensaria que o livro teria algo que fosse pelo menos remotamente parecido com isso... Mas não. 
Não que o livro não seja divertido… Terminei de lê-lo em algumas horas… Mas não é algo que eu queira ler de novo… E sempre acho que isso diz bastante sobre qualquer livro.


Feios (Uglies) | Scott Westerfeld | 2005 |  BestBolso | 348 páginas

Monday, 5 January 2015

Tale | The crooked Man

Um dos convidados da festa de Old King Cole (das silly symphonies da Disney) foi o Crooked Man, um homem de papel dobrado em ziguezague, como uma sanfona, saído de uma casa também toda ziguezagueada... 





Esse personagem foi tirado de uma nursery rhyme, uma rima antiga, inglesa, do século XIX. É uma cançãozinha muito popular, e já apareceu inclusive em Doctor Who e Friends... Vai mais ou menos assim:


There was a crooked man, and he walked a crooked mile.
He found a crooked sixpence against a crooked stile.
He bought a crooked cat, which caught a crooked mouse,
And they all lived together in a little crooked house


A coisa é que, em tempos nos quais a maioria da população era iletrada - e coisas como desobediência e opiniões diferentes podiam ser punidas com a morte - rimas curtas e fáceis de lembrar, passadas oralmente de pessoa pra pessoa eram uma das poucas formas de os comuns transmitirem suas idéias. É por causa disso que hoje em dia se acredita que essas canções e rimas antigas não são tão transparentes quanto podem parecer... O crooked man da história pode na verdade ter sido um general escocês, Alexander leslie, e o "crooked stile" seria a fronteira entre a Escócia e a Inglaterra num tempo em que havia muita animosidade entre esses dois países, e apenas começavam a chegar a um entendimento. Bem como um gato que costumava caçar um rato e acabaram os dois morando na mesma casa... A crooked house...



Sunday, 4 January 2015

Tale | The Pied Piper

Um dos curtas mais impressionantes da seleção de curtas clássicos que assisti essa semana foi O flautista mágico. Esse post vai estar cheio de spoilers, mas o curta tem só 7 minutos e está inteiro aqui:




The pied piper foi a segunda história da coleção. O curta começa com a cidade de Hameln, que está infestada de ratos (e os ratinhos da animação são muito realistas, os movimentos deles parecem com o de ratos de verdade).


Rats of Hameln. Ilustração de Kate Greenaway numa tradução de The Pied Piper of Hamelin  de Robert Browning (1812-1889)
A infestação é tão séria que o soberano oferece um saco de ouro a qualquer aventureiro que se disponha a livrar a cidade da praga. Um homem de roupas coloridas, carregando uma flauta se candidata a cuidar do problema, e, tocando sua flauta, atrai todos os ratos para longe e os faz desaparecer. Quando volta para coletar seu saco de ouro, entretanto, o soberano local ri do flautista, dizendo que tudo o que ele fez foi soprar sua flauta, os ratos provavelmente tinham saído da cidade sozinhos, e atira apenas uma moeda por cima dos muros.

O soberano está sendo injusto, mas o flautista não tem a menor intenção de sair com as mãos abanando. Pelo contrário, ele tem uma vingança particularmente cruel em mente:

"You're dishonest and ungrateful
And it really is a shame
that the children of this city should grow up to be the same
I'll save the children from such a fate
I'll pipe 'em away before it's too late"

E dessa forma ele começa a tocar uma nova melodia, e as crianças da cidade – que estavam trabalhando – param o que quer que seja que estavam fazendo e começam a dançar a melodia, acompanhando o flautista. Crianças menores cujas pernas pequeninas não podem manter o ritmo ficam um pouco para trás antes de ser apanhadas no colo das crianças maiores, cegonhas mudam de direção e deixam os bebês com o grupo, e até um menino aleijado acompanha o flautista, se equilibrando com dificuldade nas muletas no fim da fila.


The Lame Child. Ilustração de ilustração de Kate Greenaway numa tradução de The Pied Piper of Hamelin  de Robert Browning (1812-1889)
 Quando estão longe o bastante da cidade, o flautista cria uma porta para um mundo colorido com brinquedos e doces, e some lá dentro com todas as crianças, para nunca mais retornar...

A minha primeira reação quando vi esse curta foi achar a coisa toda meio brutal pra um desenho animado. Um homem desconhecido rouba criancinhas e resolve ficar sozinho com elas num mundo misterioso?

 As it turns out, o flautista de Hameln é personagem de uma lenda alemã,Rattenfänger von Hameln. Hameln era uma cidade medieval de verdade e, em 1284, por alguma razão, todas as crianças morreram ou desapareceram. A figura do flautista pode ou não ter existido, e a partir do século XIV começaram a surgir lendas explicando o que acontecera em Hameln, e incluindo a infestação de ratos. Essas lendas apareceram mais tarde na literatura de Goethe, Robert Browning e dos irmãos Grimm, entre outros.

Várias hipóteses foram formuladas para o mal que se abateu sobre a cidade. É possível que as crianças todas tenham sucumbido a uma doença ou uma praga – e a presença dos ratos se encaixariam nessa versão. Nesse caso, o flautista seria uma prosopopeia da morte (algo meio sombrio pra se colocar num desenho animado). Outra teoria sugere que o flautista na verdade representaria Nicholas de Cologne, que atraiu multidões de crianças de todos os lugares da Europa para a desastrosa Cruzada das Crianças, quando os povos europeus se convenceram de que somente as crianças por sua pureza e inocência poderiam tomar a terra santa. Uma terceira teoria liga o desaparecimento das crianças de Hameln a Ostsiedlung, a migração de alemães que desejavam colonizar o leste europeu. É possível ainda que as crianças não fossem realmente crianças, mas uma metáfora para uma geração mais jovem (crianças para os que restaram) que foi seduzida a deixar a cidade pelas palavras de um líder carismático.


O flautista liderando as crianças para fora da cidade numa ilustração de Kate Greenaway numa tradução de The Pied Piper of Hamelin  de Robert Browning (1812-1889).

A menção mais antiga dessa história está num pedaço de vidro manchado na Igreja de Hameln, datado de 1300. Essa janela apareceu em registros dos séculos XIV ao XVII, e foi destruída em 1660. Hoje existe uma reconstrução feita por Hans Dobbertin. O evento do desaparecimento das crianças é o primeiro evento registrado nos registros de Hameln. O arquivo mais antigo da cidade começa assim: “Fazem 100 anos que nossas crianças nos deixaram.”


Gravura copiada da janela de vidro de Marktkirche em Goslar, figura mais antiga do flautista.
Quando assisti o curta pela primeira vez, pareceu estranho ver as crianças sumindo para um mundo de doces a brinquedos... Pensando melhor, esse parece ter sido um destino melhor que aquele que as crianças de Hameln provavelmente tiveram...