 |
The Vulcan Academy Murders | Jean Lorrah | 1988 | Titan Books London | 280 páginas
Muito legal a capa desse livro, roxa com o Spock e o que estou assumindo que seja um Le-matya em cima de uma roxa... |
A Enterprise está em batalha contra nave klingon. Mas não por muito tempo. Depois de disparar todos os phasers e torpedos fotônicos, a ave de rapina fica morta no espaço, com os motores mortos, completamente sem energia e com sistemas de suporte de vida não operacionais. Scotty transporta os últimos dez ou doze klingons que restaram vivos na nave inimiga.
Enquanto isso, na ponte, Kirk escuta os relatórios de todos os departamentos da Enterprise, se perguntando por que aquilo teve de acontecer. A batalha foi por uma região minúscula de espaço vazio. Os klingons sabiam que não eram páreo para a Enterprise. Kirk precisava impedir que violassem aquele espaço pois uma presença klingon ali significaria uma base klingon perigosamente próxima da federação. Mas os klingons não precisavam ter começado a briga…
Spock por outro lado entende a situação perfeitamente. Os klingons, ele diz, não são lógicos, mas são previsíveis. E a partir do momento em que encontraram a Enterprise naquela região do espaço, o confronto era inevitável.
“We go to gain a little path of ground / That hath in it no profit but the name.”
O problema era que sempre havia vítimas. Dos dois lados. Na enterprise, quatro mortos e noventa e três feridos… Desses, noventa e dois se recuperariam perfeitamente, mas um deles… É nessas horas que McCoy odeia ser médico…
O nome dele é Carl Remington, um garoto, alferes, recém saído da academia. Ele está completamente paralizado, seu sistema nervoso voluntário morto. Se McCoy não tivesse feito nada ele provavelmente teria morrido, mas agora seu sistema nervoso autônomo funciona, e é possível que ele passe anos nesse estado. Ele não consegue nem piscar, mas depois de um elo mental, Spock descobre que por dentro do corpo paralisado Remington está consciente. E não há nada que McCoy possa fazer.
Pelo menos não na Enterprise. As it turns out, existe uma técnica sendo desenvolvida em vulcano que envolve colocar o paciente em stasis e regenerar o sistema nervoso. Um time de médicos vastamente considerado o melhor time de vulcano está estudando a técnica. Eles são Sorel e Daniel Corrigan. Um vulcano e um humano que trabalharam juntos pela primeira vez no nascimento de Spock, o primeiro híbrido de humano e vulcanos no planeta. A pesquisa ainda não foi publicada e por isso McCoy nunca ouviu sobre o assunto, mas Spock conhece a técnica por uma razão muito pessoal: a mãe dele, Amanda, está em stasis há vários dias.
Spock tinha a intenção de pedir ao capitão que o liberasse para shore leave em vulcano nos próximos dias, e ele pediria a McCoy para acompanhá-lo. Agora, o oficial de ciências sugere que Kirk também os acompanhe e os três levem Remington para vulcano. O alferes será colocado em stasis e McCoy e Kirk serão convidados na casa dos pais de Spock. Depois que Amanda for liberada do hospital e o pior do verão tiver passado, eles podem inclusive acampar nas montanhas. Shore leave on vulcan. Sounds fun.
 |
| Now here's something we don't see very often... Words are very unnecessary... |
Assim que se transportaram para a superfície do planeta, Kirk, Spock e McCoy foram recebidos por Sarek, Sorel e Daniel Corrigan. Sorel e Daniel estavam prontos para receber seu novo paciente e depois que as medidas apropriadas foram tomadas os seis foram jantar no Angelo’s, o restaurante italiano do planeta.
Daniel fora o primeiro a se submeter ao tratamento com stasis. Isso explica porque apesar de ter mais de 7 décadas de vida Daniel parece ter trinta e poucos anos. Rejuvenescimento é um dos efeitos colaterais do tratamento, apesar de a técnica ser perigosa demais para que o tratamento seja usado apenas pelos efeitos cosméticos algum dia. No momento a técnica só é usada em casos extremos, pacientes que não têm outra escolha. Isso porque a técnica é extremamente perigosa. Para regenerar o sistema nervoso voluntário eles precisam suprimir o sistema nervoso autônomo também, colocando o paciente sob controle completo do campo de stasis. Se o campo falhar, o paciente não sobrevive. Claro que existem dois sistemas independentes para impedir qualquer falha, mas ainda assim é uma técnica arriscada… Amanda foi a segunda pessoa a ser colocada em stasis, e há apenas uma noite, T’Zan, esposa de Sorel.
E a um certo momento enquanto estavam no restaurante italiano algo aconteceu com Sorel. Seus olhos ficam vidrados e ele diz: “T’Zan!” Houve uma falha no campo de stasis, e T’Zan está morrendo.
A coisa é que a falha no campo de stasis não foi acidental. Alguém sabotou o equipamento. Assassinato! Na academia de ciência de vulcano. Em vulcano, onde as portas não têm trancas porque nenhum vulcano pensaria em perturbar a privacidade de outro e é seguro andar sozinho por qualquer parte da cidade a qualquer hora do dia e da noite. E no entanto, os próximos capítulos do livro revelam outras mortes. Há um serial killer solto em vulcano.
 |
| A posição desse livro na estante do que era meu quarto até umas poucas semanas atrás... |
The Vulcan academy murders é provavelmente o meu livro preferido de Star Trek. Em primeiro lugar porque mostra tanto mais sobre vulcano… Na série original só visitamos Vulcano uma única vez, em Amok Time, uma segunda vez na série animada (Yesteryear). Esse livro traz vulcano no meio do verão, e é nessa época que a vegetação morre (acho o máximo esse tipo de coisa, um clima totalmente diferente do da Terra, onde na maioria dos lugares é o frio que faz a vegetação morrer). Além disso, T’Kuht o planeta irmão de Vulcano cuja órbita excêntrica o traz para perto de Vulcano a cada sete anos está alto no céu noturno (like a moon in a moonless sky).
Sarek está bem diferente no livro do que o vemos da série de TV, mas não de um jeito ruim (não de um jeito que se possa dizer que o personage está off-character. É mais como se, por termos capítulos todos com ele, temos acesso a seus pensamentos, e não ficamos restritos a vê-lo do ponto de vista de Spock. Nada disso cancela as coisas que conhecemos sobre Sarek já, o que é um esforço de caracterização brilhante. E temos muito mais informação sobre a razão pela qual ele se casou com Amanda, uma humana, e sobre o modo como o relacionamento entre os dois funciona, tudo isso sem fazê-lo emocional demais, ou menos vulcano. Francamente, os roteiristas de Star Trek Into Darness podiam tomar aulas com Jean Lorrah.

A amizade entre Daniel e Sorel é outro dos pontos fortes do livro. Vulcano e humanos são muito diferentes, mas uma vez que os costumes de vulcano sejam respeitados, os estrangeiros são completamente aceitos por aquela sociedade. Sorel por exemplo, nunca teve irmãos de sangue. Ele encontrou em Daniel alguém para ocupar esse lugar, e a partir daquele momento, Daniel se tornou um membro da família de Sorel. Que o sangue dele era vermelho e não verde tinha muito pouco a ver com a coisa toda… É claro Daniel é testado de vez em quando mas ele passa em todos os testes… E o capítulo 6, com o elo mental entre Daniel e Sorel é um dos melhores capítulos do livro.
 |
| Quando T'Pau desafia Sorel perguntando porque um forasteiro está ao lado dele, Daniel steps up: "I am vulcan. (...) Blood is blood. Mine sustain life as does yours." |
Quanto ao trio principal, Kirk, Spock e McCoy, estão todos in-character. Bones passa um tempo na enfermaria da academia de ciências de vulcano, ajuda a resolver uma crise, e não tem nenhum trabalho em convencer os outros de que apesar de estarem direcionando os pacientes vulcanos para vulcan healers ele é o cara mais qualificado para cuidar de Spock. Além disso conhece M’Benga, o médico humano treinado em Vulcano que aparece na terceira temporada de TOS. Kirk faz o papel de detetive e emenda a cerca com T’Pau enquanto Spock investiga a manipulação dos computadores da academia que causou o mau funcionamento da câmara de stasis. Revisitar a história do Kaswan de Spock também é legal, principalmente porque a história complementa a de yesteryear, ao invés de conflitar com ela.
Como sempre, os melhore escritores de livros de Star Trek são trekkies. Jean Lorrah é da primeira geração de trekkies, a que assistia TOS na TV em 1966. A mini biografia no final do livro diz que ela ainda frequenta convençōes de Star Trek (why shouldn’t she? Those things are great!), apesar de que a minha edição do livro é meio antiga. Comprei usado, pela internet… Eu li esse livro pela primeira vez numa tela de MP4 de uns 16 centímetros quadrados (uma das coisas mais fáceis de ler/esconder embaixo da mesa durante uma aula inútil). Precisava tê-lo na minha coleção. E a capa não é nada má…
 |
| Essa almofada com o símbolo da starfleet foi uma das melhores coisas que estava esperando por mim no meu quarto nesse fim de ano... Confortável, trek-themed, e eu carrego pra todas as partes da casa... Na verdade, estou com ela agora, enquanto escrevo essas linhas... |
The Vulcan Academy Murders | Jean Lorrah | 1988 | Titan Books London | 280 páginas