“The Burning Man” é o segundo de três livros que surgiram da série de TV Fringe, e que contam a história dos personagens principais antes que eles se tornassem membros da Fringe Division. Nesse caso, o livro é sobre Olivia Dunhan, a agente do FBI que lidera o time no seriado.
De modo geral, essa história tem um ritmo mais rápido que o primeiro livro. A maior parte de The Burning Man narra o que aconteceu com a Olivia de 15 anos de idade. Uma coisa legal é que o livro tenta preencher algumas lacunas deixadas pelos episódios de Fringe. Sabemos, pelos episódios que Olivia (ou pelo menos a Olivia da timeline principal) estava em Jacksonville, Florida quando criança, vivendo numa base militar e participando do grupo de estudo de Walter Bishop e William Bell, um estudo envolvendo uma droga experimental: Cortexiphen. Sabemos também que foi nessa época em que Olivia conheceu Peter pela primeira vez, embora nenhum dos dois se lembre disso, e que ela vivia com a mãe, a irmã e um padrasto violento. Depois de algum tempo o padrasto saiu de cena e a mãe de Olivia morreu. A série não nos conta muito sobre o que aconteceu com Olivia entre esse período conturbado e sua entrada no FBI.
De acordo com o livro, Olivia e Rachel (sua irmã mais jovem) receberam uma bolsa de estudos para Deerborn Academy, um prestigioso colégio interno. Os detalhes sobre como isso acontece
não são explorados e embora fique a suspeita de que foi Walter quem inscreveu as garotas no programa de bolsas, essa não é a única ocasião em que o livro fica devendo explicações.
Na verdade, The Burning Man é um livro bem fraco. Cai em todas as armadilhas de se escrever sobre um personagem de 15 anos: uma multitude de cliches de historias adolescentes, um coming-of-age do pior tipo - do que não deixa intacta uma grama de personalidade no personagem. Pelo contrario, alguns landmarks da adolescência são explorados sem qualquer profundidade e no final o que sobre é uma personagem roubada de tudo o que a fazia única. A primeira festa, a pressão dos colegas populares, o primeiro beijo, o primeiro namorado… Nada extraordinário. Novas personagens são obliteradas tão rapidamente quanto foram introduzidas (e.g: Kieran), apagando qualquer valor que pudessem ter para o desenvolvimento de Olivia como personagem. Outras são simplesmente esquecidas no correr da historia, e nenhum esforço é feito para linkar essas novas personagens com detalhes e pontas soltas que pudessem ter sido deixados nos episódios…
O livro poderia ter sido uma excelente oportunidade para explorar diferentes fases da vida de Olivia, voltando ao passado dela em Jacksonville, explorando mais algumas cenas entre ela e o jovem Peter, mais um pouco do inicio da exploração do Universo Paralelo que no principio somente ela era capaz de visitar. Ou ainda pulado alguns anos adiante, para quando Olivia entrou no bureau e conheceu seu parceiro, Charlie, um momento que é mencionado de forma muito breve na segunda temporada… Entretanto, The Burning Man ignora completamente essa possibilidade, pulando grandes períodos de tempo de forma apressada nos últimos capítulos, não fornecendo mais que um vislumbre superficial do que esses diferentes momentos significaram para a construção da personagem.
A maior parte do livro é gasta com uma historia fraca, um elo mental inexplicável entre Olivia e um ex-policial, amigo de seu padrasto (chega um ponto em que culpar qualquer fenômeno telepático na presença do Cortexiphen na corrente sangüínea dela fica meio ridículo). Uma serie de eventos bizarros acontecem, mas nenhum deles vai ter qualquer repercussão no futuro da personagem. A lot of writing effort for not very much…
Pensar em livros que saíram de séries de TV me leva invariavelmente aos livros de Star Trek. Pense em “The Vulcan Academy Murders”, por exemplo. O Sarek que vemos no livro, como já disse antes não é exatamente o mesmo que vemos na série, e no entanto, em nenhum momento o vulcano está off-character. Ao ler as falas de Sarek no livro é possível escutar Marc Lenard… Isso não acontece em The Burning Man, e essa é a maior falha do livro. A autora não consegue capturar Olivia, e os diálogos não soam como algo que Dunhan diria, o que é um problema. As falas soam artificiais, e por vezes, Olivia parece nem estar no livro at all.
Para ser justo… Isso não acontece no primeiro livro da serie - que li há muitos meses e sobre o qual não escrevi ainda. The Zodiac Killer é uma historia muito superior. Usa a historia do universo paralelo de Fringe para explicar o mistério ao redor do serial killer, Zodíaco, e traz à tona muitos elementos do passado dos personagens principais mais velhos do elenco, Walter Bishop, Nina Sharp e William Bell. Os três soam muito mais naturais do que Olivia no segundo livro… É possível ouvir suas vozes ao ler aquelas linhas… Ou talvez seja apenas o fato de que eu conheço a voz de Belly muito melhor que a dos demais.
Fringe: The Burning Man | Christa Faust | Titan Books | 2013 | 332 páginas



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