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| Um dos pôsteres... Silent Fall (Testemunha do silêncio) | Bruce Beresford | Richard Drefuss, Linda Hamilton, John Lithgow, J. T. Walsh, Liv Tyler | Warner 1994 |
Numa cidade pequena dos Estados Unidos, um casal foi assassinado. Seus dois filhos sobreviveram e ainda estão na mansão quando a policia chega para investigar o crime. Sylvie de 18 anos estava escondida num armário no andar de cima, e Timmy, de 9 anos tinha nas mãos a arma do crime. Ele não é o responsável. Tim é muito pequeno, muito fraco para que pudesse ter infringido os cortes profundos nos corpos das vitimas. Mas ele viu o que aconteceu. O garoto é a única testemunha do crime.
O problema é que Timmy não é um garoto qualquer. Ele é autista. Como é dito logo no começo, “esse garoto não fala num dia bom.” É por isso que o psiquiatra Jake Rainer é chamado.
Jake é um psiquiatra especializado no tratamento de crianças autistas. Ele costumava ter um grupo de terapia em sua casa, e seus métodos eram únicos, porque ao contrario de seus colegas, Jake não acredita em manter seus pacientes com drogas que os levem ao limite entre a vigília e a sedação. Jake tenta enxergar o autismo sob um ponto de vista outro que não aquele puramente biológico. Ou pelo menos tentava… Quando um de seus pacientes se suicidou sob seus cuidados, Jake
desistiu de tratar crianças, e se recolheu em seu escritório, em casa, de tempos em tempos ouvindo as senhoras mais respeitáveis da cidadezinha expondo os segredos de seus casos extra-conjugais. Não é difícil entender porque, no inicio do filme, Jake é um medico infeliz. Privado de fazer aquilo de que mais gostava ele se encontra preso ao dia a dia cansativo e ordinário de um trabalho com o qual não se importa realmente e que não é nem de perto desafiador o bastante para não ser tedioso.
Apesar disso, leva um tempo pra que Jake aceite trabalhar com Tim. Seu ponto fraco - se é que se pode chamar isso de ponto fraco,- é que não consegue assistir aos outros tratamentos sendo impostos ao garoto. Quando Jake encontra Timmy preso numa camisa de força, sozinho, batendo a cabeça contra a parede acolchoada de uma sala qualquer num hospital psiquiátrico ele manda abrirem a porta e se apresenta como medico do menino. Jake libera as amarras da camisa e abraça Timmy com força para impedir o garoto de se machucar enquanto ele se debate violentamente, até que Tim cai, exausto, no seu colo. Os dois permanecem ali por muito tempo, mesmo depois de o peso de Timmy ter feito a perna de Jake adormecer, e o psiquiatra só remove o garoto de seu colo, gentilmente, quando o xerife da cidade aparece, explicando que precisa de respostas, caso contrario, sera forcado a tentar a abordagem do outro psiquiatra e usar medicações para “soltar a lingua” de sua única testemunha.
É o começo do trabalho de Jake com Timmy, sua tentativa de se tornar um amigo do menino para que ele confie nele o bastante para contar o que viu na noite em que os pais foram assassinados. E é claro que Tim não vai simplesmente dizer o que houve com todas as letras. Mas ele fornece pistas… Sons, imagens… Cabe a Jake juntar as peças e montar o quebra cabeças.
O que me surpreendeu foi descobrir que esse filme tem um rating de apenas 24% no Rotten Tomatoes. I mean, come on!
Ao contrário do que dizem a maioria das críticas o filme não é, de modo algum, óbvio. Pelo contrário, as pistas estão todas lá e no entanto o mistério permanece até as cenas finais… A performance de John Lithgow como um psiquiatra para quem as respostas se resumem a um frasco de psicotrópicos só parece forçada para quem for ingênuo o bastante para acreditar que psiquiatras assim não existem, mesmo hoje, quase 20 anos depois do lançamento do filme.
É bem verdade que o roteiro não favoreceu Linda Hamilton por exemplo, e não há muito que se possa dizer pra contra-argumentar o fato de que a maioria das linhas da atriz - que já foi Sarah Connor - é uma variação de “you’re quitting, Jake”. Mas outros detalhes que foram apresentados como falhas do roteiro merecem ser revisitados… Foi dito, por exemplo que a polícia nunca permitiria que Sylvie e Tim voltassem a morar na casa em que os pais foram assassinados, porque o local ainda era a cena de um crime, e que Jake nunca poderia tratar crianças se ele fazia coisas como deixar Tim sozinho num galpão cheio de objetos pontiagudos. Mas não é por aí… O setting do filme é uma cidade pequena e em lugares assim, onde todo mundo conhece todo mundo e as opções são limitadas, muitas vezes as regras não são absolutas e acomodações são feitas,… Jake fora distraído por uma outra situação, ele tirou os olhos de Tim por um minuto apenas. Às vezes, more often than not, acidentes acontecem.
Outro elemento muito criticado do filme foram as imitações de voz de Timmy. Eu não vejo porque. A ecolalia foi uma forma simples de caracterizar o autismo do personagem, e as frases soltas da noite do crime forneceram pistas interessantes pra resolver o mistério. Muito como Jake faz durante o filme, com um bloco de notas, um lápis e um gravador, era divertido tentar descobrir a ordem em que aquelas frases foram ditas, montando os pedaços do quebra cabeça com a cena do que ocorrera na noite em que os Warden foram assassinados. Além disso, as imitações mostraram como o ator que interpretou Timmy era talentoso. Na época, Ben Faulkner tinha apenas 9 anos e nenhum treinamento em atuação…
E é claro que o filme só ganha pontos comigo por conter numa das imitações de Timmy a frase: “Space, the final frontier”... :)
Silent Fall (Testemunha do silêncio) | Bruce Beresford | Richard Drefuss, Linda Hamilton, John Lithgow, J. T. Walsh, Liv Tyler | Warner 1994



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