Monday, 27 April 2015

Book | Anjos e Demônios, by Dan Brown


Anjos e Demônios | Dan Brown | 2004 |
Editora Sextante | 461 páginas

A capa do livro segue o padrão dos outros
livros de Dan Brown publicados pela Sextante,
apesar de que eu achei capas mais legais
na internet, inclusive uma com
"Angels and Demons" escrito como
um ambigrama...
O livro tem páginas amareladas, orelhas e
letras em auto-relevo na capa. Os comentários
no verso e na orelha incluem um do Marcelo
Gleiser, entre outros, que eu considero uma
excelente recomendação. No final
há um teaser de Fortaleza Digital.

Robert Langdon é professor de simbologia religiosa na Universidade de Harvard. Autor de diversos livros sobre o assunto, é considerado pelos amigos como um enigma, um homem que pertencia a séculos diferentes. Talvez não seja especialmente bonito, no sentido clássico, mas, aos quarenta e cinco anos, é portador de um charme erudito, uma voz grave de barítono e perspicazes olhos azuis. Membro da equipe de mergulho da faculdade e praticante de polo aquático, Langdon tem um metro e oitenta de boa forma, mantidos cuidadosamente com 2500 metros a nado na piscina da Universidade. Chamam-no de “golfinho”, uma alusão tanto a suas lendárias habilidades de mergulho quanto a sua natureza afável.

Vive sozinho. Gosta de sua vida a essa maneira. A solidão o faz livre pra viajar pelo mundo, dormir quando bem entender e desfrutar de momentos prazerosos com uma bebida e um livro em sua pequena mansão vitoriana, uma casa ampla – o que se deve sem dúvida a sua claustrofobia - e cheia de obras de arte. E era nessa casa em que estava, numa noite qualquer, quando foi acordado de um pesadelo pelo ruído do telefone tocando.

Eram cinco da madrugada, e o homem ao telefone dizia se chamar Maximilian Kholer, um físico de partículas discretas. Kohler resmungou um pedido de desculpas apressado pelo inconveniente da hora antes de manifestar – numa voz urgente – o desejo de ver o Professor Langdon em seu laboratório. “Preciso vê-lo – insistiu ele – imediatamente”. Imediatamente. Uma urgência - ou talvez um
capricho - pelo qual a voz no telefone podia pagar muito dinheiro, ainda que não pudesse explicar o porquê da pressa toda...

Robert Langdon porém, não tinha o menor desejo de ser arrastado pra fora da cama por uma voz estranha no telefone, e desligou o aparelho na cara do homem. Aquilo já acontecera antes. Simbologia religiosa era um assunto que excitava as mentes de um número muito grande de pessoas, muitas das quais eram fanáticas que não hesitavam em “caçar” o autor de todos aqueles livros e tentar persuadi-lo a comprovar a veracidade de seus sinais e visões. Loucos...

Todavia, Maximillian Kohler não era mais um desses fanáticos religiosos, e alguns minutos depois de ter sido rudemente abandonado falando sozinho no telefone enviou por fax para Robert uma foto que despertaria a atenção do Golfinho. Um homem foi assassinado no laboratório de Kohler, e o corpo da vitima fora marcado a fogo com um símbolo antigo, uma palavra que o Professor de Harvard conhecia muito bem. 

Ambigrama criado por John Langdon para Anjos e Demônios de Dan Brown

A palavra era um ambigrama. Um símbolo antigo com o nome de uma sociedade secreta que todos os estudiosos acreditavam estar extinta há mais de 400 anos.

Os Illuminati eram uma sociedade fundada por volta do início do século XVI, em cujas origens estava o profundo conflito – que sempre existiu - entre ciência e religião. A sociedade foi erguida por cientistas numa época em que eles, as pessoas mais esclarecidas da Itália, faziam parte do lado mais fraco naquele confronto. Uma época em que a Igreja Carólica tinha não só o monopólio sobre a verdade como o poder de caçar e punir seus inimigos. Aqueles cientistas chamavam a si mesmos de “os esclarecidos”. Os illuminati.

Os membros desse seleto grupo de pensadores eram caçados impiedosamente pelo clero, e por esse motivo, a sociedade se tornou secreta. Entre os illuminati havia os que acreditavam que a Igreja devia ser combatida com fogo e violência, mas havia também entre suas fileiras os que defendiam a paz e durante algum tempo em paz permaneceram. Mas eventualmente a prisão de um de seus membros mais importantes convulsionou o movimento e alguns erros foram cometidos. A Igreja descobriu a identidade de quatro membros e os perseguiu para extrair deles informações a respeito do paradeiro dos demais. Os quatro cientistas não revelaram nada, nem sob tortura. Seus corpos foram marcados a fogo e lançados às ruas de Roma. Em meio a esse caos, os illuminati se viram forçados a fugir da Itália. Tornaram-se sobreviventes, por algum tempo. E desapareceram. A maioria dos estudiosos acredita que a sociedade fora morta e enterrada há séculos.

E entretanto, lá está Robert Langdon, diante de um cadáver marcado a fogo com o ambigrama secreto dos Illuminati.

A vítima é Leonardo Vetra, um cientista italiano especializado em física de partículas, amigo e colega de Maximillian Kohler. Um cientista que é também também um padre católico. É essa estranha dupla identidade que faz Langdon suspeitar de que possa haver algo além de um embuste no aparecimento do símbolo secreto dos illuminati no peito daquela vítima. Isso e o fato de que o assassinato ocorreu quando o Vaticano está às vésperas de fechar as portas para o mundo e submergir num Conclave. Coincidências demais...

O nome de Leonardo Vetra não está presente na maioria das listas de personagens de resenhas do livro, talvez porque ele está morto desde o momento em que a história começa. Como se não bastasse, seu personagem foi cortado do filme sem mais nem menos e substituído por um tal Silvano Bentivoglio, por razões que escapam completamente ao meu entendimento. Muito mais do que uma vítima acidental num confronto esquecido, Vetra é um dos personagens mais interessantes do livro.

Leonardo Vetra ganhara prêmios de física quando era aluno da Universidade, mas ao terminar seu curso entrou para o seminário. Uma de suas primeiras posições foi num orfanato de freiras perto de Florença. Foi nesse orfanato que conheceu Vittoria.

A menina tinha oito anos na época, e vivera no Orfanotrofio di Siena desde que podia se lembrar, abandonada por pais que não conhecera. Era “insuportavelmente cabeça-dura”, e extremamente curiosa sobre a natureza. Certo dia, durante uma chuva, a menina correu para o jardim, e se deitou no pátio, sentindo a chuva, ignorando os chamados irritados das freiras para o jantar. Leonardo acabara de chegar na instituição e se voluntariou para buscá-la. Um jovem forte como ele certamente poderia ter levado a menina para dentro à força, mas ele não era esse tipo de cara. Era o tipo de pessoa que pouquíssimas meninas-que-fazem-muitas-perguntas têm a sorte de encontrar.

“(...) Para surpresa dela (o jovem padre) deitou-se ao seu lado, molhando a batina em uma poça.
- Disseram que você faz uma porção de perguntas – disse o moço.
Vittoria replicou mal humorada:
- E é ruim fazer perguntas?
Ele riu:
- Acho que não.
- O que você está fazendo aqui fora?
- O mesmo que você: pensando porque as gotas de chuva caem.
- Não estou pensando porque elas caem! Eu já sei!
O padre olhou espantado para ela.
- Você sabe?
- A irmã Francisca disse que as gotas de chuva são lágrimas dos anjos que caem para lavar nossos pecados.
- Puxa! - Ele disse num tom admirado. - Então está explicado!
- Não, não está! - Disparou a menina.- As gotas caem porque tudo cai! Tudo! Não é só a chuva!
O padre coçou a cabeça.
- Sabe, mocinha, você tem razão. Tudo cai mesmo. Deve ser a gravidade.
- Deve ser o quê?
Ele olhou para ela com ar incrédulo.
- Você nunca ouviu falar na gravidade?
- Não.
- O padre fez um gesto decepcionado.
- É uma pena. A gravidade responde a uma porção de perguntas.
Vittoria sentou-se.
- O que é gravidade? - Perguntou exigente. - Diga para mim!
E se eu explicar a você durante o jantar?”
Trecho do capítulo 17 de Anjos e Demônios.

Apesar de jovem, o padre Leonardo era um homem sensível, que tomou a menina sob sua proteção. Ela o fazia rir, e era uma aluna cativante, sedenta por tudo o que ele podia lhe ensinar sobre a luz, os planetas e as estrelas. Quando foi contratado por um instituto de pesquisas na Suiça, chamou Vittoria para acompanhá-lo, e adotou a menina como sua filha. Mais tarde, os dois trabalhariam juntos. No laboratório de Leonardo, autoproclamado teofísico, fé e ciência compartilhavam o espaço de uma forma pouco vista na História, e em uma das prateleiras estava uma curiosa citação de Pio XII:

A VERDADEIRA CIÊNCIA DESCOBRE DEUS À ESPERA ATRÁS DE CADA PORTA.

Vittoria Vetra, filha adotiva do padre Leonardo também se tornou cientista. Ela é física e bióloga marinha, especializada num campo denominado “a física do entanglement”. Trabalhava junto com o pai num projeto controverso cujas repercussões se encontram no coração do suspense do livro, e sente profundamente a perda de Leonardo. Muitos poderiam tê-la considerado uma criança muito desagradável, mas Leonardo sabia lidar com a menina de uma forma como os outros simplesmente não conseguiam.

"(…)
- Matemática, não! Eu já disse, detesto matemática!
- Ainda bem que você detesta, porque as meninas não têm permissão para aprender matemática.
Ela parou na mesma hora.
- Não?!
- Claro que não! Qualquer pessoa sabe disso. Meninas brincam com bonecas. Meninos estudam matemática. Nada de matemática para as meninas. Não tenho autorização nem para falar sobre matemática com as meninas.
- O que? Mas não é justo!
- Regras são regras. (…) Sinto muito – disse seu pai. - Eu poderia falar sobre matemática com você, mas se descobrirem... (...)
- Está bem. Então fale bem baixinho...”
Trecho do capítulo 29

Vittoria é a parceira de Robert Langdon nessa primeira aventura do simbologista. Talvez seja a mais bem construída de todas as personagens que Dan Brown criou para acompanharem o simbologista em suas aventuras. É forte, decidida e cabeça dura. O bastante para andar por todo o vaticano vestindo apenas uma regata branca e um short cáqui de bióloga em pesquisa de campo.

O único que não parece se ofender com as vestes da italiana dentro da cidade sagrada - e perceber que há preocupações mais urgentes que os trajes da moça - é o camerlengo Carlo Ventresca. O camarista do papa anterior é apenas um padre, com algo em torno de quarenta anos, uma criança pelos padrões do Vaticano. E durante o Conclave, enquanto as maiores autoridades da cúria permanecem enclausuradas na Capela Sistina, Carlo é o homem que responde pelo Santo Padre. Sua juventude se faz notar, e desde o princípio do livro ele é um homem sensato. Mais do que isso, é um homem moderno. Reconhece que algumas atitudes ultrapassadas da Igreja precisam ser modificadas para que ela não encontre nessas atitudes um fim. Apesar disso, é também sábio, ou tão sábio quanto um homem de seus anos pode ser...

Mas como a Igreja também precisa de um líder dentro da capela sistina durante o Conclave, em especial em tempos de crise, existe o cardeal Mortati. Aos 79 anos, Mortati é jovem o suficiente para não ser proibido de participar do Conclave e velho o bastante para não ser mais considerado como um sério candidato. É escolhido como O Grande Eleitor, o responsável pelos procedimentos da eleição, e é o mais capaz para isso dentre os cardeais todos. Experiente, conhece mais segredos do Vaticano do que qualquer outra pessoa, tendo sido inclusive, o confessor do papa anterior.

Se o Vaticano tem seus príncipes a ciência tem um rei. Der Konig, o rei em alemão, era o modo como os colegas de Maximilian Kohler se referiam a ele pelas costas. O diretor de um dos maiores centros de pesquisa do mundo não tem muitos amigos pessoais, mas a história de como ficou aleijado é praticamente uma lenda no instituto... Essa história é contada no capítulo 111, e é incrível, o tipo de história que sempre vem à mente durante alguma conversa, pra usar de exemplo... Pelo menos, isso acontece comigo...

Comentários:


Eu li Anjos e Demônios depois de ter lido O Código da Vinci, e imediatamente se tornou meu favorito entre os dois. Apesar de ter sido escrito primeiro, eu achei a história mais bem construída que a do outro. Reconheço entretanto ser bem possível que Anjos e Demônios tenha me atraído mais porque envolve o Vaticano no meio de um Conclave, e eu sempre tive um fraco por estudar a História e as tradições da Igreja Católica... Como se não bastasse, A&D coloca ciência no meio da mistura também, e ciência + história + simbologia + religião + Itália + arte + mistério + (...), enfim... All good things...

Assim como todos os livros de Dan Brown este é escrito em capítulos curtos, e vários arcos/tramas se desenvolvem mais ou menos simultaneamente até se encontrarem no final. O arco mais deslocado dos outro é o do "hassassin" (quem ler vai saber qual é...). Achei que o personagem não foi suficientemente explorado, não deu pra entender muito bem quem ele é, quais as suas motivações, de onde ele surgiu, coisas assim. O livro também tem momentos confusos, com destaque absoluto para a cena do helicóptero, por volta do capítulo 122. O que acontece ali é pura viagem, o tipo de coisa que faz você parar, voltar e ler de novo pra ter certeza de que entendeu - ou pra tentar entender pela primeira vez!

O quebra cabeças que Langdon monta em Roma (literalmente), é genial. O Local onde estava a primeira pista e o caminho da iluminação são elementos do livro a respeito dos quais eu gostaria que houvesse entrevistas com Dan Brown falando sobre as fontes que ele utilizou para montar a idéia. O caminho da iluminação é realmente aquele ou permanece desconhecido e o autor criou a coisa toda usando obras de arte romanas ? Gostaria de ter essas respostas... Infelizmente existem pouquíssimas entrevistas dele na era pré- Símbolo Perdido, e nenhuma das que eu assisti discute as fontes de pesquisa... Outra coisa legal de saber seria o quanto da pesquisa dele vem da internet e o quanto vem de livros, arquivos e bibliotecas.....


Anjos e Demônios (Angels & Demons)| Dan Brown | Editora Sextante | 2004| 461 páginas

Friday, 24 April 2015

Book | The Ultimate Guide to the X-Men


X-men, The Ultimate Guide foi um presente de natal.

Essa enciclopédia é uma excelente base para um novo fã construir o conhecimento sobre o Universo dos X-men. É bem útil, considerando que esses personagens já têm várias décadas de idade, e nasceram décadas antes de muitos de nós sequer termos nascido… Ler essa quantidade de quadrinhos simplesmente não é prático… Muito mais fácil encontrar um livro assim, que resume tudo… Se o objetivo de uma enciclopédia é descrever o melhor possível o estado atual do conhecimento, bem— no que toca a X-men, Diderot e d’Alembert ficaram orgulhosos…

Exceto na parte do atual.. The Ultimate guide já está desatualizada por uns dez anos.. Alguns capítulos com coisas novas foram acrescentados no final, mas a maior parte do livro não foi modificada o que gera contradições (o capitulo do Wolverine, por exemplo, contradiz
o capitulo que explica os acontecimentos de Origens). Não existe nenhuma menção a X-Men First Class, que é, sem a menor dúvida o melhor filme da série. 


Apesar disso ainda é uma base excelente pra conhecer a origem da maioria dos personagens principais. E o livro é todo ilustrado, com mapas da mansão Xavier, da sala de perigo, esquemáticos do avião dos mutantes e coisas legais assim… 




O professor Xavier conheceu a Jean quando ela ainda era garotinha... Ele foi seu professor/tutor por anos apesar de ela ter sido a ultima dos cinco membros dos x-men originais... Era na verdade a aluna mais antiga do professor...

Igualzinho à série animada

Sempre achei que a sala de perigo era meio como um holodeck

As it turns out, Sinistro era um historiador Vitoriano, obcecado com genealogia e com a linhagem dos Summers em especial... 



Wednesday, 22 April 2015

Travel | The Stockholm Underground


O metrô de Estocolmo é considerado por alguns como a maior galeria de arte do mundo…
São 110 Km de extensão… Não que haja telas de grandes mestres penduradas nas paredes, tremendo toda vez que passa o trem a alta velocidade (seria horrível se esse fosse o caso!)… Mas ao contrário de muitos lugares onde as paredes do sistema de metro são cobertas com os mesmos azulejos sem graça por toda sua extensão, as paredes do metro de Estocolmo são como grutas futuristas. 

Pra começar, as paredes não são lisas… Estamos, afinal, abaixo da terra, e as paredes do metro nos lembram disso o tempo todo, é como estar andando em plataformas erguidas dentro de uma caverna… Mas essa “caverna” não tem paredes de rocha nua… pelo contrário, as paredes são coloridas com cores vivas, em padrões inusitados. 

Esse status de galeria de arte é preservado com afinco... Houve um tempo em que a cidade sofria com pixações nos trens, mas atualmente um trem grafitado não fica mais que poucas horas em atividade..

Eu não tive tempo o suficiente em Estocolmo para ver tudo o que gostaria de ter visto. Não queria perder um dia no subsolo da cidade, andando de metro, e achei que talvez fosse imprudente perambular pelas estações desertas depois do escurecer… Mas um pouco antes de tomar o trem em direção a Upsalla, indo para o aeroporto desci em algumas estações pra tirar fotos dessa galeria gigante… Ela consegue ser bem impressionante… 

Não é difícil encontrar as estações decoradas.. 90%delas têm pinturas, esculturas, mosaicos ou painéis feitos por artistas de varias épocas diferentes, desde os pioneiros da década de 1950 aos artistas contemporâneos. 

Estação Stadion,... Essa abriu na década de 1970... Não que fosse fácil achar informações sobre isso quando estava por lá.  Mas a pintura do arco Íris na rocha azul é bem bonita...






Minha visita às galerias do metro foi desastrada.. Não anotei os nomes das estações em que tirei cada uma das fotos, não tirei fotos suficientes e certamente não vi todas as estações que queria… Definitivamente, uma das coisas pra colocar na lista e fazer da próxima vez… As próximas imagens não foram feitas por mim, e algumas são de estações que definitivamente preciso ver ao vivo quando voltar


T-Centrelen - plataformas da linha azul...
















Tuesday, 21 April 2015

TV Show | House of Cards


Frank Underwood é o cara. 

House of cards começa cm um cachorro sendo atropelado na frete da casa de Frank. Percebendo o estado do animal Frank vai em direção a ele. “Shh, it’s okay” ele diz

“There are two kinds of pain. The sort of pain that makes you strong or useless pain. The sort of pain that’s only suffering. I have no patience for useless things. Moments like these require someone who will act. Who will do the necessary thing. The unpleasant thing.”

There, no more pain. Frank termina, finalmente largando o pescoço do cachoro quando o animal para de ganir… E de respirar.

Essa primeira cena já dá uma ideia do tipo de homem que Underwood é. Congressista, membro do partido Democrata, Frank ocupa o cargo de Whip of the majority. O Whip, ou “chicote” fiscaliza o legislativo e garante que todos os membros do partido estejam presentes quando há alguma medida importante a ser votada. Consequentemente ele transita muito bem no legislativo e é o homem que sabe
quais votos precisam ser modificados para servir aos interesses do partido. E aos seus próprios. 

Frank não vai permanecer nessa posição para sempre. Ele tem grandes planos, e seus planos terminam na Casa Branca. 

“As for me, I'm just the lowly house majority whip, I keep things moving in a Congress hoked by pettiness and lassitude. My job is to clear the pipes and keep the sludge moving. But I won't have to be a plumber much longer. I've done my time, I've backed the right man. Give and take. Welcome to Washington.”

Welcome to Washington… Frank diz isso olhando para a câmera. A série é cheia de digressões, de momentos em que Frank fala com quem está assistindo, quase como se estivéssemos ai dentro, com ele, participando da cena. É como o sotaque levemente sulista de Frank: funciona. E os melhores momentos não são aqueles em que Frank está falando com a câmera, mas aqueles em que ele dá só uma olhadinha, como quem diz: “told ya”.

Frank's looks

É nesses pequenos diálogos com a câmera que Frank é completamente honesto. Como quando ele discursa sobre a morte do pai em um funeral, e logo em seguida vira-se para a câmera:


“Truth be told, I never really knew my father, or what his dreams were. He was quiet, timid, almost invisible. My mother didn't think much of him, my mother's mother hated him. The man never scratched the surface of life. Maybe it's best he died so young, he wasn't doing much but taking up space. But that doesn't make for a very powerful eulogy, now does it?”

O caminho para chegar aos escalões mais altos da casa Branca passa por todo tipo de pecado. É preciso mentir, manipular, distorcer e enganar. Frank é um mestre de tudo isso. Ele quer o poder. E está disposto a ir até as últimas consequências para obtê-lo.

“Such a waste of talent. He chose money over power. In this town, a mistake nearly everyone makes. Money is the Mc-mansion in Sarasota that starts falling apart after 10 years. Power is the old stone building that stands for centuries. I cannot respect someone who doesn't see the difference..”
É divertido assistir a subida de Frank ao poder. House of Cards é a história da ascenção desse anti herói - talvez, a ascensão desse vilão. Mas Frank é um personagem muito bem construído. Ele não é um deus da manipulação. Ele não é infalível. Seus cálculos são precisos na maior parte do tempo, mas às vezes, suas previsões não se realizam, às vezes ele é surpreendido. Às vezes Frank é traído e passado para trás. Mais do que isso… Às vezes ele comete erros estúpidos. Frank é, afinal, apenas humano.
“I don’t mind that you improvised, Francis, I just wish you had done it better.”
E como a maioria dos humanos, Frank não pode fazer tudo sozinho. Ele precisa de aliados… Sua “partner in crime” é sua esposa, Claire. Pode ser dito que Frank não seria nada sem ela. Eles querem as mesmas coisas e estão dispostos a ir aos mesmos extremos para consegui-las. Frank e Claire. 

I love that woman. I love her more than sharks love blood.


“You know what Francis said to me when he proposed? I remember his exact words. He said, ‘Claire if all you want is happiness, say no. I’m not going to give you a couple of kids and count the days until retirement. I promise you freedom from that. I promise you you’ll never be bored.’ You know, he was the only man—and there were a lot of others who proposed—who understood me.”

E aí temos Douglas Stamper. Stamper é o conselheiro de Frank, seu braço direito. Seu trabalho consiste em antecipar todas as contingências, antecipar inclusive aquilo que Frank não considerou, e evitar que Underwood cometa erros. E Stamper executa essa função com uma dedicação cruel.  As manipulações engendradas por ele e Frank não são sempre fáceis de entender… Na verdade às vezes leva dois ou três episódios para que se possa ver aonde Frank queria ir com esse ou aquele esquema… É sempre surpreendente, e aposto que essa série vai revelar todo tipo de detalhe sutil quando estiver assistindo pela segunda vez…

Eu nunca me interessei muito por política, mas House of Cards faz os jogos de poder de Washington parecerem irresistíveis...

E agora se me dá licença, é hora de assistir à segunda temporada. 

Monday, 20 April 2015

Book | Isaac Newton e sua maçã

Isaac Newton e Sua Maçã | Kjartan Poskitt
| Ilustrações de Philip Reeve | Cia das Letras
| 1999 | 192 páginas


Como as outras capas da coleção, essa tem
um desenho nos moldes das caricaturas que
ilustram o interior do livro. A capa de trás
também tem uns desenhinhos legais, uma
maçã mordida, livros e coisas de laboratório

O primeiro livro que eu li da série “Mortos de fama” foi Isaac Newton e sua maçã. 

Eu adorei o livrinho… As coisas contidas nele ficaram gravadas na minha memória sem nenhum esforço, simplesmente porque o livro era divertido demais, cheio de caricaturas e tirinhas…

Newton teve uma vida interessante… Não é o mesmo tipo de vida interessante que um viajante ou um aventureiro, claro… Newton não se metia em aventuras… O livro todo não fala de ele ter deixado a Inglaterra uma única vez. Mas foi uma história interessante de ler, porque Newton era um cara cheio de particularidades - para não dizer esquisitices… 

O livro é cheio de tirinhas ilustrando momentos da vida de Isaac (a quem os autores sempre se referem pelo primeiro nome por sinal), e caricaturas de personagens importantes com falas em balões aqui e ali, conversando com o leitor… As caricaturas do Robet Hooke são as melhores. Ele é retratado como um rival do Isaac, sempre atento a boatos maldosos que possam estar circulando sobre o físico. A certo momento por exemplo o livro menciona a amizade de Isaac com Nicholas Fatio de Duillier, um matemático suiço. 

“Isaac gostava muito daquele rapaz inteligente e vivo. Talvez considerasse Fatio o filho que gostaria de ter ou talvez se sentisse apenas lisongeado com o impacto que eu trabalho produzia num representante tão inteligente da nova geração. Como quer que fosse, encontravam-se sempre que podiam e se escreviam cartas muito afetuosas quando estavam distantes.” 

Nesse ponto é mencionado que atualmente alguns se perguntam se Isaac e Fatio não teriam sido amantes… Mas o livro logo rebate isso dizendo que
se fosse assim, Robert Hook não teria perdido a chance de fazer algumas observações maldosas. 
Enfiar palitos no olho para estudar óptica é uma das
esquisitices do Isaac
"Está vendo? Se Hooke não percebeu nada, é porque não havia nada." 
Matérias de jornais, um jornalzinho falso criado pelo livro para imitar os jornais da época também são um dos destaques do livro… Chamam-se folhas populares e trazem as noticias de forma bombástica… O legal é que a atenção aos detalhes é tanta que até anúncios e propagandas existem nessas páginas de jornal… 

Essa pessoa morta aí na figura (que jornal sensacionalista!) tinha aparecido nas "Folhas Populares" algumas páginas antes dando uma entrevista sobre a situação da cidade de Londres na peste. Ali no canto inferior uma propaganda de Empadões de Porco Puddy. Também aparecem nas "Folhas" anúncios de tintas Puddy, para pintar cruzes na sua porta se você for uma vítima da peste e Peruca empoada Puddy, com um lacinho grátis a cada compra! 
Às vezes os autores inclusive escrevem em primeira pessoa em trechos chamados de “diário inencontrável do Isaac”, como se as palavras tivessem saído de um diário de Newton… 


E dá pra aprender um pouquinho sobre o momento histórico (conturbado) que a Inglaterra vivia… E um pouquinho de física e matemática… Mas tenha em mente que é um pouquinho mesmo… Na ignorância dos meus dez anos, sei lá eu achava que estava aprendendo grande coisa… Hoje vejo que as definições apresentadas na parte dedicada a fluxões é simplificada demais… Também achei os três capítulos escritos do ponto de vista da maçã meio chatos. 



Mas nada disso desmerece o livro… Ainda é uma das minhas biografias preferidas (afinal o objetivo do livro não é ensinar calculo, mas descrever a vida do Isaac…) É perfeitamente compreensível que um pouco depois eu tenha me decepcionado com a biografia estéril de Lavoisier, da coleção Imortais da Ciência. E os outros livros da mortos de fama continuam na minha lista...





Isaac Newton e Sua Maçã | Kjartan Poskitt | Ilustrações de Philip Reeve | Cia das Letras | 1999 | 192 páginas

Friday, 17 April 2015

Books | Dias de um Futuro Esquecido

Okay, o dia em que eu abri o pacote que estava debaixo da árvore de natal e encontrei “dias de um futuro esquecido” dentro foi um daqueles dias em que a fortuna sorriu para mim… No ano passado eu ia à Forbidden Planet toda semana, e de alguma forma acabei não comprando esse clássico. E aí o ganhei de presente de natal…

Quadrinhos de luxo são sempre legais…Eu peguei esse pra ler em Janeiro num dia chuvoso, mas não tão chuvoso quanto hoje. Mas confesso que essa graphic novel me deixou confusa..

A coisa é que Dias de um futuro esquecido é uma daquelas histórias que todo fã de quadrinhos de x-men conhece mesmo sem ter lido. Viagem no tempo, futuro distópico, coisa e tal… O problema é que essa história não chegava nunca… Havia uma sobre o funeral de jean Grey, outra sobre Noturno descendo ao Limbo (que não curti muito porque não sou fã dessas histórias no Limbo - não é como se não houvesse coisas o bastante a explorar aqui na Terra- , a primeira história com Kitty Pryde…  E a história clássica nada…

Dias de um futuro esquecido acabou aparecendo lá pelo meio... E é muito bom finalmente ter lido esse clássico..








Heather :)




Minhas graphic novels hardback de X-men...

Thursday, 16 April 2015

Curtas | Feuerherds Face

Depois de ter assistido o Education for Death: The Making of a Nazi (1943), aproveitei o ensejo para assistir outro curta de propaganda da Disney, um filme de 1942 intitulado Der Fuehrer’s Face (originalmente: Donald Duck in Nutzi Land).

O curta é divertido por conta daqueles detalhes que só os desenhos animados tem, como o pato donald espirrando na garganta um perfume com a fragrância bacon and eggs, e serrando o pão do café da manhã com uma serra de marceneiro (uma alusão divertida ao racionamento de comida durante os anos de guerra). 

Uma banda marcial nazista toca e enquanto toca vai marchando por uma cidadezinha em que tudo, inclusive as nuvens e as árvores tem a forma de suástica. É a Nazilândia do título original, ou Nutzi land, um amálgama de nazista  (nazi) com nuts, a palavra em inglês para louco.  Hitler está em toda parte, de quadros ao cuco do relógio de parece (com seu bigode) e a saudação Heil Hitler é dita nada menos que 33 vezes.

O curta segue um dia na vida do Pato Donald como um operário nazista, e mostra como devia ser opressivo viver naquele regime. O controle do fuehrer sobre a vida dos cidadãos comuns ia desde a primeira hora do dia (quando Donald é obrigado a ler um trecho de Mein Kampf no café da manhã), até a impossibilidade do trabalho cansativo e monótono na linha de montagem, ao som de mensagens motivacionais sobre como era algo glorioso trabalhar para o fuehrer. A banda nunca para de tocar, e sempre que aparece uma foto do fuehrer Donald precisa fazer o heil. Mesmo que seja com o rabo. Pois é!

O próprio título do filme (a tal nutzi land), deixa claro que há alguma surpresa, alguma coisa de errado. Mas nada disso diminui o choque de ver o pato Donald acordando cedo e vestindo o uniforme com a suástica presa no braço. O uniforme de um nazista.

Foi justamente por isso que a Disney manteve esse vídeo fora de circulação após o lançamento original, apesar  do sucesso da música tema, e do fato de o curta ter sido ganhador da categoria de melhor curta de animação na XV cerimônia do Oscar.

A mensagem, a roupa de listras e estrelas e especialmente a frase final de Donald, é dolorosamente explícita, mas eram tempos de guerra. É compreensível... E mais uma vez, é um curta que precisa ser visto, mais um exemplo clássico da propaganda de guerra da Disney.

Wednesday, 15 April 2015

Travel | Krakow szopka

Krakow szopka, a primeira dessas que vi... Essas esculturas chegam ater dois ou três metros de tamanho... Outras menores às vezes são levadas em procissões...
A Polônia é um país muito católico. Não é difícil perceber isso andando por aquelas ruas, entrando naquelas igrejas, observando a devoção que existe a João Paulo II, uma devoção que antecede em muitos anos a canonização do papa… 

Naturalmente, um país assim tem seu tipo particular de arte religiosa. E uma das coisas que nasceu na polônia foi a szopka. 

Krakow szopka é traduzido como a cena da natividade (nativity, or crib in English), é uma representação do nascimento de cristo inspirada nas Igrejas do país. Em outras palavras, o que torna a szopka pouco usual é sua característica de usar prédios históricos de Cracóvia como backdrop para a natividade. 

Eu vi minha primeira szopka numa Igreja do centro da cidade de Cracóvia… A torre central é inspirada na Basílica de Santa Maria… A torre da esquerda é inspirada na torre da catedral do castelo de Wawel. 

A mangedoura, Maria e José são tradicionalmente colocados no segundo nível da szopka. Nesse caso, essa parte corresponde à Kazimierz, um distrito da cidade velha
Essa construção fortificada saiu da Barbary Krakow
Santos e santas ligados a Cracóvia nas janelas...
Um grande grupo de Santos é associado com Cracóvia… As tumbas de nove deles estão nos templos da cidade, e nessa szkopa as imagens desses santos estão gravadas nas janelas. Entre eles estã São João Paulo II, São Florian, Santo Stanislaw, Santa Jadwiga (nome cujo diminutivo é Jazia!), e Santa Faustina… 

Um dragão, da lenda de Wawel...

Ali do lado da Szopka havia um cristo na parede... A representação de cristo tipicamente polonesa é um Cristo apoiando a cabeça nas maos, com uma expressão reflexiva no rosto...