Frank Underwood é o cara.
House of cards começa cm um cachorro sendo atropelado na frete da casa de Frank. Percebendo o estado do animal Frank vai em direção a ele. “Shh, it’s okay” ele diz
“There are two kinds of pain. The sort of pain that makes you strong or useless pain. The sort of pain that’s only suffering. I have no patience for useless things. Moments like these require someone who will act. Who will do the necessary thing. The unpleasant thing.”
There, no more pain. Frank termina, finalmente largando o pescoço do cachoro quando o animal para de ganir… E de respirar.
Essa primeira cena já dá uma ideia do tipo de homem que Underwood é. Congressista, membro do partido Democrata, Frank ocupa o cargo de Whip of the majority. O Whip, ou “chicote” fiscaliza o legislativo e garante que todos os membros do partido estejam presentes quando há alguma medida importante a ser votada. Consequentemente ele transita muito bem no legislativo e é o homem que sabe
quais votos precisam ser modificados para servir aos interesses do partido. E aos seus próprios. Frank não vai permanecer nessa posição para sempre. Ele tem grandes planos, e seus planos terminam na Casa Branca.
“As for me, I'm just the lowly house majority whip, I keep things moving in a Congress hoked by pettiness and lassitude. My job is to clear the pipes and keep the sludge moving. But I won't have to be a plumber much longer. I've done my time, I've backed the right man. Give and take. Welcome to Washington.”
Welcome to Washington… Frank diz isso olhando para a câmera. A série é cheia de digressões, de momentos em que Frank fala com quem está assistindo, quase como se estivéssemos ai dentro, com ele, participando da cena. É como o sotaque levemente sulista de Frank: funciona. E os melhores momentos não são aqueles em que Frank está falando com a câmera, mas aqueles em que ele dá só uma olhadinha, como quem diz: “told ya”.
É nesses pequenos diálogos com a câmera que Frank é completamente honesto. Como quando ele discursa sobre a morte do pai em um funeral, e logo em seguida vira-se para a câmera:
“Truth be told, I never really knew my father, or what his dreams were. He was quiet, timid, almost invisible. My mother didn't think much of him, my mother's mother hated him. The man never scratched the surface of life. Maybe it's best he died so young, he wasn't doing much but taking up space. But that doesn't make for a very powerful eulogy, now does it?”
O caminho para chegar aos escalões mais altos da casa Branca passa por todo tipo de pecado. É preciso mentir, manipular, distorcer e enganar. Frank é um mestre de tudo isso. Ele quer o poder. E está disposto a ir até as últimas consequências para obtê-lo.
“Such a waste of talent. He chose money over power. In this town, a mistake nearly everyone makes. Money is the Mc-mansion in Sarasota that starts falling apart after 10 years. Power is the old stone building that stands for centuries. I cannot respect someone who doesn't see the difference..”
É divertido assistir a subida de Frank ao poder. House of Cards é a história da ascenção desse anti herói - talvez, a ascensão desse vilão. Mas Frank é um personagem muito bem construído. Ele não é um deus da manipulação. Ele não é infalível. Seus cálculos são precisos na maior parte do tempo, mas às vezes, suas previsões não se realizam, às vezes ele é surpreendido. Às vezes Frank é traído e passado para trás. Mais do que isso… Às vezes ele comete erros estúpidos. Frank é, afinal, apenas humano.
“I don’t mind that you improvised, Francis, I just wish you had done it better.”
E como a maioria dos humanos, Frank não pode fazer tudo sozinho. Ele precisa de aliados… Sua “partner in crime” é sua esposa, Claire. Pode ser dito que Frank não seria nada sem ela. Eles querem as mesmas coisas e estão dispostos a ir aos mesmos extremos para consegui-las. Frank e Claire.
I love that woman. I love her more than sharks love blood.
“You know what Francis said to me when he proposed? I remember his exact words. He said, ‘Claire if all you want is happiness, say no. I’m not going to give you a couple of kids and count the days until retirement. I promise you freedom from that. I promise you you’ll never be bored.’ You know, he was the only man—and there were a lot of others who proposed—who understood me.”
E aí temos Douglas Stamper. Stamper é o conselheiro de Frank, seu braço direito. Seu trabalho consiste em antecipar todas as contingências, antecipar inclusive aquilo que Frank não considerou, e evitar que Underwood cometa erros. E Stamper executa essa função com uma dedicação cruel. As manipulações engendradas por ele e Frank não são sempre fáceis de entender… Na verdade às vezes leva dois ou três episódios para que se possa ver aonde Frank queria ir com esse ou aquele esquema… É sempre surpreendente, e aposto que essa série vai revelar todo tipo de detalhe sutil quando estiver assistindo pela segunda vez…
Eu nunca me interessei muito por política, mas House of Cards faz os jogos de poder de Washington parecerem irresistíveis...
E agora se me dá licença, é hora de assistir à segunda temporada.


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