A primeira vez em que eu li um livro da séria Dead Famous (Mortos de Fama, no Brasil) foi provavelmente há mais de dez anos (eu saberia quanto tempo exatamente se tivesse o hábito de anotar a data na capa dos meus livros, o que, por sinal, talvez seja algo que eu devesse começar a fazer). O livro em questão era Isaac Newton e sua maçã, uma biografia divertida do cientista inglês.
Eu li o livrinho imediatamente e fui completamente envolvida por ele. A proposta da série é trazer a biografia de personalidades do mundo da ciência de forma divertida, e esse objetivo é completamente alcançado… O livro é cheio de tirinhas ilustrando momentos da vida de Isaac (a quem os autores sempre se referem pelo primeiro nome por sinal), e caricaturas de personagens importantes com falas em balões aqui e ali, conversando com o leitor… Matérias de jornais, listas e cópias de trechos de livros também aparecem aqui e ali, tudo repaginado pra ficar mais divertido. Às vezes os autores inclusive escrevem em primeira pessoa em trechos chamados de “diário supersecreto do Isaac”, como se as palavras tivessem saído de um diário de Newton… Um dos trechos mais legais desse diário vem logo depois de ele ter desenvolvido o cálculo diferencial: “Acabei de inventar a fórmula matemática mais útil do ultimo século mas não vou contar pra ninguém.”
O livro foi tão envolvente que a maior parte das coisas escritas nele eu nunca esqueci ( e isso inclui alguns detalhes totalmente esquecíveis, como o fato de que Newton nasceu no Natal de 1642, por exemplo!)… Logo fiquei com vontade de ler outros livros da série. Eu sabia que eles tinham outros cientistas, tipo Einstein, Leonardo da Vinci, mas também tinham Cleopatra, Al Capone e outros mortos de fama… Mas por alguma razão demorou mais ou menos uma década pra que outro desses livros cair na minha mão…
Como não poderia deixar de ser, o livro tem várias ilustrações e tirinhas, além de imitações de matérias de jornal, gráficos e diagramas explicando física e coisas mais especificas como o “secreto diário de viagens de Faraday”, o “lab book luminoso perdido de Marie”, a “reading list de Newton” e o “pergaminho secreto de Aristoteles"… Todos esses recursos deixam a leitura mais legal, e as informações acabam ficando na memória, meio sem querer…Espalhadas pelo livro, existem notas chamadas “os segredos da ciência”, que explicam a relevância de algumas das descobertas relatadas no livro nos dias de hoje. Alem disso cada capítulo termina com um quadro resumo da vida do cientista, incluindo as maiores descobertas e os interesses não científicos (que vão desde “bebedeira” para Galileu até “praticamente tudo” no caso de Aristoteles).
| O Boletim de Charles Darwin... |
| Charles was not impressed by medicine. Why am I not surprised? |
Uma outra coisa que tornou a leitura muito mais divertida foi a linguagem usada no livro… Não é só o fato de que a linguagem é informal e descontraída, isso eu já esperava… O que eu não esperava é que o inglês desse livro fosse tao britânico, um detalhe que talvez eu não tivesse reparado se o tivesse lido ha alguns meses, mas que agora faz toda a diferença. A minha vontade é ler todos os livros da Dead Famous - seria legal se tivessem um livro separado para cada um dos cientistas nesse volume - mas gostaria de encontrar os próximos em inglês… Agora que sei que o texto está cheio de “pints” e “mates” e coisas do tipo, ler uma tradução simplesmente não seria a mesma coisa…
Scientists and their mind blowing experiments | Dead Famous| Mike Goldsmith | Illustrated by Clive Goddard | Hippo | 2003 | 191 pages

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