Monday, 20 April 2015

Book | Isaac Newton e sua maçã

Isaac Newton e Sua Maçã | Kjartan Poskitt
| Ilustrações de Philip Reeve | Cia das Letras
| 1999 | 192 páginas


Como as outras capas da coleção, essa tem
um desenho nos moldes das caricaturas que
ilustram o interior do livro. A capa de trás
também tem uns desenhinhos legais, uma
maçã mordida, livros e coisas de laboratório

O primeiro livro que eu li da série “Mortos de fama” foi Isaac Newton e sua maçã. 

Eu adorei o livrinho… As coisas contidas nele ficaram gravadas na minha memória sem nenhum esforço, simplesmente porque o livro era divertido demais, cheio de caricaturas e tirinhas…

Newton teve uma vida interessante… Não é o mesmo tipo de vida interessante que um viajante ou um aventureiro, claro… Newton não se metia em aventuras… O livro todo não fala de ele ter deixado a Inglaterra uma única vez. Mas foi uma história interessante de ler, porque Newton era um cara cheio de particularidades - para não dizer esquisitices… 

O livro é cheio de tirinhas ilustrando momentos da vida de Isaac (a quem os autores sempre se referem pelo primeiro nome por sinal), e caricaturas de personagens importantes com falas em balões aqui e ali, conversando com o leitor… As caricaturas do Robet Hooke são as melhores. Ele é retratado como um rival do Isaac, sempre atento a boatos maldosos que possam estar circulando sobre o físico. A certo momento por exemplo o livro menciona a amizade de Isaac com Nicholas Fatio de Duillier, um matemático suiço. 

“Isaac gostava muito daquele rapaz inteligente e vivo. Talvez considerasse Fatio o filho que gostaria de ter ou talvez se sentisse apenas lisongeado com o impacto que eu trabalho produzia num representante tão inteligente da nova geração. Como quer que fosse, encontravam-se sempre que podiam e se escreviam cartas muito afetuosas quando estavam distantes.” 

Nesse ponto é mencionado que atualmente alguns se perguntam se Isaac e Fatio não teriam sido amantes… Mas o livro logo rebate isso dizendo que
se fosse assim, Robert Hook não teria perdido a chance de fazer algumas observações maldosas. 
Enfiar palitos no olho para estudar óptica é uma das
esquisitices do Isaac
"Está vendo? Se Hooke não percebeu nada, é porque não havia nada." 
Matérias de jornais, um jornalzinho falso criado pelo livro para imitar os jornais da época também são um dos destaques do livro… Chamam-se folhas populares e trazem as noticias de forma bombástica… O legal é que a atenção aos detalhes é tanta que até anúncios e propagandas existem nessas páginas de jornal… 

Essa pessoa morta aí na figura (que jornal sensacionalista!) tinha aparecido nas "Folhas Populares" algumas páginas antes dando uma entrevista sobre a situação da cidade de Londres na peste. Ali no canto inferior uma propaganda de Empadões de Porco Puddy. Também aparecem nas "Folhas" anúncios de tintas Puddy, para pintar cruzes na sua porta se você for uma vítima da peste e Peruca empoada Puddy, com um lacinho grátis a cada compra! 
Às vezes os autores inclusive escrevem em primeira pessoa em trechos chamados de “diário inencontrável do Isaac”, como se as palavras tivessem saído de um diário de Newton… 


E dá pra aprender um pouquinho sobre o momento histórico (conturbado) que a Inglaterra vivia… E um pouquinho de física e matemática… Mas tenha em mente que é um pouquinho mesmo… Na ignorância dos meus dez anos, sei lá eu achava que estava aprendendo grande coisa… Hoje vejo que as definições apresentadas na parte dedicada a fluxões é simplificada demais… Também achei os três capítulos escritos do ponto de vista da maçã meio chatos. 



Mas nada disso desmerece o livro… Ainda é uma das minhas biografias preferidas (afinal o objetivo do livro não é ensinar calculo, mas descrever a vida do Isaac…) É perfeitamente compreensível que um pouco depois eu tenha me decepcionado com a biografia estéril de Lavoisier, da coleção Imortais da Ciência. E os outros livros da mortos de fama continuam na minha lista...





Isaac Newton e Sua Maçã | Kjartan Poskitt | Ilustrações de Philip Reeve | Cia das Letras | 1999 | 192 páginas

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