O fim de todos nós foi mais um dos livros que eu comprei na feira de livros que teve por aqui no meio do ano… A capa, o título e sobretudo a história do livro (uma epidemia) me chamaram a atenção e acabei trazendo o livro pra casa,…
A protagonista é Kaelyn. Ela é uma menina de uns dezesseis anos, que mora numa ilha (cujo nome não ficamos sabendo), no Canadá. Ela nasceu na ilha, e acaba de voltar, depois de morar por um tempo numa cidade grande. Seu melhor amigo, Leo acaba de fazer o caminho inverso, saindo da ilha para estudar em Nova York. Kaelyn escreve para Leo, contando sobre o que está acontecendo na ilha, e sobre como está sendo sua readaptação na antiga escola.
Uma doença misteriosa aparece na ilha. Sem nem se dar conta, Kaelyn observa de perto os primeiros casos de pessoas acometidas. É uma doença estranha, que começa com uma febre e uma coceira, e por isso mesmo é confundida com uma gripe ou uma alergia qualquer. Nos estágios mais avançados a doença altera a personalidade das pessoas, algo que não é percebido como uma doença séria no início… A epidemia se espalha…
As pessoas começam a ser levadas ao hospital e o pai de Kaelyn, único microbiologista da ilha, é chamado para trabalhar com os médicos no hospital. Ele não fala sobre como a situação é séria, e nem precisa… Aparentemente, aqueles que são levados ao hospital não saem mais.
Aos poucos a notícia sobre a epidemia se espalha. A doença, que não era levada a sério a princípio começa a assustar os islanders, e alguns deles (os que acham que ainda estão saudáveis) vão embora com as famílias, na tentativa de escapar da contaminação. Os poucos médicos e cientistas da ilha alertam o governo, dizem que precisam de
ajuda, de mais pesquisadores e mais recursos, e a resposta do governo é colocar a ilha em quarentena e policiar o continente para evitar a saída dos islanders e o alastramento da doença.
ajuda, de mais pesquisadores e mais recursos, e a resposta do governo é colocar a ilha em quarentena e policiar o continente para evitar a saída dos islanders e o alastramento da doença.
Parece uma história bem legal. Mesmo porque, e essa foi uma das razões pelas quais eu fiquei com vontade de ler o livro, não conheço muitos livros sobre a disseminação de epidemias que não envolvam zumbis ou vampiros ou algo do tipo… Geralmente vejo essas histórias em filmes, não escritas… Entretanto, o Fim de Todos Nós tem problemas…
O primeiro problema do livro é a forma como é escrito. Kaelyn escreve para Leo, mas ela não está realmente escrevendo cartas. Está escrevendo um diário, endereçado a Leo que ela pretende passar ao garoto quando ele voltar à ilha. Who does that? Ninguém faz isso, não foi algo crível e francamente, teria sido melhor que não tivesse dito nada e ficásemos acreditando que eram cartas. Ou emails pelo menos! O cara foi pra Nova York, não para o meio do deserto!
Depois existe o fato de que a própria protagonista é bem… desinteressante. Ela é uma garota de dezesseis anos, e a forma como ela vê a epidemia é infantil… Ela se expõe desnecessariamente, e quando se oferece para ajudar (com uma insistência também infantil), as formas através das quais pode ajudar são quase insignificantes. Além do mais, o livro é escrito de modo que Kaelyn pareça uma heroína. Todas as coisas mais improváveis acontecem com ela… Se qualquer outra pessoa se expusesse como ela faz, o resultado seria outro, e as mortes que acontecem (e deixam de acontecer) são previsíveis. O livro não consegue fazer com que nos importemos com os personagens que acabam morrendo. As mortes servem apenas como recurso (fraco) para comprovar a gravidade da situação na ilha.
SPOILLER ALERT - Uma coisa de que gostei muito no livro aconteceu logo no começo, e foi a forma como a autora escreveu sobre a homossexualidade do irmão de Kaelyn. A determinado momento Drew simplesmente entra na sala e coloca a TV em Queer as a Folk. Seu pai faz um comentário impaciente e amuado de que talvez outra pessoa quisesse ver outra coisa (qualquer outra coisa) e Drew dá de ombros, fazendo um comentário qualquer sobre os “caras gatos” do programa. Achei que foi uma forma diferente de mostrar esse tipo de tensão, afinal nem todos os pais expulsariam o filho de casa/cortariam relações completamente. Algumas famílias conviveriam com a tensão, bem como ocorre no livro, e eu nunca tinha visto isso ser retratado com naturalidade.
Seja como for, O Fim de Todos Nós deixou muito a desejar… Detestei o final. E ainda fiquei sabendo que existe uma continuação! Definitivamente ainda existe espaço para uma boa história de epidemia por aí…
O Fim de Todos Nós / Megan Crewe / Intrinseca / 2012 / 267 páginas































