Thursday, 15 October 2015

Book | The Martian, by Andy Weir

The Martian | Andy Weir | Crown
Publishing group | 369 páginas |

A capa do livro é okay, mas o filme tem
um monte de stills que dariam capas mais
legais pra esse livro. Talvez seja questão
de tempo até imprimirem uma mais
legal. 
The Martian foi o livro que escolhi para estrear meu kindle. Tendo visto o filme esses dias, e conhecendo a regra não escrita segundo a qual o livro é sempre melhor do que o filme... I had to check this out.

“I’m pretty much fucked”

Essa é a primeira linha do livro, que começa com o log pessoal de Mark Watney em Sol 6, assim que ele descobri que está muito bem e vivo em Marte. E sozinho. Do mesmo jeito que o filme, o livro não perde tempo introduzindo personagens e pula logo para a parte interessante: Mark sobrevivendo em Marte. Na verdade, o livro é ainda mais rápido que o filme! A parte em que o acidente acontece só está escrita muitos capítulos adiante.

Esse é um daqueles poucos casos em que o livro e o filme são igualmente bons, sem um prevalecer sobre o outro. Na verdade, o filme de Ridley Scott foi uma adaptação incrível, e quase todo o livro foi para o cinema. Inclusive as explicações sobre a ciência por trás das soluções que Mark encontra para se comunicar com a terra, não morrer de fome e ser resgatado... É tudo hard Science, e não soa didático em nenhum momento. Nem no livro, nem no filme. Na verdade, as explicações de Mark deixam a coisa toda mais legal, mais... dinâmica... A leitura foi muito rápida (algo legal de se observar depois que descobri a função do kindle que te mostra
o tempo que falta para terminar a leitura, no canto inferior esquerdo da página).


Algumas adaptações foram feitas, claro, o que era... necessário. Para adaptar a história à linguagem do cinema.  A cena em que uma das escotilhas explode por exemplo, é muito mais complicada no livro. Mas a forma como foi feita no filme funciona. E eles usaram esse momento para mostrar a insegurança de Mark com o reparo feito na lona do Hab. Uma cena que ficou perfeita, e na verdade, no livro traduzia um outro remendo feito por Watney mais tarde. (Mas a cena ficou boa mesmo. Sério, vendo aquilo eu fiquei com vontade de vestir o traje de exploração de superfície e esperar a ventania passar da segurança do meu EVA!)

O tom dado a algumas cenas ficou um pouco mais sério no filme e caiu perfeitamente à situação. Como quando a escotilha explode, ou quando ele sai do rover para um passeio de EVA a uma longa distância do Hab.

“Wherever I go I’m the first”


Os dois terços finais do livro não chegaram no filme. Mark perde comunicação de novo com a NASA e tem que descobrir um monte de coisa sozinho, terminar o plano sobre como chegar em Sciaparillia. 

 Além disso, a NASA fica sem nenhum meio de comunicação com ele, sem meio algum de avisá-lo – depois que ele começa a viagem de mais de 50 sols até o MAV de Ares 4 – que ele está dirigindo para o meio de uma tempestade que deixará a atmosfera tão cheia de pó que as placas solares que carregam tudo no seu Rover não terão luz solar o bastante para carregar as baterias. E Mark está no meio da tempestade – longe demais para voltar – quando descobre o que está acontecendo, e precisa achar uma solução sozinho... Nesse caminho até Sciaparelli muita coisa acontece e muita coisa dá errado. Not a smooth drive, I can tell you that...



Muitos capítulos se passam antes que tenhamos notícias de como as coisas iam na Terra, e na verdade eu achei que o livro todo seriam entradas nos logs de Mark (que aliás são entradas escritas, em oposição às entradas de vídeo do filme – obvious change). Mas num determinado momento alguns capítulos passam para a terceira pessoa e vemos o que está acontecendo em outros locais. A principio não curti muito isso, mas acabou dando origem a momentos legais na história. Por exemplo: uma das coisas que Mark aprendeu na viagem até o Pathfinder foi que passar 20 sols num Rover é muito desagradável. E como a viagem até o MAV Ares 4 seria mais que duas vezes mais longa, ele decidiu criar um “quarto”, um lugar onde pudesse ficar em pé, relaxar e dormir confortavelmente, nos longos períodos enquanto esperava as placas solares recarregarem as baterias. Qualquer coisa era melhor que ficar se espremendo no rover. Só que nessa altura ele já tinha perdido o contato com a NASA uma segunda vez, e apenas com as imagens de satélite o pessoal na Terra não tinha como saber para que ele tinha cortado um bom pedaço da lona do Hab. E não conseguiram deduzir, simplesmente porque por mais que tentassem levar em conta o conforto e os aspectos psicológicos da missão, os cientistas na Terra pensavam em termos de eficiência e funcionalidade, e não tinham a perspectiva de Mark sobre a situação.

Todas essas coisas teriam ficado ótimas em um filme, mas não havia espaço para tudo! Talvez alguém devesse fazer uma série com a história toda...


A leitura do livro foi muito intensa... impossível parar. Eu não leio muitos livros depois de ver a adaptação então experimentei algo pouco usual... Dessa vez, ao invés de não conseguir parar de ler porque eu não sabia o que vinha pela frente, eu não conseguia parar de ler porque eu sabia o que estava vindo, e não via a hora de chegar uma parte ou outra. 

Fiquei surpresa de saber que The Martian foi o livro de estréia desse autor... Imagine o que vem pela frente.


Also... O livro está cheio de referências a Star Trek. Isso é definitivamente um dos meus critérios para awesomeness em qualquer livro. 


The martian | Andy  Weir | Crown Publishing Group | 369 páginas

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