Tuesday, 30 June 2015

TV Show | The Passing Bells

Eu estou passando por uma fase bem século XX, querendo ler ou assistir tudo que me cai nas mãos sobre esse período, em particular. Sobre as grandes guerras. Foi nesse espírito que encontrein The Passing Bells.

A primeira coisa a se manter em mente, e digo isso só porque encontrei algumas criticas a esse aspecto da série, é que essa não é uma história sobre a Primeira Guerra Mundial. Grandes intervalos de tempo, muitos meses são pulados entre um episódio e outro. Essa é uma série sobre a vida de dois rapazes que foram soldados na guerra, um inglês e um alemão, e sobre a guerra através de seus olhos...

Sob muitos aspectos, essa é uma história que já foi contada muitas vezes (basta lembrar de Nada de Novo no Front, provavelmente o livro mais bem escrito que já li). Tem todos os elementos que agora já aprendi a esperar de contos sobre soldados na primeira guerra: A expectativa de se juntar ao conflito, a excitação de fazer algo pelo seu país.... A euforia que percorre a nação incitando jovens muito novos para se juntarem ao exército a mentirem sobre a idade no alistamento para que pudessem ser mandados ao exterior, ... E depois o medo, o arrependimento, a amargura ao perceber que nunca
houve uma guerra como essa antes.  A sensação de que pode ser que não acabe nunca.

Mas é um defeito que essa história já tenha sido contada antes? Eu acho que não... Fazem mais de cem anos do início daquela guerra, (inclusive a série foi filmada em Warsóvia e estreou na Polônia em novembro do ano passado, para coincidir com as comemorações do centenário da primeira guerra. Jack Lowden, um dos atores da minissérie disse que acha importante que novas formas de contar essas histórias, para manter as novas gerações interessadas no que aconteceu... Eu não colocaria as coisas exatamente com essas palavras, mas é fato que o mínimo que nossa geração – que tem o privilégio de viver em tempos de paz – pode fazer é não se esquecer daquilo pelo que aquelas pessoas passaram...

The Passing Bells cumpre muito bem o seu papel, mas é verdade que é uma versão muito “enxugada” do que a guerra deve ter sido de fato. A rigor, poderia ter havido muito mais sangue e mutilação na série, mas nem porque isso não aconteceu, a mensagem sobre os horrores da guerra deixou de ser transmitida. Acho que é só uma questão da forma como o diretor escolheu contar a história. 

Um dos meus elementos preferidos foi a forma como Tommy, o soldado inglês acaba se tornando amigo de Derek, um menino de dezesseis anos que se vê no front, na tropa de Tommy. Derek é ainda um ano mais jovem que Tommy era quando chegou no front pela primeira vez, e ele toma o garoto sob sua proteção. Fique perto de mim, ele diz a Derek, e o menino começa a segui-lo por toda parte, ajudando Tommy inclusive quando ele próprio começa a perder a fé de que as coisas algum dia possam melhorar.
                                                                                                                      
A fotografia da série é linda, e os diálogos não ficam muito para trás.  Agora fiquei meio com vontade de ver aquela Band of Brothers... Quem sabe em breve não aparece resenha dela por aqui...



Friday, 26 June 2015

Books | Diários de um Banana, by Kinney


Recentemente eu participei da minha primeira troca de livros... Foi um evento legal, inesperadamente interessante. Apesar do fato de que eu fui com uma bolsa transversal com o símbolo da Starfleet, na esperança de que algum outro trekkie reconhecesse o símbolo e começasse a conversar, mas nesse quesito, saí decepcionada. Mesmo assim, eu gostei muito das
trocas que consegui fazer (cheers, bro)... Exceto talvez da primeira. Mas sem dúvida a melhor troca que fiz foi a que me deu cinco dos livros da série Diários de um Banana.



Eu estava curiosa para ler esses livros fazia um tempo já, mas estava sem coragem de gastar quase quarenta reais em cada um, principalmente porque não tinha certeza se os livros não eram infantilizados demais. Ainda mais porque eu me decepcionei bastante com “Como Treinar Seu Dragão”,  embora eu pretenda dar uma nova chance a esse livro...

Como acabei descobrindo, os Diários de um Banana não são nada infantilizados! As histórias são muito legais, e as charges engraçadas. A história fica ainda mais legal porque o personagem não é um garoto perfeito, pelo contrário, ele é, por vezes, arrogante, idiota e mandão mas se considera um sujeito perfeitamente razoável...


E o dia a dia de Greg é divertido. É interessante isso, porque Greg é só um garoto, então ele não faz coisas loucas como pular de bungee jump ou viajar pra mil lugares, mas ainda assim o dia a dia dele é super legal de acompanhar. E os delírios dele também ... Em uns poucos dias eu já tinha lido quatro dos cinco livros que consegui, e agora fiquei querendo mais... Faltam quatro livros para completar a coleção... Vamos ver quanto tempo levo pra consegui-los... Eles certamente ficam legais na estante....


Book | We Were Young and at War

Éramos jovens na guerra (We were young
and at war) /  Sarah Wallis, Svetlana Palmer /
Objetiva / 2013 / 276 páginas


A capa desse livro é bem poética... Um soldado
escrevendo uma carta para casa, e tem tudo a ver
com o espirito do livro... 
  Éramos jovens na guerra (We were Young and at war) é uma coletânea de cartas e diários de adolescentes que viveram a Segunda Guerra Mundial. São as palavras de dezesseis adolescentes, às vezes de lados opostos do conflito, que descrevem sem medir palavras, o mundo como se parecia a seus olhos. Eram ingleses, franceses, americanos, japoneses, poloneses, alemães e russos, somente três dos quais sobreviveram. Nenhum dos quais era o mesmo quando a guerra terminou.

Bati os olhos nesse livro quando estava passeando pela livraria, despreocupadamente... Tinha ido preparada para comprar um pocket book, mas absolutamente nada chamara minha atenção. Até que bati os olhos nesse livro, peguei um da prateleira e fui direto para o caixa. Naquele dia mesmo comecei a lê-lo, de modo que em poucas horas havia terminado a leitura...

Minha primeira surpresa ao ler esse livro foi a forma como o material foi organizado. Eu esperava que cada capítulo fosse dedicado a um dos jovens cujas cartas e diários foram compilados, mas não foi assim. Os capítulos foram organizados cronologicamente, de acordo com os momentos da guerra, e em cada capitulo os trechos de cartas e diários de dois ou três autores se revezavam, desenhando a situação de perspectivas diferentes... Cada capítulo era
precedido de uma breve introdução, falando um pouco sobre os jovens  cujas palavras preencheriam as próximas páginas.

As histórias de cada um dos personagens são muito envolventes, e em alguns casos, muito tristes... Foi surpreendente para mim ler sobre a velocidade da guerra... Foi tudo muito rápido, mas não tão rápido quanto se possa pensar a princípio. Os diários de Dawid, um garoto polonês mostraram-no indo à escola de uniformes limpos para aulas cada vez menos frequentes até que fossem canceladas de vez, e ouvindo no rádio os pronunciamentos de Hitler. Levaria algum tempo para que ele  fosse expulso de casa, proibido de ir à escola e confinado num gueto, preso a uma vida de fome constante. Suas palavras confirmavam uma opinião que eu já suspeitava estar presente na época:

“O discurso mostrou que ele não merece sua fama de grande estadista. Ele se agitava, gritava, implorava, insultava, adulava, mas sobretudo mentia e mentia. Mentiu que a  Polônia tinha começado a guerra, mentiu sobre a perseguição aos alemães na Polônia. Mentiu sobre suas lindas intenções pacíficas...”


Longe dali, anos depois, um dos garotos em cujo diário se torturava com pensamentos de que era cruel por comer biscoitos sem pensar em dividi-los com a família naqueles tempos de escassez, seria abandonado pela mãe para morrer sozinho, faminto e fraco demais para seguir atrás dela com as próprias pernas.

Quanto mais eu leio sobre as duas grandes guerras, mais percebo como as coisas eram confusas... No começo você acha que tem que lutar... A TV e os jornais dizem que você precisa defender o seu país, e os que ficam para trás são chamados de covardes. E a maioria dos jovens quer mesmo é ir para o front... Alguns mentem que são mais velhos, com medo de que a guerra acabe antes de completarem a idade mínima para lutar no exterior, uma idade mínima que de todo modo se torna menor a cada ano... Um dos meninos no livro repara na ironia de lhe darem um uniforme de soldado e lhe mandarem lutar na guerra e no entanto lhe barrarem do cinema quando passam “filmes de adulto”. De todo modo, os treinamentos criam aquela sensação de amizade e união que é tão rara de se experimentar de outro modo. Até que seus amigos começam a morrer e tudo o que você quer é ir pra casa.

Inna, uma jovem de dezenove anos, criada sob o ponto de vista de que as meninas soviéticas eram iguais aos meninos em todos os aspectos, chega a fugir de casa para ajudar no esforço de guerra. Mais para o leste, Hachiro, um estudante em Tokyo, não vê sentido nesse entusiasmo todo com a guerra.

“Nada é mais imbecil que desperdiçar todas as energias numa guerra. A força habitual do homem manifestada em tempos de guerra certamente é impressionante, mas porque não usar essa energia em outra coisa?”

É difícil ler as palavras de outro rapaz japonês, que mostra que os pilotos kamikaze não eram loucos que glorificavam a morte... Eram rapazes, que não tinham escolha... Que faziam uma ultima ligação telefônica ou escreviam uma ultima carta antes de entrar no avião para seu vôo derrareiro sabendo que aquelas seriam suas ultimas palavras...



Mas o livro também traz outras histórias menos infelizes, como o de um garoto judeu americano, que tenta se esforçar para não se esquecer de escrever sobre a guerra em seu diário, o que é muito difícil já que está tudo acontecendo tão longe. O livro não é muito homogêneo, por sua própria natureza, e algumas partes eram mais chatas que outras... Eu fiquei muito entediada e aborrecida lendo os trechos de uma garota francesa, que só falava em se casar com soldados... Francamente, quando o pai dela brigou com ela, dizendo que “bastava um homem vestir um uniforme de inimigo que ela ia logo se oferecendo”, eu achei bem feito e fiquei do lado do velho!.

Um dos meus preferidos era Brian, um jovem inglês que estava se correspondendo com uma americana... As cartas dele foram as que mais me surpreenderam... Porque eram muito parecidas com minhas próprias cartas e e-mails... Eu já tive alguns amigos pela internet, e meus e-mails eram tão parecidos com as cartas de Brian para Trudy... Até na curiosidade de ver fotos, de saber como a pessoa se parece e como passa os dias num lugar distante... Essas coisas me fizeram ver que apesar da guerra, aqueles jovens não eram, afinal, assim tão diferentes de nós.

Brian pedindo uma gravação de voz de Trudy.. A mesma coisa que fazemos hoje, exceto que é muito mais fácil rápido e barato... Apesar de que, como descobri recentemente, mandar uma carta para o exterior é bem mais barato do que eu poderia ter pensado...


Eu gostei desse livro imensamente, apesar de que depois dele, tive vontade de ler ago um pouco mais... uplifting, antes de voltar a ler sobre a guerra.. Mas é uma leitura que recomendo muito... Não há nada como aprender sobre uma época com pessoas que viveram de fato aqueles anos. Seria legal se o livro tivesse fotografado os diários e colocado fotos das paginas originais ao lado das traduções, eu gostaria de ver a letra dessas pessoas, saber um pouco mais de que tipo de pessoa eram... Mesmo porque aquelas pessoas, mesmo as que sobreviveram já não existem mais. Todos foram transformados pela guerra, forçados a crescer depressa demais, e esses diários e cartas são a única evidência dos jovens que foram um dia...

Éramos jovens na guerra (We were young and at war) /  Sarah Wallis, Svetlana Palmer / Objetiva / 2013 / 276 páginas

Wednesday, 24 June 2015

Book | Frankenstein, by Mary Shelley

Frankenstein (ou o Prometeu Moderno) |
Mary Shelley | Martin Claret | 1818 |
212 páginas


No dia em que comprei esse livro, a versão
da Martin Claret e a da L&PM estavam lado
a lado, mas achei essa capa mais legal que
a outra. A silhueta do monstro, contra um
céu azul escuro e a lua cheia... Dá até pra ver
os parafusos prendendo a cabeça ao resto do
corpo, mas surpreendentemente nao havia
menção nenhuma deles no livro.  
“Mas tenho um desejo que jamais consegui satisfazer e este vazio me parece o pior mal: Não tenho amigos., (...) Vou confiar meus pensamentos ao papel é verdade; mas esse é um meio sofrível para a comunicação dos sentimentos. Desejo a companhia de um homem que possa compartilhar meus sentimentos, cujos olhos respondam aos meus. Talvez me considere um romântico, minha querida irmã, mas sinto amargamente a falta de um amigo.” Robert Walton


São as cartas de Robert Walton que abrem e fecham o Frankenstein de Mary Shelley. Robert é um marinheiro no mar do norte que resgata Victor Frankenstein do gelo e escuta a história do cientista. E é esse solitário homem do mar quem reconta a história do monstro de Frankenstein em uma série de cartas a sua irmã, Margareth. Ele encontra em Frankenstein um semelhante, uma resposta a muito do que estava buscando:

“Falei do meu desejo de encontrar um amigo, da minha sede de uma afinidade mais íntima e espiritual com um companheiro do que todas as que tive até agora e exprimi a certeza de que um homem não pode jactar-se de ser feliz se não receber essa benção.
‘Concordo com você’ replicou o desconhecido, ‘somos criaturas imperfeitas,  incompletas se alguém mais sábio, melhor e mais caro que nós mesmos – como um amigo deve ser – não nos ajudar a aperfeiçoar nossas débeis e defeituosas naturezas.”

Apesar de abatido, ninguém pode sentir mais do que ele as belezas da natureza. É assim que Robert descreve Frankenstein, cuja história começa em
Genebra, com o pai, a mãe, e uma órfã chamada Elizabeth, adotada por seus pais, que Victor amava, mais do que achava que fosse capaz...

“Fomos criados juntos; não havia sequer um ano de diferença entre nós. Não preciso dizer que éramos avessos a todo tipo de briga ou desunião. A harmonia era a alma de nossa camaradagem, e a diversidade e o contraste de caráter que  subsistiam entre nós aproximaram-nos ainda mais.”

Frankenstein tinha uma tremenda vontade de aprender, e um interesse particular em estudar os mecanismos através dos quais o corpo humano funciona.

“O mundo era para mim um segredo que eu desejava adivinhar. (...) O meu temperamento era por vezes violento, e veementes as minhas paixões; mas por alguma lei da minha natureza, elas não se dirigiam a desejos infantis, mas a um intenso desejo de aprender, (...) que glória alcançaria a descoberta se eu pudesse banir do corpo humano as doenças e tornar o homem invulnerável a todas elas.”

Quando completou dezessete anos, seus pais o mandaram para a Universidade de Ingolstadt, porque apesar de ter frequentado as escolas de Genebra, seu pai achava, que para que sua educação fosse completa ele deveria conhecer outros costumes além dos da Terra Natal. Nesse período morreu sua mãe, após o que Victor estudou principalmente química e filosofia natural, e foram esses estudos que o levaram a construir o que viria a ser sua maior criação: o monstro de Frankenstein.                                

A partir desse momento, o livro começou a me surpreender... Frankenstein de Mary Shelley é uma daquelas histórias icônicas... Existem um milhão de adaptações em filmes, quadrinhos e referencias até em desenhos animados.... Mesmo quem nunca leu sabe do que se trata. Como eu sabia. Ou achava que sabia.

A ideia geral da história era a mesma, mas o livro nem menciona Frankenstein catando partes de corpos pra montar o monstro ou algo do tipo... Ele simplesmente fala sobre sua obsessão  e poucas páginas depois ele fala do momento em que tudo ficou pronto. O monstro abre os olhos e Victor fica horrorizado com o resultado do seu trabalho. Ele vai embora, abandonando a criatura, e volta muito depois agradecido por não encontrar mais o monstro onde o deixara.

Ele não volta realmente a pensar na criatura até que seu irmão menor é assassinado, na Terra Natal.

Eu gostei muito desse livro. Era uma leitura que eu já devia ter feito há muito tempo, e houve momentos muito interessantes. Ler os trechos em que o monstro contou sua história, do momento em que saiu da casa de Victor até o ponto em que se reencontram por exemplo foi demais... A história dele se estende por vários capítulos (a parte em que ele conta o que aconteceu com ele na França, quando ele conta como ficou observando a vida de uma família às escondidas, como tudo que queria era companhia, é a melhor). As questões levantadas pelo livro... Quais são os  limites da ciência? Quais as responsabilidades do criador sobre a criatura? O mostro é mau ou só digno de pena? Eu não acho que consiga responder nenhuma dessas perguntas agora... Não acho que muita  gente consiga. Mas acho que são coisas que nós devíamos estar nos perguntando de qualquer maneira. 

Frankenstein (ou o Prometeu Moderno) | Mary Shelley | Martin Claret | 1818 | 212 páginas