Eu comprei esse livro numa promoção de livros da Novo Conceito, e foi praticamente só pelo preço... Achava que seria uma leitura rápida e sem nada demais, e comecei a ler sem grandes expectativas... No final eu gostei bem mais do livro de que achava que gostaria antes de começar.
A protagonista do livro, Jeane, é uma blogueira... Seu blog, chamado Adorkable (que é aliás o título original do livro, e na minha opinião, nao precisava ser traduzido, pra manter o jogo de palavras – dorx X adorkable X adorable), já ganhou até prêmios pelo The Guardian e pelo Bloggie Award. Ainda na escola (A levels), Jeane é extremamente bem sucedida, mora sozinha, ganha seu próprio dinheiro com o blog, que se tornou uma marca e é convidada para dar palestras em vários lugares do mundo. Ela curte bandas alternativas, moda tirada de brechós e colorir e descolorir os cabelos.
A última pessoa por quem Jeane deveria se apaixonar é Michael Lee.
“Ah, Michael Lee! Por onde começar? Os garotos queriam ser como ele. As garotas o queriam. Ele era a estrela da escola, do palco e do campo de futebol. Tinha cérebro o bastante para disputar com geeks, era o capitão do time de futeboldiante do qual todos os esportistas se ajoelhavam e seu falso moicano mais seu All Star cuidadosamente desgastado também lhe permitiam andar no meio da galera indie. Se isso não bastasse, seu pai era chinês, e ele tinha certo ar exóticoeuro-asiático. Ele era tão lindo que havia até mesmo uma ode às maçãs de seu rosto na parede do banheiro feminino do segundo andar da escola.”
A coisa é que apesar de todos
esses predicados, Michael compra suas roupas na Hollister e na Abercrombie, depende totalmente do pai e escuta o tipo de música que todo mundo está escutando justamente porque todo mundo está escutando. E tudo isso tornava-o uma pessoa completamente desinteressante e sem estilo aos olhos de Jeane. Ou pelo menos era isso que ela achava. E Jeane, apesar de ser considerada esquisita pela maioria dos garotos populares da escola, está longe de ser uma garota solitária que se esconde atrás de um discurso agressivo e secretamente espera pelo príncipe encantado. Muito pelo contrario, Jeane tem namorado, um garoto ruivo chamado Barney. Um carinha perfeito pra ela. Ou pelo menos parecia assim...
“Quando seu rosto não estava escondido por uma franja espessa, suas feições eram delicadas, quase juvenis, e seus olhos eram de um tom verde-água. Barney é o único garoto que já conheci cujos tons básicos eram o branco, o alaranjado e o verde.”
Acontece que Barney está tutorando outra garota, uma intelectualmente desprivilegiada, em matemática. A menina é Scarlett Thomas, que calhava de ser a namorada de Michael Lee, com seus cabelos longos, que passava horas penteando, hidratando e jogando de um lado pro outro. E é Michael quem se aproxima de Jeane preocupado que eles estejam sendo traído por seus respectivos pares.
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| A capa de Adorkables... Oh dear... |
Esse começo de livro é tão improvável quanto o romance de Michael e Jeane, e eu adoro a originalidade desse livro. Pra começar os capítulos se revezam entre a visão de Michael e Jeane (todos em primeira pessoa), sem repetir exatamente tudo o que acontece, e isso dá um ritmo rápido ao livro... Também significa que vemos a protagonista de vários ângulos diferentes, ou seja, ela não é “endeusada” como ocorre irritantemente com alguns protagonistas narcisistas de livros YA.
Ter várias perspectivas é muito interessante. Por um lado temos Jeane dizendo que Michael é raso como uma colher de chá, e por outro lado temos o próprio Michael dizendo que gosta de poder se relacionar com todos e sempre encontra um assunto em comum sobre o qual falar, mesmo se as pessoas não forem tão legais. Isso faz você pensar: Okay, this guy’s not so bad...
Os personagens vão crescendo conforme passam as páginas. E de modo geral, a autora não toma caminhos fáceis. Ela não transforma a personalidade dos personagens apenas para que possam ficar juntos... Não... Ela permite que os personagens fiquem confusos. Que metam os pés pelas mãos, que cometam erros quando não sabem o que fazer. Isso é legal porque dá pra se identificar com os personagens. Eu pelo menos consegui fazer isso... Mas talvez seja porque eu estou quase sempre confusa e quase sempre sem saber o que fazer J
O que eu mais gostei sobre esse livro foi o fato de que se passa na Inglaterra... Sendo assim, os personagens fazem coisas que são muito típicas da vida no reino unido, coisas que eu conheço bem por causa do tempo que passei morando lá. São detalhezinhos, mas é a coisa mais legal de morar num lugar diferente... A própria diversidade étnica dos personagens é um exemplo, já que a Inglaterra está cheia de imigrantes especialmente chineses. E coisas como marcar de se encontrar do lado de fora da M&S (Marks & Spencer) depois de um show numa arena pequenininha em que dá pra ficar cara a cara com a banda, comer com a galera no Nando’s ou voltar para casa tarde da noite de ônibus em Londres, porque o Underground só funciona até um certo horário.
Adorkables foi uma leitura ótima, leve e divertida, que me fez companhia numa noite que teria sido, de outro modo, longa demais. Eu definitivamente recomendo esse livro... Agora só preciso achar um canto pra ele na estante...
DorkFace ;)
Os Adoráveis (Adorkable) / Sarra Manning / Novo Conceito / 2013 / 381 páginas






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