“Mas tenho um desejo que jamais consegui satisfazer e este vazio me parece o pior mal: Não tenho amigos., (...) Vou confiar meus pensamentos ao papel é verdade; mas esse é um meio sofrível para a comunicação dos sentimentos. Desejo a companhia de um homem que possa compartilhar meus sentimentos, cujos olhos respondam aos meus. Talvez me considere um romântico, minha querida irmã, mas sinto amargamente a falta de um amigo.” Robert Walton
São as cartas de Robert Walton que abrem e fecham o Frankenstein de Mary Shelley. Robert é um marinheiro no mar do norte que resgata Victor Frankenstein do gelo e escuta a história do cientista. E é esse solitário homem do mar quem reconta a história do monstro de Frankenstein em uma série de cartas a sua irmã, Margareth. Ele encontra em Frankenstein um semelhante, uma resposta a muito do que estava buscando:
“Falei do meu desejo de encontrar um amigo, da minha sede de uma afinidade mais íntima e espiritual com um companheiro do que todas as que tive até agora e exprimi a certeza de que um homem não pode jactar-se de ser feliz se não receber essa benção.
‘Concordo com você’ replicou o desconhecido, ‘somos criaturas imperfeitas, incompletas se alguém mais sábio, melhor e mais caro que nós mesmos – como um amigo deve ser – não nos ajudar a aperfeiçoar nossas débeis e defeituosas naturezas.”
Apesar de abatido, ninguém pode sentir mais do que ele as belezas da natureza. É assim que Robert descreve Frankenstein, cuja história começa em
Genebra, com o pai, a mãe, e uma órfã chamada Elizabeth, adotada por seus pais, que Victor amava, mais do que achava que fosse capaz...“Fomos criados juntos; não havia sequer um ano de diferença entre nós. Não preciso dizer que éramos avessos a todo tipo de briga ou desunião. A harmonia era a alma de nossa camaradagem, e a diversidade e o contraste de caráter que subsistiam entre nós aproximaram-nos ainda mais.”
Frankenstein tinha uma tremenda vontade de aprender, e um interesse particular em estudar os mecanismos através dos quais o corpo humano funciona.
“O mundo era para mim um segredo que eu desejava adivinhar. (...) O meu temperamento era por vezes violento, e veementes as minhas paixões; mas por alguma lei da minha natureza, elas não se dirigiam a desejos infantis, mas a um intenso desejo de aprender, (...) que glória alcançaria a descoberta se eu pudesse banir do corpo humano as doenças e tornar o homem invulnerável a todas elas.”
Quando completou dezessete anos, seus pais o mandaram para a Universidade de Ingolstadt, porque apesar de ter frequentado as escolas de Genebra, seu pai achava, que para que sua educação fosse completa ele deveria conhecer outros costumes além dos da Terra Natal. Nesse período morreu sua mãe, após o que Victor estudou principalmente química e filosofia natural, e foram esses estudos que o levaram a construir o que viria a ser sua maior criação: o monstro de Frankenstein.
A partir desse momento, o livro começou a me surpreender... Frankenstein de Mary Shelley é uma daquelas histórias icônicas... Existem um milhão de adaptações em filmes, quadrinhos e referencias até em desenhos animados.... Mesmo quem nunca leu sabe do que se trata. Como eu sabia. Ou achava que sabia.
A ideia geral da história era a mesma, mas o livro nem menciona Frankenstein catando partes de corpos pra montar o monstro ou algo do tipo... Ele simplesmente fala sobre sua obsessão e poucas páginas depois ele fala do momento em que tudo ficou pronto. O monstro abre os olhos e Victor fica horrorizado com o resultado do seu trabalho. Ele vai embora, abandonando a criatura, e volta muito depois agradecido por não encontrar mais o monstro onde o deixara.
Ele não volta realmente a pensar na criatura até que seu irmão menor é assassinado, na Terra Natal.
Eu gostei muito desse livro. Era uma leitura que eu já devia ter feito há muito tempo, e houve momentos muito interessantes. Ler os trechos em que o monstro contou sua história, do momento em que saiu da casa de Victor até o ponto em que se reencontram por exemplo foi demais... A história dele se estende por vários capítulos (a parte em que ele conta o que aconteceu com ele na França, quando ele conta como ficou observando a vida de uma família às escondidas, como tudo que queria era companhia, é a melhor). As questões levantadas pelo livro... Quais são os limites da ciência? Quais as responsabilidades do criador sobre a criatura? O mostro é mau ou só digno de pena? Eu não acho que consiga responder nenhuma dessas perguntas agora... Não acho que muita gente consiga. Mas acho que são coisas que nós devíamos estar nos perguntando de qualquer maneira.
Frankenstein (ou o Prometeu Moderno) | Mary Shelley | Martin Claret | 1818 | 212 páginas

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