Thursday, 11 June 2015

Film | Braveheart


"I am William Wallace. And I see a whole army of my countrymen, here in defiance of tyranny! You have come to fight as free men. And free man you are! What will you do without freedom? Will you fight?" 
"Two thousand against ten?" - the veteran shouted. "No! We willrun - and live!"
"Yes!" Wallace shouted back. "Fight and you may die. Run and you will live at least awhile. And dying in your bed many years from now, would you be willing to trade all the days from this day to that for one chance, just one cahnce, to come back here as young men and tell our enemies that they may take our lives but they will never take our freedom!"


Foi em 1995 que Coração Valente recebeu o Oscar de Melhor filme, disputando o prêmio com Apolo XIII e Razão e Sensibilidade. Faz quase 20 anos e no entanto, eu nunca tinha assistido esse filme até hoje...


No final do século XIII, Alexandre III, rei da Escócia, morreu sem deixar herdeiros. Seus dois filhos e sua única filha morreram um após o outro entre
1282 e 1284,  e isso significava que o trono passaria à princesa Margarida da Noruega, neta de Alexandre. Um casamento foi arranjado entre a princesa e o príncipe de Gales, mas quando Margarida morreu a caminho da Escócia, teve início uma crise de sucessão que passou à história como a Grande Causa. histo.

Eduardo I da Inglaterra, ou Eduardo Longshanks (Pernas-Longas), como era conhecido,  que fora coroado há poucos anos, após voltar de uma Cruzada, foi chamado para mediar as disputas entre os clãs pela sucessão do trono da Escócia. Eduardo aproveitou a oportunidade e exigiu ser declarado Senhor feudal da Escócia, pelo menos até que um sucessor fosse escolhido. Um reino sem rei, não é, afinal, reino algum, e eventualmente Longshanks invadiu e conquistou a Escócia, uma campanha que começou com um ataque sangrento a Berwick-upon-Tweed, que até hoje pertence ao lado inglês da fronteira, no lmite setentrional da Northumbria. Eduardo I viria a ser conhecido como o Martelo dos Escoceses.

 É nesse período conturbado que começa a história de Coração Valente. O filme conta a história de William Wallace, um membro da pequena nobreza, que liderou os escoceses nas lutas contra a Inglaterra no começo do século XIV.  A figura de William Wallace é cercada de lendas, e é difícil dizer exatamente quem era ou de onde veio, embora as circunstancias de sua morte sejam bem conhecidas. O próprio nome de Wallace deriva do inglês antigo, e significa, de acordo com algumas fontes, estrangeiro, ou galês, significando que é possível que os Wallaces fossem originalmente imigrantes do País de Gales. 

Na verdade, o que me fez querer assistir esse filme foi o Nerdcast 461 – O verdadeiro coração valente. Nesse podcast os caras discutem os aspectos históricos e os erros cometidos pelo filme. Acontece, que Coracao Valente é realmente muito criticado pelos erros e pela falta de fidedignidade ao retratar a Biografia de Wallace... Para começo de conversa, Coração Valente (Braveheart) não era o apelido de Wallace mas sim de Robert, the Bruce, o homem que de fato assumiu o trono da Escócia após a vitória contra os ingleses. O contato entre Wallace e a Princesa Isabelle da França nunca poderia ter acontecido, porque a princesa tinha quatro anos na época, e as conversas secretas em francês entre a princesa e sua criada no filme não teriam sido, de modo algum secretas na corte da Inglaterra, onde o francês era a língua da nobreza e da diplomacia, muito bem difundido. Além disso, na época, os escoceses não pintariam o rosto de azul e branco nem estariam lutando com kilts, que não se tornariam populares por mais alguns séculos, e certamente os exércitos medievais da Inglaterra não teriam tantos homens completamente uniformizados, muitos com cotas de malha e armaduras completas. Naqueles tempos, um soldado não possuía uma cota de malha a menos que fosse rico, e provavelmente lutava vestido com o que quer que fosse que conseguisse encontrar. 

Todos esses erros entretanto eu acho perdoáveis... O filme é incrível, e se alguns detalhes precisavam ser sacrificados em prol da visão romântica que se tem da Escócia do passado (com pinturas de guerra e kilts com os tartans dos clãs) e da fotografia do filme, que seja... Não que a fotografia precisasse de ajuda, com todas aquelas paisagens das Terras Altas...

De modo geral eu estaria entre os defensores da ”acuracidade histórica,” e um filme com os escoceses nas tradicionais camisas amarelas que de fato usavam naquele período seria interessante, mas não acho que as adaptações feitas prejudiquem a história, de modo algum. É licença poética. O filme é bonito, e inspirador. O que me fez querer assisti-lo foi ouvir, no podcast um trecho do roteiro, o discurso de William Wallace, motivando os escoceses a lutarem quando a maioria dos homens queria dar as costas e fugir, por conta da superioridade do exército inglês.


É uma pena só que a ponte de Stirling não apareça nessa cena, afinal, essa é a batalha da ponte de Stirling! Mas isso é um detalhe...

O único erro grave do roteiro, na minha opinião, é a forma como retrataram Robert, the Bruce. The Bruce nunca traiu William Wallace, e ele seria o homem a ocupar o trono da Escócia e o homem que ficou conhecido como coração valente. Depois de sua morte, seu coração era carregado com o exercito em batalha, dando origem a esse apelido. Transforma-lo num traidor, num fraco, me parece uma forma de aumentar a lenda de Wallace no filme, e isso não era realmente necessário. Mesmo porque, the Bruce é, ele próprio, uma figura importante na história da Escócia.  A legend all by himself.

Longshanks é retratado como um homem cruel no filme, mas é possível que isso não estivesse muito longe da verdade.  É certo  que ele era alto para época, razão pela qual o chamavam de pernas longas, e que era temperamental, de modo que fosse considerado por muitos, como um homem intimidador, cuja figura inspirava medo...  Seus braços longos lhe davam vantagens como espadachim, e as coxas longas, como cavaleiro. Na verdade, sendo um soldado forte e um administrador capaz, Eduardo I personificava os ideais do rei medieval.

Quanto à princesa Isabelle, faz pouca diferença que na época ela tivesse apenas quatro anos. Quando a princesa encontra Wallace pela primeira vez, enviada para negociar a paz em nome de Longshanks ela fica impressionada com Wallace. No filme ela é uma mulher jovem, que convive com um rei temperamental e cruel, e um príncipe estúpido e fraco.  Ao se encontrar com Wallace ela vê um homem de verdade, forte, corajoso e justo. Um homem que não se ponde comprar, o que é mais do que se pode dizer da maioria dos nobres de ambos os lados da fronteira no filme. O propósito da cena é evidenciar dessa forma as virtudes de Wallace, muito mais do que mostrar um encontro impossível entre ele e a princesa.



Seja como for, a figura de Wallace é cercada de tanta lenda na história da Escócia, que era apenas razoável que várias lacunas tivessem de ser preenchidas, às vezes com a imaginação dos roteiristas. O filme certamente é bem sucedido em construí-lo como um herói, leal, forte e justo. As virtudes táticas de um homem (a respeito das quais escrevi no blog há pouco tempo): força, coragem, maestrie e honra, Wallace as possui todas.

E ele não é apenas um jovem louco, afoito pela guerra, tolamente ignorante das desvantagens enfrentadas pela desunida Escócia contra os Ingleses, pelo contrário: a princípio, ele tenta evitar a guerra tanto quanto possível. E mesmo quando a sua participação é inevitável, ele tenta impedir outros de se juntarem a ele, apesar das vantagens que um aumento numérico em suas fileiras lhe traria. Mas Wallace é um homem a quem outros homens seguem, por cujos ideais outros homens lutam e morrem a seu lado. E o ideal dele é apenas um: Liberdade.

Esse é um daqueles filmes que faz você querer brandir espadas e escudos assim que termina de assistir... Uma daquelas histórias que lembra o quão fundamental é ser livre, e do quanto perder essa liberdade é pior do que a morte...



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