“Para me deixar mais tranquilo, leve Scott com você”
Um sorriso irônico se abriu em meu rosto
“Você confia no Scott?”
“Confio em você”
Finale é o melhor livro da série Hush Hush...
Fazia mais de um ano desde que eu lera Silêncio, o terceiro volume da séria Hush Hush, e bem mais que isso desde que pus minhas mãos no livro de estréia da série. É bem possível que eu nem tivesse lido o quarto livro tão cedo se não tivesse ganhado de presente, porque Silêncio não me deixou lá muito animada a concluir logo. Mas Finale superou muito as expectativas.
Claro que no começo, a leitura foi um pouco mais lenta, porque eu não me lembrava muito bem dos personagens. Via nomes como Vee e Scott e me lembrava aos poucos de coisas como “Ah! Essa era a melhor amiga,” ou “Ah, esse era aquele carinha, que ela conheceu na infância, que na verdade não era humano”... Coisas assim. A maioria dos detalhes ficaram fora, mas ainda assim, aos poucos a leitura foi melhorando.. Picked up steam.
Uma das coisas mais legais da série (como eu disse na resenha de Sussurro), é a forma como a hierarquia dos anjos é apresentada: no topo os todo-poderosos arcanjos, seguidos por uma miríade de anjos de posição hierarquicamente inferior. Anjos-da-guarda, encarregados da segurança de alguns indivíduos em particular, e anjos caídos, que tiveram suas asas arrancadas e foram
banidos do céu. Para se proteger, os anjos caídos permaneceram juntos, nas periferias de algumas cidades humanas, e o grupo que escolheu Coldwaters como lugar em que ia se estabelecer construiu (on the outskirts of town) um parque de diversões gigantesco, o Delphic, com uma montanha russa lendária, chamada de Arcanjo. Eles vivem no subsolo desse parque, capazes de caminhar entre os humanos, mas incapazes de experimentar qualquer sensação física, exceto durante o mês do Cheshvan, quando aos anjos caídos é permitido se apossar do corpo de um nefilin e experimentar toda sorte de sensações que lhes são negadas no resto do tempo. Os nefilins, humanos melhorados, imortais, híbridos de humanos e anjos caídos, se revoltam com o abuso de seus corpos durante o Cheshvan e desejam mandar todos os anjos caídos para o Inferno. Era esse desejo de vingança que o mais respeitado dos nefilins, Hank Millar, o mão negra, nutria, quando construiu um exercito para lançar contra os anjos caídos. Em Finale, Nora Grey foi transformada em Nefilin e deixada no comando do exército do Mão Negra pelo próprio Hank Millar, que a prendeu a seu cargo no leito de morte. Nora pode não ser mais humana, mas nasceu num corpo mortal, de proporções medianas, mais baixo e mais fraco que os corpos dos nefilins que agora se viram sob seu comando. Como se não bastasse, seu histórico de relacionamento com Patch, um anjo caído, inimigo mortal dos nefilins, está bem longe de ser um segredo.
Nos outros livros da série, a história demorava um pouco pra engrenar, às vezes só ficava boa no finalzinho, mas finale é bem mais fluido, e bem mais homogêneo. Além disso, muita coisa dos outros livros ficou mais bem explicada. Discordo totalmente da direção tomada pela autora em relação a Vee, mas em retrospecto, o que acontece com ela já vinha sendo anunciado nos livros anteriores. A mesma coisa vale para o Detetive Basso. Os trechos de Marcie Millar e a mãe de Nora eram irritantes, um pouco demais na minha opinião. Scott por outro lado, merecia mais destaque do que recebeu.
O worldbuilding continua sendo o ponto forte da série – escrever sobre anjos, num mundo saturado de vampiros e lobisomens foi uma boa ideia. Em finale, novos elementos são introduzindos, como por exemplo as artes do mal. A coisa toda poderia ter sido mais bem explorada se o foco do livro não fosse tão juvenil (como por exemplo em Harry Potter, onde pouquíssima coisa é mau explorada), mas tudo bem,...
Protagonistas desses romances YA frequentemente tem um componente de submissão na história. Há um momento assim no livro quando Patch vigia Nora 24 horas, inclusive grampeando seu telefone e colocando um rastreador nas roupas dela, alegando que tudo isso é para a proteção da garota e que não importa o que ela diga a respeito. A situação fica ainda pior quando ele a segue e diz algo do tipo “não gosto de te encontrar na casa de outro cara “. Isso foi creepy, e francamente, desnecessário. Nao vou fazer nenhuma analise profunda do caso... Na verdade parece que a autora precisava que Patch soubesse onde estava Nora em determinada cena e a solução que encontrou pra fazer isso acontecer foi transformar o cara num stalker. Uma solução ruim. Mais pra frente a história entra nos eixos de novo, mostrando que esse fragmento poderia muito bem nem fazer parte do livro.
Patch não é um bom moço, o que é ótimo, porque esse estereótipo já estava ficando cansativo. Ele é um anjo caído, um bad boy e seu desrespeito pelas regras e atitude irreverente ficam mais que óbvios nesse livro. Isso é legal, e deu origem a um final surpreendente e original. Rola um ciúme entre Patch e Nora mas eles são parceiros, e a lealdade entre os dois não vacila, o que é outro elemento legal na história. A frase final de Patch está entre as melhores da série toda.
Overall, achei que Finale foi uma boa conclusão para a saga e o melhor livro da série. Meu preferido, sem dúvida. Fez com que eu transferisse os 4 livros do fundo de uma prateleira de “séries”, para uma posição mais destacada na minha prateleira de horror e ficção científica. All things considered, foi uma série legal...

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