Eu estou passando por uma fase bem século XX, querendo ler ou assistir tudo que me cai nas mãos sobre esse período, em particular. Sobre as grandes guerras. Foi nesse espírito que encontrein The Passing Bells.
A primeira coisa a se manter em mente, e digo isso só porque encontrei algumas criticas a esse aspecto da série, é que essa não é uma história sobre a Primeira Guerra Mundial. Grandes intervalos de tempo, muitos meses são pulados entre um episódio e outro. Essa é uma série sobre a vida de dois rapazes que foram soldados na guerra, um inglês e um alemão, e sobre a guerra através de seus olhos...
Sob muitos aspectos, essa é uma história que já foi contada muitas vezes (basta lembrar de Nada de Novo no Front, provavelmente o livro mais bem escrito que já li). Tem todos os elementos que agora já aprendi a esperar de contos sobre soldados na primeira guerra: A expectativa de se juntar ao conflito, a excitação de fazer algo pelo seu país.... A euforia que percorre a nação incitando jovens muito novos para se juntarem ao exército a mentirem sobre a idade no alistamento para que pudessem ser mandados ao exterior, ... E depois o medo, o arrependimento, a amargura ao perceber que nunca
houve uma guerra como essa antes. A sensação de que pode ser que não acabe nunca. Mas é um defeito que essa história já tenha sido contada antes? Eu acho que não... Fazem mais de cem anos do início daquela guerra, (inclusive a série foi filmada em Warsóvia e estreou na Polônia em novembro do ano passado, para coincidir com as comemorações do centenário da primeira guerra. Jack Lowden, um dos atores da minissérie disse que acha importante que novas formas de contar essas histórias, para manter as novas gerações interessadas no que aconteceu... Eu não colocaria as coisas exatamente com essas palavras, mas é fato que o mínimo que nossa geração – que tem o privilégio de viver em tempos de paz – pode fazer é não se esquecer daquilo pelo que aquelas pessoas passaram...
The Passing Bells cumpre muito bem o seu papel, mas é verdade que é uma versão muito “enxugada” do que a guerra deve ter sido de fato. A rigor, poderia ter havido muito mais sangue e mutilação na série, mas nem porque isso não aconteceu, a mensagem sobre os horrores da guerra deixou de ser transmitida. Acho que é só uma questão da forma como o diretor escolheu contar a história.
Um dos meus elementos preferidos foi a forma como Tommy, o soldado inglês acaba se tornando amigo de Derek, um menino de dezesseis anos que se vê no front, na tropa de Tommy. Derek é ainda um ano mais jovem que Tommy era quando chegou no front pela primeira vez, e ele toma o garoto sob sua proteção. Fique perto de mim, ele diz a Derek, e o menino começa a segui-lo por toda parte, ajudando Tommy inclusive quando ele próprio começa a perder a fé de que as coisas algum dia possam melhorar.
A fotografia da série é linda, e os diálogos não ficam muito para trás. Agora fiquei meio com vontade de ver aquela Band of Brothers... Quem sabe em breve não aparece resenha dela por aqui...


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