Comecei a assistir Gothan há menos de duas semanas, e já assisti todos os episódios 2 vezes na sequência... Isso me colocou numa fase-Batman e acabei descobrindo esse vídeo aí embaixo... Uma versão de "'Twas the night before Christmas" para Batman e Alfred, feita com actions figures dos dois...
And in my opinion, brilliant...
Preciso escrever uma fanfic agora.. Each artist has their own way of expressing things, right?
Eu assisti It's a Wonderful Life hoje pela primeira vez, na manhã de natal...
Estava guardando esse filme já há algum tempo. Sabia que era um clássico de natal, e conhecia a história por alto - vendo referências como a que por exemplo foi feita naquele episódio de Natal de Big Bang Theory, em que ficam imaginando como seria se não conhecessem o Sheldon... Mas nada disso é a mesma coisa que assistir o filme.
E o filme é perfeito. Eu não acho que tenha visto nada como esse filme antes...
A história começa com um anjo, Clarence, assistindo a vida de George Bailey... George Bailey nasceu e cresceu em Bedford Falls, uma cidadezinha americana no estado de New York. Seu pai fundou uma empresa de empréstimos e construção de casas, a Building & Loan, que trabalha à moda antiga, aceitando o caráter das pessoas como garantia de que será feito um pagamento e oferecendo casas decentes a preços justos para tirar os moradores das favelas. Ele tem um único inimigo, o usurário senhor H. Potter, dono das favelas e da maioria das empresas da cidade, que cobiça a Building & Loan desde que foi fundada. Mas o sr. Bailey acredita que está fazendo a diferença na cidade, ainda que saiba que o negócio nunca vai fazer dele o homem mais rico de Bedford Falls.
George não é nada como o pai. Ele não entende porque o pai insiste na companhia e não tem a menor intenção de ficar preso naquela cidadezinha sem futuro. Ele quer viajar para vários lugares, conhecer culturas diferentes, ir para a universidade e estudar para fazder grandes coisas, construir grandes pontes e edifícios, mudar o mundo! O trabalho de seu pai nunca permitiria que o velho juntasse dinheiro para ele ir à faculdade, então George trabalha para comprar uma passagem para uma viagem à Europa e depois pagar os custos de um curso universitário. Nesse tempo de trabalho, a maioria de seus amigos já volta para a cidade com um diploma, e George continua parado no mesmo lugar, esperando pacientemente a sua hora...
Mas a vida é imprevisível, e várias sequências de acontecimentos distintas, são as responsáveis por atrasar cada vez mais os planos de George. A própria índole do rapaz - que coloca as outras pessoas à frente de si próprio com frequência - contribui para isso, e cada vez mais ele se vê preso numa vida que não planejou, sem desistir de seus planos anteriores, que se tornam desejos reprimidos em seu coração. Ele chega naquele ponto difícil em que todas as coisas estão dando errado, e o pensamento que lhe ocorre é: "e eu nem gosto de nada disso, nem queria ter nada a ver com isso, queria ir embora"... Um pensamento difícil de encarar que todo mundo que não faz o que ama já teve pelo menos uma vez. A situação escala de tal forma que no natal de 1945, George não consegue ver nada em sua vida que valha a pena, e nenhuma razão pela qual deveria continuar existindo, e contempla a possibilidade de se suicidar...
É nesse ponto que entra Clarence. O anjo de segunda classe tem esperado por suas asas por dois séculos, e agora ficou decidido que ele deve ajudar George Bailey, e como recompensa receberá suas asas... Mas Clarence Odbody é um sujeito criativo, e nada convencional... E a forma como ele inventa de ajudar George é única: Ele resolve mostrar ao jovem homem como o mundo seria diferente se ele nunca tivesse existido.
Da mesma forma como me surpreendi com o papai noel que não tentava esconder sua verdadeira natureza em O Milagre da Rua 34, aqui a atitude de Clarence, que não esconde o fato de que é um anjo, me surpreendeu... Deve ser coisa desses filmes antigos, mas eu gosto demais disso... Adoro quando um filme tem esses elementos fantásticos e não se preocupa com eles, não fica tentando se moldar a uma concepção limitada de realidade...
A atuação é incrível... O filme te puxa pra dentro da história, você começa a gostar de George Bailey, admirar e conhecer o personagem a ponto de entender suas atitudes antes mesmo de ele realizá-las... Torcemos por George, ou pelo menos eu torci e muito... E a própria idéia por trás do personagem. De ser jovem, de ter sonhos, de querer voar, gritar isso a plenos pulmões e ter várias coisas quebrando suas asas, de se ver preso fazendo algo que pode até se importante mas não é o que se ama, sem perspectiva de mudança, sem propósito, com tudo dando errado... A vida parece estar passando por ele sem que ele tenha tempo de vivê-la, e isso é desesperador! Toda essa situação dialoga comigo num nível muito pessoal, e não foi nada difícil me envolver com esse personagem. Sentimos o desespero e a confusão de George junto com ele, e tambpem a felicidade, insegurança, o desejo de aventura, tudo isso... Não houve um único momento em que eu quisesse mal o personagem ou ficasse pensando "que idiota, só vai lá e faz o que você quer". Não... Isso absolutamente não ocorre... Teria sido muito fácil perder om rumo da história e George se tornar um, personagem de quem se tem pena ou raiva, ou ocm quem se fica impaciente, mas isso não acontece em um único momento... O tempo todo estamos com George, vibrando com ele e experimentando - através dele - toda aquela confusão, desespero - torcendo para que as coisas dêem certo no final!
James Stewart é um ator incrível (preciso ver mais filmes dele)! George não é um personagem fácil... Primeiro porque Stewart o interpreta num período de tempo longo (e ele é crível tanto como um pós adolescente como quanto um homem de família, já mais velho)... Não só vemos o personagem crível para cada idade por que passa como vemos uma evolução consistente de sua postura com o passar do tempo. Todas as coisas que ele faz se encadeiam e fazem parte do personagem, as ações de sua juventude explicam o homem que se tornou, e existem elementos constantes, coisas que ele simplesmente é, desde garotinho, que não mudam... É um filme em preto e branco, sem muitos efeitos especiais, focado quase que exclusivamente em um único ator desde o inícil, e é imporssível desgrudar os olhos da tela.
Como sempre, foi uma delícia ver esse filme da década de 40 reparando nas coisas que faziam aquela época única... As roupas dos personagens, George quase sempre de terno e chapéu, exceto quando aparece com uma roupa esportiva. As brincadeiras entre rapazes e moças - a cena de George e Mary com o arbusto e o roupão - a forma como as pessoas conversavam, os telefones antiquados, o baile no fim do ano...
E é claro que o filme tem tudo a ver com o momento em que foi lançado, em 1946, na América pós guerra, na verdade o primeiro filme do autor depois de ter voltado para casa. Um filme que retira toda uma população marcada pela morte e sofrimento da segunda guerra de seu pessimismo e insegurança apresentando um filme sobre sonhos que era mais do que uma propaganda de prosperidade (the American Dream), e se concentrava em enaltecer o valor individual de cada vida humana. As pessoas estavam desiludidas, e It's a Wonderful Life revela que os conceitos de fracasso e sucesso, riqueza e pobreza estavam distorcidos! Ninguém é um fracasso. Life is good... And it's always worth living...
Uma coisa notável é como George Bailey é um cara importante, e para ser grande, nada no filme ter proporções épicas. Ele é um homem. A cidade é uma cidadezinha. Mas mesmo assim, George faz toda a diferença e inegavelmente faz do mundo um lugar melhor. As ações dele - tão altruístas e nada calculadas - tem impacto a kilômetros de distância, na vida de gente que ele nunca vai conhecer!
O filme é muito cativante, George é o tipo de cara que dá vontade de puxar pra fora da tela e conhecer pessoalmente...
And a weird question popped on my mind... I wonder if the girls who saw the movie when it first caem out had a crush on James Stewart... You know... I was just wondering.
O filme é perfeito... Não fazem mais filmes como esse... Fiquei até um pouco pra baixo por não ter conseguido ninguém pra assistir o filme comigo, porque esse tipo de jóia é o tipo que é melhor quando compartilhada... Eu fiquei com vontade de assistir de novo hoje à tarde mesmo... E definitivamente vou assistir mais vezes em todos os natais a partir desse.
Eu me lembro da primeira vez em que assisti a Simplesmente amor... Estava vendo TV com meu irmão, quando tinha uns dezessete anos, passamos por esse filme e ele disse: “dizem que esse filme é legal. Vamos ver?” Eu disse sim...
Verdade que eu não estava lá muito animada... O título do filme, “Simplesmente Amor”, já me deixava com um pé atrás, eu que nunca fui muito ligada em filmes românticos. Mas eu não estava sozinha e decidimos arriscar...
E depois do filme eu só conseguia dizer uma coisa: Wow.
Na verdade, simplesmente amor não é uma única história, mas oito histórias, entrelaçadas de uma forma ou de outra, todas as quais acontecem no natal, e tem algo a ver com a data, e com as diferentes formas em que o amor pode se manifestar: entre pais e filhos, amigos, namorados, maridos e esposas,... amores infantis, antigos, proibidos e complicados...
Billy Mack and Joe
A primeira história é a de Billy Mack, um astro do rock ultrapassado, ex-viciado em drogas, interpretado por Bill Nighy que está tentando um come-back a qualquer custo regravando “Love is all Arround you” (The Troggs) como “Christmas is all around you” e entrando na competição para melhor single de natal do ano... A música não é nenhum produto de genialidade de Billy, pelo contrário é claramente um esquema, e o próprio Billy não esconde isso de ninguém.
“We both know, the record is crap!”
Mas ele está determinado e promote inclusive tocar a música completamente pelado na TV na véspera de natal se ele for o número 1...
Billy não está exatamente ligado a nenhum dos outros personagens... Não conhece ninguém. Mas é ele que os outros assistem na TV (inclusive o fato de o clip dele estar na TV é muito importante em uma cena de outro personagem), e o que escutam no rádio e faz sentido...
Na verdade a competição para ser o melhor single do natal era algo importante na Inglaterra até pouco tempo atrás. Realmente havia uma disputa... Mas nos últimos anos a final do X-Factor sempre era mais ou menos no natal, e o single campeão era sempre o do X-Factor, por isso a coisa toda perdeu um pouco a graça. Mas ver Billy competindo pra ser o número 1 faz pensar que seria legal se o concurso voltasse a ser o que era... A cena de Billy num talk show falando sobre como vai aparecer pelado na TV na véspera de natal é pequenininha, e uma das melhores do filme! A atuação de Bill N é perfeita, parece mesmo que ele não está nem aí com nada... Very rock n’ roll...
Juliet, Peter e Mark Juliet e Peter acabaram de se casar... O casamento (uma das primeiras cenas do filme) foi incrível com uma surpresa maravilhosa preparada pelo melhor amigo de Peter, e padrinho do casamento: Mark.
Mas depois do casamento as coisas ficam meio estranhas. Tudo está bem entre os dois amigos, mas Peter fica insistindo para que Peter passe mais tempo com Juliet, converse direito com ela. Ele sabe que o amigo nunca gostou muito de Juliet mas agora eles são casados, e é diferente, eles precisam se dar bem...
O que Peter não sabe, é que Mark tem um segredo...
Essa era talvez a história mais difícil de terminar sem estragar nenhum dos personagens envolvidos, mas Richard Curtis consegue... A história é brilhante. Intensa... A exasperação de Mark quando parece que tudo vai pelos ares e ele sai andando rápido ao som de Here With Me (Dido) é palpável... E o final desse arco é brilhante, o melhor possível e algo que eu nunca teria imaginado.
Colin, Tony and the American Girls... Um dos garçons no casamento de Juliet e Peter era Colin, um inglês magrelo extremamente frustrado romanticamente. Conversando com seu amigo, Tony, Colin chega à conclusão de que o problema são as garotas britânicas. Elas são muito presas e ele se sente primariamente atraído por meninas mais soltas e leves, menos complicadas... Como garotas americanas... Certamente qualquer bar nos estados unidos teria dezenas de garotas que mais provavelmente dormiriam com ele do que todas as garotas do Reino Unido!
A solução do seu dilema é então obvia: Ele precisa ir para os estados unidos! Tony acha uma má idéia, mas Colin aparece na porta dele com uma mochila enorme e uma passagem de avião para um lugar cheio de aventura....
Assim que o avião pousa, Colin entra num taxi e pede que o motorista o leve a um bar... Qualquer bar tipicamente americano. E as coisas se desenrolam de uma forma totalmente inesperada (and awesome!) a partir daí...
Jack and Judy
O amigo de Colin, Tony é diretor de filmes pornográficos, e atualmente está trabalhando em um filme com dois atores novos, John (Martin Freeman) e Judy que se conheceram nas filmagens. Os dois discutem a vida do novo primeiro ministro enquanto fazem suas cenas juntos... Na verdade, os dois são surpreendentemente tímidos, e ficam encantados de encontrar um ao outro, alguém com quem podem simplesmente conversar durante aquelas cenas constrangedoras... E eles ficam a fim um do outro, mas os dois sçao tímidos demais para tomar a iniciativa, e apesar das cenas que os dois fazem juntos no filme de Tony, longe das câmeras o namorico deles parece um namoro de escola entre um menino e uma menina que nunca namoraram antes...
David and Natalie
O primeiro ministro – sobre quem John e Judy conversam – acabou de assumir apenas um pouco antes do natal. David (Hugh Grant) é um cara jovem, tímido, ainda inseguro no cargo que acaba de assumir que acaba, desde o primeiro dia, inadvertidamente apaixonado por Natalie, a responsável pelos serviços de alimentação do escritório (catering manager), uma funcionária nova, igualmente nervosa e insegura com o cargo... Ele tem certeza de que isso é altamente inapropriado... E como se não bastasse o momento também não é muito adequado. Ele está no meio de uma negociação com o desagradável presidente norte-americano, cuja companhia é um desafio mesmo para a presença dócil de David (O Presidente americano é um cara absurdamente detestável - se encaixaria direitinho em House of Cards)... E não é como se ele tivesse alguém para ajuda-lo... Quando não está trabalhando David passa o tempo sozinho na casa enorme, inclusive abrindo sozinho uma seleção dos cartões de natal dos funcionários – os únicos que recebeu. Essa é uma história bem legal também, cheia de momentos surpreendentes, românticos e engraçados... ...
Harry, Karen and Mia
O primeiro ministro tem uma irmã mais nova, Karen (Emma Thompson), que mora em Londres também, embora por causa do trabalho dele eles não se falem muito (aliás, uma das poucas coisas que acho que poderia ser acrescentada era uma cena entre os dois irmãos, acho que acrescentaria algo ao filme, inclusive dentro da idéia de todas as formas possíveis de amor, porque não vemos muito da coisa fraternal )... Ela telefona de vez em quando, e convida David para assistir a peça de natal da escola das crianças, coisas assim...
Karen é casada com Harry (Alan Rickman), diretor de uma agência de design, e tem dois filhos pequenos... Ela pensa um pouco sobre como a vida é diferente da do irmão... Ele dirige o país e ela faz cabeças de papel machê para a peça das crianças. Além disso, o casamento com Harry está um tanto... monótono. E quando a secretária de Harry começa a flertar abertamente com ele e se insinuar para o chefe, ele pode tomar uma decisão que muda a vida da família para sempre.
Essa história é uma das duas histórias mais difíceis de assistir, por vários razões. As coisas que acontecem e as que não acontecem são importantes, e eu achei sobretudo a linha dessa história muito realista... E o fato de que são Alan Rickman e Emma Thompson potencializa o quão boa era a história...
Sarah and Karl Uma das pessoas que trabalha sob a direção de Harry é Sarah, uma amiga dele (ele chega a dar conselhos a ela em algumas cenas e ela conversa com Karen também, sugerindo que é próxima da família), que acontece de ser perdidamente apaixonada pelo chief-designer da empresa, Karl, desde que ele se juntou ao time... E parece que Karl sabe dos sentimentos dela. Mas Sarah está sempre distraída porque seu telefone não para de tocar, o que poderia fazer com que ela recebesse tantas ligações assim? Essa é uma história bem difícil de assistir... O tipo de história em que nem os personagens envolvidos parecem saber se estão fazendo a coisa certa, só vão vivendo... Mas o fato de esse filme ter histórias leves e histórias difíceis é uma das coisas que fazem dele um grande filme...
Daniel e Samuel
Karen tem melhor amigo, Daniel (Lian Neeson). Daniel ficou viúvo recentemente, quando sua esposa, Joana, morreu de um câncer... Embora eles tenham tido tempo para se preparar para esse momento, planejar o funeral e tudo que aconteceria, Daniel não se sente nem um pouco pronto para lidar com a situação. Quanto para cuidar de Sam, filho de Joana de outro relacionamento, de quem agora ele é o pai adotivo. Daniel está completamente inseguro sobre a coisa toda de ser pai adotivo sem joana por perto (e sem dar spoillers, vou dizer que ele não precisava se sentir inseguro... Daniel é um dos melhores pais que eu já vi, ficcionais ou não, um dos poucos que consegue tratar o filho como um indivíduo).
Sam não parece estar lidando muito bem com a morte da mãe... Ele fica o tempo inteiro dentro do quarto, não fala nada com ninguém, não tem amigos... E Daniel não sabe mais o que fazer... Assistir os dois descobrindo isso é uma das minhas coisas preferidas nesse filme
Jamie e Aurelia
Jamie (Colin Firth) é um escritor e um dos amigos que estavam no casamento de Peter e Juliet. Na verdade ele nem queria ir ao tal casamento, porque a jovem esposa estava doente (com uma gripe forte em casa), mas ela mesma o estimulou a ir... Quando volta para casa entretanto, para checar a condição da esposa entre a cerimônia na igreja e a festa de casamento, Jamie descobre um segredo que acaba levando a seu divórcio...
O escritor vai sozinho para uma casa que tem no sul da França, trabalhar em um livro de crime até que chegue o natal... E lá ele contrata uma moça para limpar o lugar... Aurélia. Uma moça portuguesa que não fala uma palavra de inglês.
Nenhum dos dois entende uma palavra do outro, e as interações deles se resumem a sorrisos e olhares, além do momento no fim de cada dia em que Jamie a leva de volta para casa...
As cenas em que os dois estão falando, cada um na própria lingua, dialogando mesmo sem saber, são perfeitas, divertidas, românticas, leves e cheias de significado, tudo ao mesmo tempo. Essa, junto com a história de Sam e Daniel é a minha preferida, e sem dúvida a mais romântica de todas...
Rufus
Rufus (Roan Atkinson - alumn da Universidade de Newcastle lol - estava com a camiseta da Uni assistindo esse filme hoje) é um curinga no filme... E isso é tudo que vou dizer dele. As duas últimas histórias (os finais delas duas - que por sinal são apresentados meio que juntos), e a presença dele são, na minha opinião as melhores coisas desse filme
Simplesmente Amor é um dos meus filmes preferidos, e não estou nem falando apenas de filmes de natal... Ele conseguiu se alçar ao nível de esqueceram de mim, e Willow, dois filmes que eu assistia toda semana por anos quando era menor (uma vantagem que nenhum outro filme nunca vai ter)... As histórias seu lindas, o roteiro é incrível (fez eu me tornar fã de Richard Curtis e querer conhecer todo trabalho do cara) e eu definitivamente recomendo como filme que deve ser assistido todo natal, e de novo e de novo, e de novo...
"Christmas is not just a day. It’s a frame of mind."
Muitos filmes de natal tem um personagem coadjuvante misterioso, que parece conhecer todo mundo e invariavelmente torna o ambiente melhor a seu redor, que nós sempre suspeitamos ser o Papai Noel disfarçado (às vezes um anjo), andando entre as pessoas comuns... O Milagre da Rua 34 começa justamente com o Papai Noel andando pelas ruas de New York, mas ele não parece muito preocupado com disfarces. Na verdade, o velhinho se dá ao trabalho de bater em uma loja fechada para explicar ao funcionário arrumando as decorações de natal na vitrine que ele está alinhando as renas na posição errada! Afinal, Comet deveria estar à direita!
Mas o papai noel (que se chama Kris Kringle, by the way – em 1947 ainda não tinha começado a moda de chamar o Papai Noel de Nick nos filmes) não para por aí... Ele passa por entre as pessoas que participarão do desfile, observando-as na rua, e esbarra no homem que interpretaria o papai noel da Macy’s (uma loja de departamentos americana). Só que o homem está embriagado! E Kris fica possesso com isso! Ele procura a organizadora do desfile, Doris, para dar parte do homem! Doris fica desolada. É uma catástrofe! Afinal, as crianças estão esperando para ver o Papai Noel há várias semanas, ele não pode desapontá-las... Mas como sair daquela situação? Ora, o estranho que veio falar com ela (Kris), parecia-se tanto com o Papai Noel (afinal ele é o verdadeiro, embora Doris não saiba) que ela decide pedir a ele. E ele aceita, pelas crianças...
Kris fica desolado com as coisas que ele vê enquanto está em Nova York... O Natal se transformando em algo puramente comercial, a sua figura sendo representada por homens bêbados e apenas para fins lucrativos... O natal, ele diz, não é um dia do ano, é uma forma de pensar... E é essa forma de pensar que está mudando... Ele precisa fazer alguma coisa...
A oportunidade aparece quando decidem contratá-lo para trabalhar na Macy’s como Papai Noel depois do sucesso que ele fez no desfile. É a própria Doris quem o contrata, apesar de achar o sujeito meio excêntrico...
E ela não poderia achar nada diferente. Doris é uma mulher jovem divorciada, criando sozinha uma filha pequena em Nova York (às vezes me surpreendo com o tipo de história que eles tinham nos anos 40...) Doris é extremamente cética, e algo estóica, e faz o possível para que a filha, Suzie, seja assim também. Ela se propõe a contar a verdade a Suzie sobre tudo, e não perde tempo com contos de fadas ou cartas para o papai noel. Como resultado disso, Suzie é uma garotinha séria, e bastante precoce para a sua pouca idade...
Quando precisa coordenar o desfile de ação de graças e não tem com quem deixar a filha, o vizinho se oferece para cuidar da garotinha. Fred Gailey, o vizinho de Doris, escuta as opiniões da pequena Suzie com atenção enquanto os dois assistem ao desfile da janela. O diálogo entre os dois diz muito sobre a personalidade da menininha.
FRED (Pointing at a big balloon shaped like a baseball player): He certainly is a giant, isn't he?
SUZIE: Not really. There are no giants, Mr. Gailey.
FRED: Maybe not now, Suzie... but in olden days, there were a lot of... What about the giant that Jack killed?
SUZIE: Jack? Jack who?
FRED: "Jack and the Beanstalk."
SUZIE: I never heard of that.
FRED: You must've heard that. You've just forgotten. It's a fairy tale.
SUZIE: Oh, one of those. I don't know any.
FRED: Your mother and father must have told you a fairy tale.
SUZIE: No. My mother thinks they're silly.I don't know whether my father thinks they're silly or not. I never met my father. My father and mother were divorced when I was a baby.
Fred e Suzie... À Esquerda os dois assistem ao desfile juntos da janela do apartamento... As duas outras imagens mostram Fres, Suzie e o Papai Noel.
Fred não entende muito bem a atitude de Suzie... E um dia, quando seoferece para leva-la até o trabalho da mãe ele aproveita que já estão na Macy’s e leva Suzie para ver o Papai Noel, na esperança de colocar um pouquinho de magia natalina na vida da menina de quem ele gosta muito... Mas ao se ver na frente do bom velhinho (que acontece de ser o verdadeiro papai noel), Suzie diz apenas que sabe que ele não é o verdadeiro e que a barba dele é bem realística! Doris vê os dois de longe e fica muito irritada com Fred por ter colocado a filha na fila... Ela não quer que Suzie fique confusa com histórias fantasiosas como o mito de um papai noel.
Fred fica desolado por ter aborrecido Doris... Ele é caidinho pela vizinha ainda que ache estranha a atitude dela com a filha... Mas Fred é totalmente diferente. Ele não tem dificuldade nenhuma em acreditar que Kris possa ser mesmo o papai noel de verdade, pelo menos, em todas as coisas intangíveis que o Natal representa... Doçura, alegria, amor... As únicas coisas que valem a pena. Fred fica tão encantado com kris que se oferece para recebe-lo em sua casa quando ele precisa de um lugar para ficar...
Kris percebe que Fred gosta de Doris, mas que o homem está perdendo as esperanças de conquista-la... O próprio Kris está decidido a fazer com que Doris e Suzie voltem a acreditar na magia do natal, se ele conseguir isso, conseguirá com todos os outros! Então faz um acordo com Fred... Eles serão parceiros... Kris cuidará de Suzie e Fred de Doris...
KRIS: You're right about Mrs. Walker.A little more effort and she might crawl out of that shell. Take her to dinner, the theater.
FRED: I've tried that. She's always too busy with her job.
KRIS: Try a little harder.Those two are lost souls. It's up to us to help them. I'll take care of Suzie if you take care of her mother.
FRED: It's a deal.
À esquerda, Fred em ação como advogado, defendendo Kris no tribunal. No meio ele e Doris, em cores e á direita o carinho de Fred com Suzie
O Milagre da Rua 34 é um clássico de natal... Eu nunca tinha assistido antes, mas é um daqueles filmes que sempre digo que vou assistir no próximo natal e acabo esquecendo... Aliás, esse é o principal tema dessa maratona,... Filmes que eu quero assistir há um bom tempo e não paro de empurrar para frente. Não me arrependi de ter assistido esse hoje... O filme é muito divertido, e em algum lugar no meio tem até um julgamento, em que Fred (meu personagem preferido) se dispõe a defender Kris e provar diante da coorte que ele é sim o verdadeiro Papai Noel, e que vale a pena acreditar na magia do natal.
O roteiro do filme é fantástico, e ganhou o Oscar de 1947. Hoje tem é claro, o charme de desenhar o que eram os anos 40, nos penteados e roupas dos personagens, os homens sempre de terno e chapéu até as crianças vestidas de modo que hoje seria considerado mais ou menos formal... Os comportamentos também são outros. Quando Doris entra numa reunião dos chefes na loja, todos homens, todos eles se levantam, embora ela seja hierarquicamente inferior a todos eles na estrutura administrativa da Macy’s.
A própria atitude de Doris, seu ceticismo e desaprovação das atitudes “juvenis” de Fred, que se apoia totalmente em seu idealismo e nas coisas inefáveis que acredita serem as que mais valem a pela, toda essa insegurança também reflete o status dela de mulher jovem, divorciada com uma filha na sociedade nova-iorquina dos anos 40.
Mas já naquela época o roteiro era incrível, principalmente em razão dos temas que se podem ler nas entrelinhas. A crítica ao materialismo do Natal é só a camada mais superficial da história. O julgamento de Kris é na verdade um julgamento do próprio natal, de tudo aquilo que ele representa e da nossa atitude enquanto sociedade em relação a isso. Os argumentos que Fred usa – mesmo ele, o idealista Fred, que acredita mais do que Suzie na magia do natal – são argumentos de autoridade que refletem as coisas em que a sociedade do seu tempo acreditava e valorizava: autoridade governamental, a palavra de importantes homens de negócios (no caso o dono da Macy’s).
A um determinado momento, Kris resolve desistir e permitir que o internem num hospício devido a sua crença inabalável de que ele é sim o Papai Noel. Ele se sente desencorajado quando percebe que Doris nunca acreditou nele de verdade, estava apenas tratando-o como um velho senil. Diz que se os homens desonestos e egoístas que estão lá fora são sadios, ele certamente deve se sentir melhor entre os loucos (o que lembra um pouco as reviravoltas na cabeça de Simão Bacamarte em O Alienista, não?). A forma como ele é colocado no hospício diz muito... Em um “teste mental” ele deliberadamente responde que o primeiro presidente dos Estados Unidos era Calvin Coolidge e não George Washington... Isso é uma exageração do que acontece na verdade, mas é também uma crítica eficiente ao modo como o sistema psiquiátrico funciona, à nossa necessidade de rotular e classificar as coisas e sobretudo as pessoas. Hoje, uma plateia desavisada poderia pensar que esse “teste mental” e a forma como Kris deliberadamente falha no teste não passam de “alívio cômico”, mas em 1947, com advogados da reforma psiquiátrica expondo os abusos médicos e ganhando cada vez mais força, uma interpretação leviana desse elemento do roteiro seria ingênua.
A cena em que o papai noel conversa com uma garotinha holandesa na língua dela (porque ela era uma órfã que acabara de ser adotada e não falava inglês), é mágica até hoje (finalmente descobri de onde veio a idéia da cena da leitura de Nick em Single Santa Seeks Mrs. Claus), mas dialogava diretamente com as audiências de 1947. O mundo acabara de sair da segunda guerra mundial, e havia órfãos europeus em quantidade, inclusive alguns sendo adotados por famílias americanas. Além disso, a mensagem de que o Papai Noel fala todas as línguas e pertence a todos os povos é universal e muito relevante até hoje...
O romance do filme também é muito bem descrito... Nada muito óbvio, quase não há cenas de beijo quanto menos algo além disso, mas torcemos pelos protagonistas o tempo todo (ou pelo menos para que Fred fique com a garota). De muitas formas os dois se completam e Fred pode ensinar a Suzi coisas que Doris parece ter esquecido: como por exemplo como ser uma criança e acreditar nas coisas mesmo sem prova nenhuma de que elas existem. A amizade de Fred e Suzie é sincera, e o interesse de Fred na menina vai além de sua atração pela mãe dela, como fica claro quando ele insiste em levar Suzie para ver o Papai Noel.
Assistindo o filme hoje, não pude deixar de pensar em como essa história é refrescante... Temos muitas histórias em que o papai noel está disfarçado entre as pessoas comuns, tentando não parecer ser o que é, justamente porque ninguém acreditaria... E aqui temos o papai Noel completamente despreocupado em “ser descoberto”, recusando-se a negar sua identidade, independentemente dos riscos...
Eu adorei esse filme... E é cheio de magia natalina e eu definitivamente recomendo a todo mundo assistir pelo menos uma vez...
Fitz é um homem velho agora, mas no natal de 1944 ele tinha 12 anos de idade. É a voz dele que abre Silent Night, um filme do Hallmark de 2002. Ele está se lembrando...
Em 1944, a Europa estava em Guerra. Seu irmão mais velho morreu na batalha de Stalingrado, seu pai está no front, incomunicável, e colegas apenas dois meses mais velhos que ele já tinham recebido os papéis de convocação. É por isso que ele e a mãe saíram da cidade sob bombardeio e estão caminhando na neve, para mais perto do front. Elizabeth sabe que Fitz será convocado em breve e como não tem o menor desejo de perder o filho mais novo para uma guerra em que ela já não acredita, a professora de escola está fugindo com o filho. O menino está pronto para servir (ou pelo menos pensa que está, pressionado pela propaganda de guerra, sem dúvida), e descobre as intenções da mãe logo no início do filme, quando os dois encontram uma pequena casa abandonada para passar a noite.
Elizabeth pede a Fritz que busque seu livro (The adventures of Huckberry Finn) porque está na hora de seus estudos, e Fritz faz birra. O menino não entende porque ele precisa estudar inglês. Afinal em breve ele irá para o front e quando os ingleses forem derrotados, que utilidade terá saber a lingua de um povo conquistado? É o que o
Fuhrer diz e ele tem sempre razão, argumenta Fritz. Sua mãe fica brava... Ela explica ao garoto que o Fuhrer não tem sempre razão e que ela não tem a menor intenção de deixá-lo ir para o front. Aonde eles vão ele precisará saber inglês, e Fritz, resignado,, vai buscar o livro.
É nesse momento que os soldados americanos chegam. Dois deles, carregando um terceiro aos gritos, entram sem bater levando o colega ferido ao quarto e apontando uma arma para Elizabeth e Fritz. Mas o soldado, Jimmy, exita ao reconhecer a capa do livro de Mark Twain caído no chão... Seu superior é ríspido com ele lembrando-lhe de que ela é uma alemã e eles estão em guerra com essas pessoas. Logo chegam mais soldados, três deles, dessa vez alemãos... Todos querem a casa, querem matar uns aos outros e deitar para descansar. Mas Elizabeth, apesar de assustada, é firme. Ela insiste em tratar os homens como convidados em sua casa, e é firme dizendo que as armas devem ficar do lado de fora... Nenhum deles concordou muito prontamente com essa idéia, mas as coisas aconteceram de tal forma que todos se viram desarmados do lado de dentro...
Eles todos juntos, dividindo a ceia de natal e montando a árvore...
O roteiro é muito bom. As coisas acontecem de forma crível. E se em qualquer momento houver a dúvida sobre a probabilidade de algo assim acontecer no meio da Segunda guerra Mundial, basta se lembrar de que essa história é baseada em fatos reais.
Elizabeth assume a liderança... Ela decide que todas as conversas serão em inglês, língua falada por quase todos, exceto um soldado alemão, um menino de 14 anos. Ela pergunta se algum dos alemães tem conhecimentos médicos e o sargento Marcus se adianta ao soldado americano ferido, para ajudá-lo. Ele sabe que é preciso cauterizar o ferimento na perna para estancar o sangramento e ele provavelmente salva a vida do americano...
É Elizabeth também quem prepara a ceia de natal, uma sopa de batatas. Jimmy se anima com a idéia e tira as provisões que tem da mochila para contribuir com a ceia, estimulando os colegas a fazer o mesmo. Fatias de pão, pedaços de salsicha, latas de feijão e pudim de abacaxi e até um prato de cookies são colocados sobre a mesa. Aos poucos a desconfiança entre os homens vai diminuindo. A noite é tensa... A todo momento existe a possibilidade muito real de algo dar errado, e várias vezes um deles perde o controle. O menor detalhe pode colocar fogo em uma situação já potencialmente explosiva... Mas aos poucos eles vão percebendo as coisas que têm em comum. Até uma árvore de natal diminuta é montada, e eles o fazem juntos...
Depois Elizabeth e os mais jovens lavam a louça juntos... Um outro poster do filme, e Elizabeth e Fritz, juntos, ela protegendo o menininho
O filme é muito bonito... O roteiro é bem escrito, e eles não tomam saídas fáceis como demonizar um dos personagens e fazê-lo o vilão da história... os personagens são complexos, principalmente o tenente alemão, eu acho, sobre quem eu não sabia o que pensar na maior parte do tempo. A performance de Linda Hamilton é muito boa... Foi por causa dela que eu quis ver esse filme - não podia perder Sarah Connor interpretando outra mãe forte no cinema. Ela fala alemão nesse filme, o que em si é bem legal, embora eu não possa avaliar o quão realista esse alemão dela era...
De todos os filmes do Hallmark que assisti esse ano, esse foi o mais diferente de todos... Mais uma vez, um filme de guerra, que também é um filme de natal. A principal mensagem dessa história eu acho é simplesmente o fato de que ela aconteceu. Que a guerra, que não para para nada e não se importa com ninguém, parou para o natal, pelo menos uma vez...
Um dos pôsteres do filme com os três oficiais caminhando lado a lado na neve, talvez uma das imagens que mais represente essa história
Em 2014 a Sainsbury’s (uma rede de supermercados inglesa) fez uma parceria com a Royal British Legion em que todos os lucros da venda de uma barra de chocolate de 1 libra iriam para uma caridade de veteranos de guerra... A propaganda desse chocolate, um anúncio que passava não só na TV como nos cinemas em dezembro do ano passado, mostrava soldados com uniformes da primeira guerra, alemães de um lado, ingleses de outro, jogando uma partida de futebol no dia de natal, e dividindo o chocolate em seguida.
O comercial da Sainsbury’s recriou um evento real da primeira guerra, do dia de Natal de 1914, quando soldados de ambos os lados se aventuraram na terra de ninguém para trocar presentes e interagir uns com os outros. Os presentes eram coisas pequenas. Coisas que eles tinham no front: cigarros, comida, álcool, boinas e bottoms. Esse evento, conhecido como a trégua de Natal, consistiu em um cessar fogo não oficial em várias partes do front que começou na véspera de natal e envolveu cerca de 100000 tropas. A artilharia ficou muda e os dois lados celebraram o natal juntos.
Joyeux Noel é um filme sobre esse momento da história mundial.
A primeira cena do filme é extremamente poderosa, com três garotos, crianças, um francês, um britânico e um alemão, repetindo discursos aprendidos de cor sobre a importância de exterminar o inimigo. Três textos com conteúdos altamente patrióticos, enaltecendo um país e condenando os demais, discursos virtualmente idênticos com palavras que se repetiam, exceto que cada menino recitava na própria língua, na frente da classe, como uma oração ou como a tabuada, algo que deveria ser repetido e guardado, aprendido para quando aqueles colegas crescessem e se vissem no front, lutando. Atrás deles, no quadro negro, mapas do mundo e da europa, cada um como elementos diferentes destacados em cores diferentes, de acordo com o que era importante naquele momento naquela parte do mundo...
Na primeira imagem, Anna se levanta para cantar para os homens no meio da missa do padre Palmer. Um outro pôster do filme, com os três oficiais apertando as mãos e selando aquele cessar fogo não oficial. À direita, Nikolaus, de peito aberto, na terra de ninguém, carregando uma diminuta árvore de natal, iluminada com velas...
Depois disso conhecemos os personagens principais da história. Gordon, um tenente dos Fuzileiros reais escoceses; Palmer, um padre escocês que toca gaita de foles; Audebert, um tenente Francês (filho de um general), que relutantemente deixou para trás a esposa grávida com ordens de ir lutar no front; Horstmeyer, um tenente alemão judeu; Nikolaus Sprink, um tenor alemão servindo como soldado e Anna Sorensen, mezzo soprano dinamarquesa, noiva de Nikolaus e como ele, estrela da ópera. O filme mostra todos esses personagens durante o natal de 1914.
Aquele foi o primeiro natal da Primeira Guerra Mundial. Os jovens mandados para o front como soldados foram acreditando que a guerra estaria acabada muito antes disso. Mas as coisas não aconteceram bem assim, e quando chegou o natal ninguém sabia bem como seria. Eu quase consigo imaginar... Como as pessoas deviam estar confusas. O natal é uma data especial, mas aquela guerra terrível não parecia respeitar nada... O que fazer? Celebrar o natal? Esquecer da data?
A missa que uniu todos os homens, inclusive os não católicos. Uniformes diferentes andando lado a lado na neve. A ceia de natal improvisada nas trincheiras.
O filme mostra como esses seis personagens lidam com esse problema. Anna consegue permissão para organizar um recital para as tropas , e Nikolaus é convocado para acompanha-la. Mas ao se deparar com todos aqueles oficiais de uniformes bem alilnhados bebendo champanhe e tomando decisões que matam os rapazes nas trincheiras todos os dias, ele se sente mal. Ele quer voltar para as trincheiras cantar para seus companheiros, e Anna quer acompanha-lo.
As trincheiras estão decoradas para o natal, na medida do possível... A imagem dos homens encolhidos no frio entre as árvores de natal diminutas brilhando com luzes natalinas é outra imagem poderosa. E é nesse cenário que Nikolaus começa a cantar Noite Feliz em alemão.
A voz do tenor ecoa por todo o front, e de dentro de suas trincheiras, os franceses e escoceses escutam a música ao longe. A maioria deles não entende a letra mas eles conhecem a melodia. A música é a linguage que une todos eles. Palmer toca um pedaço da melodia em sua gaita de foles, de dentro da trincheira dos escoceses, e logo os dois estão cantando e tocando juntos, numa ensemble improvisada, durante a qual Nikolaus entra sozinho, de peito aberto na terra de ninguém, carregando uma das árvores de natal. “Good evening, Englishmen,” ele grita, e os britânicos respondem: “Good evening, but we’re not Englishmen, we’re Scottish.”
O momento é permeado de tensão. A qualquer segundo, alguém podia cometer um erro. Bastava que um soldado nervoso puxasse o gatilho, e tudo estaria acabado. Nikolaus cairia na lama e nada do que aconteceu depois tomaria lugar.
Mas os oficiais dos três lados, Gordon, Audebert e Horstmeyer, sem qualquer ordem dos superiores, decidem por um cessar fogo na véspera de natal. E uma multidão de homens emerge das trincheiras, fraternizando com os colegas do outro lado do campo de batalha. Não demora muito para que eles percebam que têm coisas em comum. Carregam fotos das esposas, que mostram uns aos outros com orgulho. Deram nome ao gato que parece migrar de uma trincheira à outra. Estão curiosos uns sobre os outros. Têm saudades de casa...
Na verdade, qualquer um dos homens ali, francês, escocês ou alemão têm mais em comum uns com os outros do que com os oficiais tomando decisões na retaguarda, como Audebert tem a chance de dizer a seu pai.
"The country? What does it know of what we suffer here? Of what we do without complaint? Let me tell you, I felt closer to the Germans than those who cry, "Kill the Krauts!" before their stuffed turkey!"
Os oficiais francês e alemão acompanhando a mezzo-soprano Anna. No meio o tenente Audebert (provavelmente meu personagem preferido) e à direita o padre Palmer com sua gaita de foles.
Essa proximidade é mais notável entre os oficiais. Eles falam a língua um do outro, visitaram os países um do outro. Eu já tinha pensado sobre isso quando li Queda de Gigantes que também mostra a trégua de Natal de 1914 em que Walter von Ulrich e Fitz se encontram de lados opostos do front.
Esses dois eram amigos. Em Joyeux noel, embora Horstmeyer e Audebert não se conhecessem, conheciam a mesma região de Paris, em que o tenente francês mora. A esposa de Horstmeyer é francesa (era inevitável mesmo que muitos dos homens na guerra fossem casados com mulheres nascidas em nações inimigas... A Europa é tão internacional...) O alemão até se oferece para enviar uma carta de Audebert à esposa, de quem ele não tem notícias desde setembro.
Palmer celebra uma missa de natal, e a maioria dos homens participa, mesmo Horstmeyer, que é judeu. Anna canta para os homens ali reunidos, e o oficial alemão diz a ela que nunca vai esquecer a voz dela naquela noite. Palmer acha que essa é provavelmente a missa mais importante da sua vida, quando, no meio da guerra ele não pregou a morte e destruição de qualquer forma, nem dos soldados inimigos. E uma porção de cartas chega na inteligência com todo tipo de notícia. Em apenas uma noite, os homens ficaram amigos. Trocaram endereços para se visitarem depois da guerra. Contaram histórias uns aos outros. Jogaram cartas, e uma partida de futebol...
O filme não pode ser culpado, entretanto de embelezar a guerra de qualquer modo. Houve aqueles que escolheram não fraternizar com o inimigo e se recolheram em suas trincheiras... Depois que a trégua havia acabado, houve aquele que deu o primeiro tiro para matar. Assim como essas pessoas existiram na vida real.
Fanart delicada com o tema do filme que achei no deviantart (french-hetalians)
Existe o argumento de que depois de alguns dias (em alguns locais a trégua se estendeu até o dia de Reis), a artilharia tornou a atacar, e os homens voltaram a se matar uns aos outros. A guerra duraria bem mais que os poucos meses prometidos aos rapazes, e nos próximos natais, temerosos de uma repetição desse evento não planejado, os oficiais redobrariam a severidade com qualquer sugestão de fraternização. É verdade que em pouco tempo teria lugar a batalha do Somme, a batalha mais devastadora que se vira até então em que milhares de soldados perderiam a vida. É verdade que aqueles que fraternizaram com o inimigo naquele natal foram punidos, e mandados para longe, para o front oriental... É verdade que para aquela única missa celebrada com palavras de união, dúzias de outras missas seriam celebradas em que meninos recrutados ouviriam as preleções de um padre velho sobre como matar o inimigo é o caminho para o céu. Tudo isso é verdade.
Mas aquele primeiro natal aconteceu. A trégua foi real, e foi uma iniciativa dos homens que estavam matando e morrendo no front.
Naquele primeiro natal, no mês frio de dezembro de 1914, os homens largaram as armas e celebraram o natal juntos. Essa iniciativa dos próprios militares do front, no meio daquela, que foi a guerra mais terrível que o mundo conhecera até então (uma guerra estranha em que a cavalaria perdera a importância e a pá por vezes superava o rifle), é um símbolo poderoso. Aquilo existiu. Foi real. E nada jamais pode apagar isso da história.
O símbolo disso no filme é a melodia aprendida com os escoceses, I’m Dreaming of Home...
"This is no foreign sky / I see no foreign light / But far away am I / From some peaceful land / I'm longing to stand / A hand in my hand / ...forever I'm dreaming of home / I feel so alone, I'm dreaming of home"
Joyeux Noel foi indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2005, e mereceu totalmente a indicação. É um filme forte, um filme de guerra que é também um filme de natal. Não é de modo algum um filme leve. As imagens e as músicas, as cenas são poderosas, feitas para causar uma impressão duradoura. Por outro lado... Os soldados sozinhos decidindo pela paz na noite de véspera de natal... Não há muitas coisas mais mágicas do que isso... Se aqueles homens fossem consultados, a guerra não teria durado mais 4 longos anos como durou...
A escolha de ter cantores de ópera entre os personagens principais merece aplauso. As cenas em que os dois cantam são incríveis. Mesmerizantes. Como talvez tenha sido assistir a performances como essas no front, há 101 anos.
Outra coisa legal é o fato de esse ser um filme europeu, em que as três línguas são faladas. Frances, Alemão e Inglês (com o sotaque da escócia, naturalmente)
No final, gostei bastante do filme. Não é um filme feliz, ou feito para ser uma comédia leve. É um filme de natal, e é um filme de guerra, e talvez por isso mesmo deva ser assistido.