Tuesday, 22 December 2015

Christmas | Silent Night, 2002

Fitz é um homem velho agora, mas no natal de 1944 ele tinha 12 anos de idade. É a voz dele que abre Silent Night, um filme do Hallmark de 2002. Ele está se lembrando...


Em 1944, a Europa estava em Guerra. Seu irmão mais velho morreu na batalha de Stalingrado, seu pai está no front, incomunicável, e colegas apenas dois meses mais velhos que ele já tinham recebido os papéis de convocação. É por isso que ele e a mãe saíram da cidade sob bombardeio e estão caminhando na neve, para mais perto do front. Elizabeth sabe que Fitz será convocado em breve e como não tem o menor desejo de perder o filho mais novo para uma guerra em que ela já não acredita, a professora de escola está fugindo com o filho. O menino está pronto para servir (ou pelo menos pensa que está, pressionado pela propaganda de guerra, sem dúvida), e descobre as intenções da mãe logo no início do filme, quando os dois encontram uma pequena casa abandonada para passar a noite. 

Elizabeth pede a Fritz que busque seu livro (The adventures of Huckberry Finn) porque está na hora de seus estudos, e Fritz faz birra. O menino não entende porque ele precisa estudar inglês. Afinal em breve ele irá para o front e quando os ingleses forem derrotados, que utilidade terá saber a lingua de um povo conquistado? É o que o
Fuhrer diz e ele tem sempre razão, argumenta Fritz. Sua mãe fica brava... Ela explica ao garoto que o Fuhrer não tem sempre razão e que ela não tem a menor intenção de deixá-lo ir para o front. Aonde eles vão ele precisará saber inglês, e Fritz, resignado,, vai buscar o livro.

É nesse momento que os soldados americanos chegam. Dois deles, carregando um terceiro aos gritos, entram sem bater levando o colega ferido ao quarto e apontando uma arma para Elizabeth e Fritz. Mas o soldado, Jimmy, exita ao reconhecer a capa do livro de Mark Twain caído no chão... Seu superior é ríspido com ele lembrando-lhe de que ela é uma alemã e eles estão em guerra com essas pessoas. Logo chegam mais soldados, três deles, dessa vez alemãos... Todos querem a casa, querem matar uns aos outros e deitar para descansar. Mas Elizabeth, apesar de assustada, é firme. Ela insiste em tratar os homens como convidados em sua casa, e é firme dizendo que as armas devem ficar do lado de fora... Nenhum deles concordou muito prontamente com essa idéia, mas as coisas aconteceram de tal forma que todos se viram desarmados do lado de dentro... 

Eles todos juntos, dividindo a ceia de natal e montando a árvore...
O roteiro é muito bom. As coisas acontecem de forma crível. E se em qualquer momento houver a dúvida sobre a probabilidade de algo assim acontecer no meio da Segunda guerra Mundial, basta se lembrar de que essa história é baseada em fatos reais. 

Elizabeth assume a liderança... Ela decide que todas as conversas serão em inglês, língua falada por quase todos, exceto um soldado alemão, um menino de 14 anos. Ela pergunta se algum dos alemães tem conhecimentos médicos e o sargento Marcus se adianta ao soldado americano ferido, para ajudá-lo. Ele sabe que é preciso cauterizar o ferimento na perna para estancar o sangramento e ele provavelmente salva a vida do americano... 

É Elizabeth também quem prepara a ceia de natal, uma sopa de batatas. Jimmy se anima com a idéia e tira as provisões que tem da mochila para contribuir com a ceia, estimulando os colegas a fazer o mesmo. Fatias de pão, pedaços de salsicha, latas de feijão e pudim de abacaxi e até um prato de cookies são colocados sobre a mesa. Aos poucos a desconfiança entre os homens vai diminuindo. A noite é tensa... A todo momento existe a possibilidade muito real de algo dar errado, e várias vezes um deles perde o controle. O menor detalhe pode colocar fogo em uma situação já potencialmente explosiva... Mas aos poucos eles vão percebendo as coisas que têm em comum. Até uma árvore de natal diminuta é montada, e eles o fazem juntos...

Depois Elizabeth e os mais jovens lavam a louça juntos... Um outro poster do filme, e Elizabeth e Fritz, juntos, ela protegendo o menininho
O filme é muito bonito... O roteiro é bem escrito, e eles não tomam saídas fáceis como demonizar um dos personagens e fazê-lo o vilão da história... os personagens são complexos, principalmente o tenente alemão, eu acho, sobre quem eu não sabia o que pensar na maior parte do tempo. A performance de Linda Hamilton é muito boa... Foi por causa dela que eu quis ver esse filme - não podia perder Sarah Connor interpretando outra mãe forte no cinema. Ela fala alemão nesse filme, o que em si é bem legal, embora eu não possa avaliar o quão realista esse alemão dela era... 

De todos os filmes do Hallmark que assisti esse ano, esse foi o mais diferente de todos... Mais uma vez, um filme de guerra, que também é um filme de natal. A principal mensagem dessa história eu acho é simplesmente o fato de que ela aconteceu. Que a guerra, que não para para nada e não se importa com ninguém, parou para o natal, pelo menos uma vez... 


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