
Eu assisti It's a Wonderful Life hoje pela primeira vez, na manhã de natal...
Estava guardando esse filme já há algum tempo. Sabia que era um clássico de natal, e conhecia a história por alto - vendo referências como a que por exemplo foi feita naquele episódio de Natal de Big Bang Theory, em que ficam imaginando como seria se não conhecessem o Sheldon... Mas nada disso é a mesma coisa que assistir o filme.
E o filme é perfeito. Eu não acho que tenha visto nada como esse filme antes...
A história começa com um anjo, Clarence, assistindo a vida de George Bailey... George Bailey nasceu e cresceu em Bedford Falls, uma cidadezinha americana no estado de New York. Seu pai fundou uma empresa de empréstimos e construção de casas, a Building & Loan, que trabalha à moda antiga, aceitando o caráter das pessoas como garantia de que será feito um pagamento e oferecendo casas decentes a preços justos para tirar os moradores das favelas. Ele tem um único inimigo, o usurário senhor H. Potter, dono das favelas e da maioria das empresas da cidade, que cobiça a Building & Loan desde que foi fundada. Mas o sr. Bailey acredita que está fazendo a diferença na cidade, ainda que saiba que o negócio nunca vai fazer dele o homem mais rico de Bedford Falls.
George não é nada como o pai. Ele não entende porque o pai insiste na companhia e não tem a menor intenção de ficar preso naquela cidadezinha sem futuro. Ele quer viajar para vários lugares, conhecer culturas diferentes, ir para a universidade e estudar para fazder grandes coisas, construir grandes pontes e edifícios, mudar o mundo! O trabalho de seu pai nunca permitiria que o velho juntasse dinheiro para ele ir à faculdade, então George trabalha para comprar uma passagem para uma viagem à Europa e depois pagar os custos de um curso universitário. Nesse tempo de trabalho, a maioria de seus amigos já volta para a cidade com um diploma, e George continua parado no mesmo lugar, esperando pacientemente a sua hora...
Mas a vida é imprevisível, e várias sequências de acontecimentos distintas, são as responsáveis por atrasar cada vez mais os planos de George. A própria índole do rapaz - que coloca as outras pessoas à frente de si próprio com frequência - contribui para isso, e cada vez mais ele se vê preso numa vida que não planejou, sem desistir de seus planos anteriores, que se tornam desejos reprimidos em seu coração. Ele chega naquele ponto difícil em que todas as coisas estão dando errado, e o pensamento que lhe ocorre é: "e eu nem gosto de nada disso, nem queria ter nada a ver com isso, queria ir embora"... Um pensamento difícil de encarar que todo mundo que não faz o que ama já teve pelo menos uma vez. A situação escala de tal forma que no natal de 1945, George não consegue ver nada em sua vida que valha a pena, e nenhuma razão pela qual deveria continuar existindo, e contempla a possibilidade de se suicidar...
É nesse ponto que entra Clarence. O anjo de segunda classe tem esperado por suas asas por dois séculos, e agora ficou decidido que ele deve ajudar George Bailey, e como recompensa receberá suas asas... Mas Clarence Odbody é um sujeito criativo, e nada convencional... E a forma como ele inventa de ajudar George é única: Ele resolve mostrar ao jovem homem como o mundo seria diferente se ele nunca tivesse existido.
Da mesma forma como me surpreendi com o papai noel que não tentava esconder sua verdadeira natureza em O Milagre da Rua 34, aqui a atitude de Clarence, que não esconde o fato de que é um anjo, me surpreendeu... Deve ser coisa desses filmes antigos, mas eu gosto demais disso... Adoro quando um filme tem esses elementos fantásticos e não se preocupa com eles, não fica tentando se moldar a uma concepção limitada de realidade...
A atuação é incrível... O filme te puxa pra dentro da história, você começa a gostar de George Bailey, admirar e conhecer o personagem a ponto de entender suas atitudes antes mesmo de ele realizá-las... Torcemos por George, ou pelo menos eu torci e muito... E a própria idéia por trás do personagem. De ser jovem, de ter sonhos, de querer voar, gritar isso a plenos pulmões e ter várias coisas quebrando suas asas, de se ver preso fazendo algo que pode até se importante mas não é o que se ama, sem perspectiva de mudança, sem propósito, com tudo dando errado... A vida parece estar passando por ele sem que ele tenha tempo de vivê-la, e isso é desesperador! Toda essa situação dialoga comigo num nível muito pessoal, e não foi nada difícil me envolver com esse personagem. Sentimos o desespero e a confusão de George junto com ele, e tambpem a felicidade, insegurança, o desejo de aventura, tudo isso... Não houve um único momento em que eu quisesse mal o personagem ou ficasse pensando "que idiota, só vai lá e faz o que você quer". Não... Isso absolutamente não ocorre... Teria sido muito fácil perder om rumo da história e George se tornar um, personagem de quem se tem pena ou raiva, ou ocm quem se fica impaciente, mas isso não acontece em um único momento... O tempo todo estamos com George, vibrando com ele e experimentando - através dele - toda aquela confusão, desespero - torcendo para que as coisas dêem certo no final!
James Stewart é um ator incrível (preciso ver mais filmes dele)! George não é um personagem fácil... Primeiro porque Stewart o interpreta num período de tempo longo (e ele é crível tanto como um pós adolescente como quanto um homem de família, já mais velho)... Não só vemos o personagem crível para cada idade por que passa como vemos uma evolução consistente de sua postura com o passar do tempo. Todas as coisas que ele faz se encadeiam e fazem parte do personagem, as ações de sua juventude explicam o homem que se tornou, e existem elementos constantes, coisas que ele simplesmente é, desde garotinho, que não mudam... É um filme em preto e branco, sem muitos efeitos especiais, focado quase que exclusivamente em um único ator desde o inícil, e é imporssível desgrudar os olhos da tela.
Como sempre, foi uma delícia ver esse filme da década de 40 reparando nas coisas que faziam aquela época única... As roupas dos personagens, George quase sempre de terno e chapéu, exceto quando aparece com uma roupa esportiva. As brincadeiras entre rapazes e moças - a cena de George e Mary com o arbusto e o roupão - a forma como as pessoas conversavam, os telefones antiquados, o baile no fim do ano...
E é claro que o filme tem tudo a ver com o momento em que foi lançado, em 1946, na América pós guerra, na verdade o primeiro filme do autor depois de ter voltado para casa. Um filme que retira toda uma população marcada pela morte e sofrimento da segunda guerra de seu pessimismo e insegurança apresentando um filme sobre sonhos que era mais do que uma propaganda de prosperidade (the American Dream), e se concentrava em enaltecer o valor individual de cada vida humana. As pessoas estavam desiludidas, e It's a Wonderful Life revela que os conceitos de fracasso e sucesso, riqueza e pobreza estavam distorcidos! Ninguém é um fracasso. Life is good... And it's always worth living...
Uma coisa notável é como George Bailey é um cara importante, e para ser grande, nada no filme ter proporções épicas. Ele é um homem. A cidade é uma cidadezinha. Mas mesmo assim, George faz toda a diferença e inegavelmente faz do mundo um lugar melhor. As ações dele - tão altruístas e nada calculadas - tem impacto a kilômetros de distância, na vida de gente que ele nunca vai conhecer!
O filme é muito cativante, George é o tipo de cara que dá vontade de puxar pra fora da tela e conhecer pessoalmente...
And a weird question popped on my mind... I wonder if the girls who saw the movie when it first caem out had a crush on James Stewart... You know... I was just wondering.
O filme é perfeito... Não fazem mais filmes como esse... Fiquei até um pouco pra baixo por não ter conseguido ninguém pra assistir o filme comigo, porque esse tipo de jóia é o tipo que é melhor quando compartilhada... Eu fiquei com vontade de assistir de novo hoje à tarde mesmo... E definitivamente vou assistir mais vezes em todos os natais a partir desse.








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