Eu me lembro da primeira vez em que assisti a Simplesmente amor... Estava vendo TV com meu irmão, quando tinha uns dezessete anos, passamos por esse filme e ele disse: “dizem que esse filme é legal. Vamos ver?” Eu disse sim...
Verdade que eu não estava lá muito animada... O título do filme, “Simplesmente Amor”, já me deixava com um pé atrás, eu que nunca fui muito ligada em filmes românticos. Mas eu não estava sozinha e decidimos arriscar...
E depois do filme eu só conseguia dizer uma coisa: Wow.
Na verdade, simplesmente amor não é uma única história, mas oito histórias, entrelaçadas de uma forma ou de outra, todas as quais acontecem no natal, e tem algo a ver com a data, e com as diferentes formas em que o amor pode se manifestar: entre pais e filhos, amigos, namorados, maridos e esposas,... amores infantis, antigos, proibidos e complicados...
Billy Mack and Joe
A primeira história é a de Billy Mack, um astro do rock ultrapassado, ex-viciado em drogas, interpretado por Bill Nighy que está tentando um come-back a qualquer custo regravando “Love is all Arround you” (The Troggs) como “Christmas is all around you” e entrando na competição para melhor single de natal do ano... A música não é nenhum produto de genialidade de Billy, pelo contrário é claramente um esquema, e o próprio Billy não esconde isso de ninguém.
“We both know, the record is crap!”
Mas ele está determinado e promote inclusive tocar a música completamente pelado na TV na véspera de natal se ele for o número 1...
Billy não está exatamente ligado a nenhum dos outros personagens... Não conhece ninguém. Mas é ele que os outros assistem na TV (inclusive o fato de o clip dele estar na TV é muito importante em uma cena de outro personagem), e o que escutam no rádio e faz sentido...
Na verdade a competição para ser o melhor single do natal era algo importante na Inglaterra até pouco tempo atrás. Realmente havia uma disputa... Mas nos últimos anos a final do X-Factor sempre era mais ou menos no natal, e o single campeão era sempre o do X-Factor, por isso a coisa toda perdeu um pouco a graça. Mas ver Billy competindo pra ser o número 1 faz pensar que seria legal se o concurso voltasse a ser o que era... A cena de Billy num talk show falando sobre como vai aparecer pelado na TV na véspera de natal é pequenininha, e uma das melhores do filme! A atuação de Bill N é perfeita, parece mesmo que ele não está nem aí com nada... Very rock n’ roll...
Mas depois do casamento as coisas ficam meio estranhas. Tudo está bem entre os dois amigos, mas Peter fica insistindo para que Peter passe mais tempo com Juliet, converse direito com ela. Ele sabe que o amigo nunca gostou muito de Juliet mas agora eles são casados, e é diferente, eles precisam se dar bem...
Essa era talvez a história mais difícil de terminar sem estragar nenhum dos personagens envolvidos, mas Richard Curtis consegue... A história é brilhante. Intensa... A exasperação de Mark quando parece que tudo vai pelos ares e ele sai andando rápido ao som de Here With Me (Dido) é palpável... E o final desse arco é brilhante, o melhor possível e algo que eu nunca teria imaginado.
Colin, Tony and the American Girls...

Um dos garçons no casamento de Juliet e Peter era Colin, um inglês magrelo extremamente frustrado romanticamente. Conversando com seu amigo, Tony, Colin chega à conclusão de que o problema são as garotas britânicas. Elas são muito presas e ele se sente primariamente atraído por meninas mais soltas e leves, menos complicadas... Como garotas americanas... Certamente qualquer bar nos estados unidos teria dezenas de garotas que mais provavelmente dormiriam com ele do que todas as garotas do Reino Unido!

Um dos garçons no casamento de Juliet e Peter era Colin, um inglês magrelo extremamente frustrado romanticamente. Conversando com seu amigo, Tony, Colin chega à conclusão de que o problema são as garotas britânicas. Elas são muito presas e ele se sente primariamente atraído por meninas mais soltas e leves, menos complicadas... Como garotas americanas... Certamente qualquer bar nos estados unidos teria dezenas de garotas que mais provavelmente dormiriam com ele do que todas as garotas do Reino Unido!
Assim que o avião pousa, Colin entra num taxi e pede que o motorista o leve a um bar... Qualquer bar tipicamente americano. E as coisas se desenrolam de uma forma totalmente inesperada (and awesome!) a partir daí...
O amigo de Colin, Tony é diretor de filmes pornográficos, e atualmente está trabalhando em um filme com dois atores novos, John (Martin Freeman) e Judy que se conheceram nas filmagens. Os dois discutem a vida do novo primeiro ministro enquanto fazem suas cenas juntos... Na verdade, os dois são surpreendentemente tímidos, e ficam encantados de encontrar um ao outro, alguém com quem podem simplesmente conversar durante aquelas cenas constrangedoras... E eles ficam a fim um do outro, mas os dois sçao tímidos demais para tomar a iniciativa, e apesar das cenas que os dois fazem juntos no filme de Tony, longe das câmeras o namorico deles parece um namoro de escola entre um menino e uma menina que nunca namoraram antes...
O primeiro ministro – sobre quem John e Judy conversam – acabou de assumir apenas um pouco antes do natal. David (Hugh Grant) é um cara jovem, tímido, ainda inseguro no cargo que acaba de assumir que acaba, desde o primeiro dia, inadvertidamente apaixonado por Natalie, a responsável pelos serviços de alimentação do escritório (catering manager), uma funcionária nova, igualmente nervosa e insegura com o cargo... Ele tem certeza de que isso é altamente inapropriado... E como se não bastasse o momento também não é muito adequado. Ele está no meio de uma negociação com o desagradável presidente norte-americano, cuja companhia é um desafio mesmo para a presença dócil de David (O Presidente americano é um cara absurdamente detestável - se encaixaria direitinho em House of Cards)... E não é como se ele tivesse alguém para ajuda-lo... Quando não está trabalhando David passa o tempo sozinho na casa enorme, inclusive abrindo sozinho uma seleção dos cartões de natal dos funcionários – os únicos que recebeu. Essa é uma história bem legal também, cheia de momentos surpreendentes, românticos e engraçados... ...
O primeiro ministro tem uma irmã mais nova, Karen (Emma Thompson), que mora em Londres também, embora por causa do trabalho dele eles não se falem muito (aliás, uma das poucas coisas que acho que poderia ser acrescentada era uma cena entre os dois irmãos, acho que acrescentaria algo ao filme, inclusive dentro da idéia de todas as formas possíveis de amor, porque não vemos muito da coisa fraternal )... Ela telefona de vez em quando, e convida David para assistir a peça de natal da escola das crianças, coisas assim...


Karen é casada com Harry (Alan Rickman), diretor de uma agência de design, e tem dois filhos pequenos... Ela pensa um pouco sobre como a vida é diferente da do irmão... Ele dirige o país e ela faz cabeças de papel machê para a peça das crianças. Além disso, o casamento com Harry está um tanto... monótono. E quando a secretária de Harry começa a flertar abertamente com ele e se insinuar para o chefe, ele pode tomar uma decisão que muda a vida da família para sempre.
Essa história é uma das duas histórias mais difíceis de assistir, por vários razões. As coisas que acontecem e as que não acontecem são importantes, e eu achei sobretudo a linha dessa história muito realista... E o fato de que são Alan Rickman e Emma Thompson potencializa o quão boa era a história...
Sarah and Karl

Uma das pessoas que trabalha sob a direção de Harry é Sarah, uma amiga dele (ele chega a dar conselhos a ela em algumas cenas e ela conversa com Karen também, sugerindo que é próxima da família), que acontece de ser perdidamente apaixonada pelo chief-designer da empresa, Karl, desde que ele se juntou ao time... E parece que Karl sabe dos sentimentos dela. Mas Sarah está sempre distraída porque seu telefone não para de tocar, o que poderia fazer com que ela recebesse tantas ligações assim?
Essa é uma história bem difícil de assistir... O tipo de história em que nem os personagens envolvidos parecem saber se estão fazendo a coisa certa, só vão vivendo... Mas o fato de esse filme ter histórias leves e histórias difíceis é uma das coisas que fazem dele um grande filme...
Karen tem melhor amigo, Daniel (Lian Neeson). Daniel ficou viúvo recentemente, quando sua esposa, Joana, morreu de um câncer... Embora eles tenham tido tempo para se preparar para esse momento, planejar o funeral e tudo que aconteceria, Daniel não se sente nem um pouco pronto para lidar com a situação. Quanto para cuidar de Sam, filho de Joana de outro relacionamento, de quem agora ele é o pai adotivo. Daniel está completamente inseguro sobre a coisa toda de ser pai adotivo sem joana por perto (e sem dar spoillers, vou dizer que ele não precisava se sentir inseguro... Daniel é um dos melhores pais que eu já vi, ficcionais ou não, um dos poucos que consegue tratar o filho como um indivíduo).
Jamie (Colin Firth) é um escritor e um dos amigos que estavam no casamento de Peter e Juliet. Na verdade ele nem queria ir ao tal casamento, porque a jovem esposa estava doente (com uma gripe forte em casa), mas ela mesma o estimulou a ir... Quando volta para casa entretanto, para checar a condição da esposa entre a cerimônia na igreja e a festa de casamento, Jamie descobre um segredo que acaba levando a seu divórcio...
O escritor vai sozinho para uma casa que tem no sul da França, trabalhar em um livro de crime até que chegue o natal... E lá ele contrata uma moça para limpar o lugar... Aurélia. Uma moça portuguesa que não fala uma palavra de inglês.
Nenhum dos dois entende uma palavra do outro, e as interações deles se resumem a sorrisos e olhares, além do momento no fim de cada dia em que Jamie a leva de volta para casa...
As cenas em que os dois estão falando, cada um na própria lingua, dialogando mesmo sem saber, são perfeitas, divertidas, românticas, leves e cheias de significado, tudo ao mesmo tempo. Essa, junto com a história de Sam e Daniel é a minha preferida, e sem dúvida a mais romântica de todas...
Rufus (Roan Atkinson - alumn da Universidade de Newcastle lol - estava com a camiseta da Uni assistindo esse filme hoje) é um curinga no filme... E isso é tudo que vou dizer dele. As duas últimas histórias (os finais delas duas - que por sinal são apresentados meio que juntos), e a presença dele são, na minha opinião as melhores coisas desse filme
Simplesmente Amor é um dos meus filmes preferidos, e não estou nem falando apenas de filmes de natal... Ele conseguiu se alçar ao nível de esqueceram de mim, e Willow, dois filmes que eu assistia toda semana por anos quando era menor (uma vantagem que nenhum outro filme nunca vai ter)... As histórias seu lindas, o roteiro é incrível (fez eu me tornar fã de Richard Curtis e querer conhecer todo trabalho do cara) e eu definitivamente recomendo como filme que deve ser assistido todo natal, e de novo e de novo, e de novo...















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