É um filme de natal. Desse ano. Com William Shatner. Sim, eu precisava assistir...
Christmas Horror Story é como uma antologia de histórias de terror natalinas.
História número 1: A primeira história se passa no Polo Norte. Um vírus misterioso se espalhou entre os elfos e Papai Noel precisa lutar contra as hordas de elfos-mortos vivos com seu cajado... Essa história é a melhor, e mais original... Não é a que assusta mais na maior parte do filme, mas as idéias nela são excelentes - me deram idéias, e me fizeram querer escrever! Nesse segmento, papai noel não parece um velhinho inocente e rechonchudo, mas um grande guerreiro Viking, e sua esposa - a mamãe noel - parece mais uma shieldmaiden alta e forte. A fábrica de brinquedos é como um castelo gótico, cheio de torres altas, corredores, arcos e pontes... E essa história tem um final tão inesperado que me lembrou as reviravoltas do final de O Mundo de Sofia...

História número 2: A escola de Dylan, Ben e Molly tem uma história sinistra. A escola tem um prédio antigo, que costumava ser um convento. Na noite de véspera de natal do ano anterior, dois estudantes foram encontrados mortos no porão, e o assassino nunca foi pego... Molly convence Dylan e e Ben a invadirem o porão da escola na véspera de natal, a fim de gravar um documentário no local onde o crime ocorrera. Ela sabe que o porão costumava ser o local para onde as freiras levavam as moças grávidas que não eram casadas, para escondê-las da sociedade até que tivessem o filho. Sabe também que os corpos dos estudantes mortos foram encontrados em posições ritualísticas e um versículo da Bíblia foi escrito em sangue na parede. Isso dará um grande documentário. O plano é entrar, filmar na cena do crime e ir para casa, para a ceia de natal. Só que os três ficam presos lá embaixo.
História número 3: Scott leva a mulher e o filho pequeno, Will para conseguir uma árvore de natal... Eles querem uma árvore de verdade, mas ao invés de comprar uma, Will dirige até uma espécie de bosque de pinheiros na estrada e pula a placa dizendo "fique longe" achando aquilo tudo muito divertido... Só que eles acabam levando algo além de uma árvore de natal para casa, com o dono da propriedade assistindo de longe... Essa foi a história de que menos gostei, mas ela tem seus momentos assustadores
História número 4: Taylor está levando a esposa e os dois filhos para visitar uma tia endinheirada no natal... A tia mora apenas com Gerard, um mordomo emburrado, e os recebe muito mal, mandando-os embora quando Duncan, o neto mais novo, se comporta mal e quebra, de propósito, uma estátuazinha de Krampus - uma espécie de anti-Papai-Noel. E quando o carro deles quebra na estrada os quatro se vêem enfrentando um Krampus em tamanho real, de carne e osso...
As histórias não acontecem uma de cada vez... Vemos todas ao mesmo tempo, um pedacinho de cada vez, com interlúdios que são as cenas de Dangerous Dan trocando as músicas em seu programa de rádio. Essas músicas são legais porque ajudam o filme a mergulhar mais no tema natalinos, e deixam a história um pouco mais leve... Outro mérito desse filme é que todas as histórias são boas, embora tenham características diferentes (umas são mais assustadoras, outras têm mais cara de aventura), e todas progridem no mesmo ritmo, o que é uma das coisas mais importantes em uma antologia desse tipo... Em nenhum momento eu me vi querendo que uma história passasse depressa ou acabasse de uma vez porque estava chata. Isso não acontece, e com tantas histórias paralelas, é algo difícil de fazer.
A segunda história, dos adolescentes presos no porão, é, de longe, a mais assustadora. Se o filme tivesse ficado só nela teria sido dez vezes mais assustador e mais difícil de assistir... Ela explora mais o lado religioso do natal, a cana da natividade e coisas assim. A história com o final mais legal (que tem um twist inacreditável) é a última, da família lutando com Krampus... E a história mais aventuresca é a do papai noel viking.
A interpretação de William Shatner é incrível. Eu reconheço que não sou exatamente a pessoa mais imparcial pra falar disso, mas achei impecável... Ele não tem muito tempo em tela, mas as cenas dele são como a cola que mantém as histórias juntas. E apesar de ele não ter muito tempo em tela e de as cenas dele serem curtas e se passarem todas em um cubículo com equipamentos para transmissão de rádio, as pequenas coisas que ele faz, as falas, os gestos dão forma e cor ao personagem... Ele gosta do que faz, e gosta de fazer as coisas do seu jeito - nem tão políticamente correto assim. Adora o natal apesar de todos as coisas ruins que viu acontecerem nessa época, e fazer um plantão duplo mantendo o programa com músicas natalinas direto entre os dias 24 e 25 é o jeito dele de ajudar as pessoas a cultivarem o espírito natalino. A forma como ele desobedece as ordens de sua superior na rádio, os comentários sarcásticos, a forma como olha para o cartão que recebeu da família... Tudo são coisas que ajudam a trazer o personagem à vida. Achei o máximo.
E o filme tem uma mensagem bem séria que aparece em um voice over do DJ (melhor não ler se não quiser spoillers):
"Are we cursed or something? Why does this season of love and peace and goodwill keep ending in blood and death and horror? You keep the spirit in your hearts, you hear me, people, you hug your loved ones and you keep them close and you treat them every Christmas like it might be your last."
As críticas a esse filme têm sido positivas... E eu vou só juntar minha voz a elas... Adorei a história e a forma como foi contada. Tem medidas certas de susto, aventura e gore. Tive idéias assistindo a esse filme... A parte de horror não destrói os simbolos do natal, pelo contrário tudo é usado para reforçar a importância de manter o espírito de natal vivo.







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